O presidente Lula disse que não cabe a ele “dar palpite” sobre o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que apresentou um enredo em sua homenagem no Carnaval do Rio de Janeiro. O presidente falou sobre o assunto durante uma coletiva de imprensa em Nova Delhi, na Índia, neste domingo (22).

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Ao ser questionado sobre o que pensava a respeito das críticas de evangélicos à ala de fantasias chamada de “neoconservadores em conserva”, Lula disse não participou da elaboração do samba-enredo nem da concepção dos carros alegóricos.

— Eu não penso. Porque primeiro eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo, eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas sou homenageado em uma música maravilhosa — declarou Lula, durante coletiva de imprensa em Nova Delhi, na Índia.

Lula disse ainda que a homenagem foi feita mais para sua mãe, Dona Lindu, do que a ele.

— É uma pena que a minha mãe já tivesse morrido e não ouvisse a música. A música é, na verdade, uma homenagem à minha mãe. É a saga dela de trazer os filhos para São Paulo.

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O presidente disse que é “muito grato” à escola.

— Eu, sinceramente, acho que a escola fez uma coisa extraordinariamente. Não cabia ao presidente dar palpite nos carros alegóricos. Só cabia o presidente aceitar ou não se ele queria ser homenageado, e eu aceitei. E sou muito grato à escola. Muito grato. Quando eu voltar para o Brasil, vou visitar a escola para agradecer a homenagem que eles prestaram à saga da Dona Lindu.

Veja imagens do desfile

Como foi o desfile

A Acadêmicos de Niterói estreou Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Lula. O desfile a história do presidente desde a infância no Nordeste, passando pela migração com a família para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico e a liderança sindical, até a Presidência da República.

A escola de samba terminou em último lugar no Grupo Especial e foi rebaixada. Ao longo da apuração, ela recebeu apenas duas notas 10.

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Desfile foi questionado na Justiça

O desfile foi alvo de pelo menos 10 ações judiciais e representações no Ministério Público e no TCU que tentaram impedir o desfile ou suspender e reverter repasses de recursos públicos. As iniciativas alegavam que trechos do samba e da apresentação configurariam propaganda eleitoral antecipada do presidente Lula. Também houve pedidos para barrar a presença do presidente na Marquês de Sapucaí e para restringir manifestações consideradas ataques a adversários.

Na quinta-feira (12) antes do Carnaval, o TSE negou uma liminar que pedia a proibição do desfile. Ministros do tribunal, porém, alertaram que eventuais condutas na Avenida poderiam ser analisadas posteriormente e resultar em punições.

Em nota oficial na segunda-feira (16), o PT publicou uma nota rebatendo as críticas feitas pela oposição e afirmando que “não há fundamento jurídico para qualquer discussão sobre inelegibilidade relacionada ao episódio”.

“A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral é firme no sentido de que manifestações políticas e culturais espontâneas de artistas constituem exercício legítimo da liberdade de expressão, inclusive em contextos eleitorais e em eventos públicos”, diz um trecho da nota do PT.

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Veja a coletiva de imprensa de Lula