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    APOSTAS DO MOMENTO

    Negócios infantis educativos expandem com crianças sem aulas presenciais isoladas em casa

    Sem escolas, empresas que oferecem produtos educativos entraram para a lista dos segmentos que cresceram na pandemia

    21/10/2020 - 18h27

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    Por Estadão Conteúdo
    Brinquedos para alfabetização estão entre os favoritos na pandemia
    Brinquedos para alfabetização estão entre os favoritos na pandemia
    (Foto: )

    Escolas fechadas, trabalho em home office e pais sem saber ao certo o que fazer com os filhos em casa. A oportunidade estava criada. Pequenos negócios com brinquedos educativos se apresentaram como solução. Assim, empresas que vendem de itens de madeira a livros entraram para a lista dos segmentos que cresceram na pandemia.

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    "Aumentou muito a procura dos pais, por causa dos filhos em casa e da preocupação de não oferecer qualquer coisa para eles. Tive até problema com reposição. Começou a acabar madeira, embalagem", conta Alessandra Garcia, proprietária da Engenha Kids, com cinco anos de existência e vendas somente online. Ela mesma tem dois filhos: Gabriel, de 5 anos, e Laura, de 8. Para escolher os produtos, segue alguns critérios: "ser educativo, homologado e ter qualidade".

    Brinquedos para alfabetização estão entre os favoritos na pandemia, caso dos blocos de madeira com letras e desenhos e do giz de cera para banho. Até março, a Engenha Kids tinha 100 pedidos em média por mês. Por volta de abril e maio, chegou a 300; agora está na faixa de 200 mensais. "Mesmo caindo, dobrei o que vendia".

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    Após a reabertura das escolas, produtos ligados ao universo infantil podem apresentar queda, mas têm como continuar em alta se bem trabalhados pelos empreendedores, acredita Ariadne Mecate, consultora de marketing do Sebrae-SP. "Os pais nunca mais serão os mesmos. Você criou um laço tão grande com as crianças que, mesmo que a escola volte, você vai querer fazer atividade com eles".

    Com dois pequeninos em casa - Rafael, de 1 ano, e Luca, de 3 -, Ariadne também virou cliente. "Comprei kit de papelaria e até contratei uma professora que tinha sido demitida para fazer atividades com o meu filho mais velho". Segundo ela, mesmo quem não podia trabalhar presencialmente com crianças pensou em possibilidades de negócio. "Teve bufê infantil que começou a fazer festa em caixa e mandar os kits até com lembrancinha de aniversário", lembra.

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    Adaptação foi fundamental na Recriar Festas, desde 2012 especializada em recreação com brincadeiras tradicionais. "A gente desenvolveu uma ideia para alugar cantinhos de brincar. Nossa cartilha de atividades vai junto e é pensada para cada faixa etária", explica a proprietária, Ebiliane Lima. Os preços partem de R$ 226, por um mês para kit com seis brinquedos. No início da pandemia, ela fez quatro locações; agora está com 30 na média.

    Ebiliane teve de reforçar a limpeza. "Por ser produto de economia circular, os pais temiam o contágio (do coronavírus). Mas a gente já tinha um trabalho de higienização porque as crianças põem os brinquedos na boca. Agora passamos álcool 70%, esperamos evaporar e limpamos com enxaguante bucal".

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    Os pais têm a liberdade de montar o conjunto de cada cantinho, com itens como cavalinhos de madeira, corda e fogãozinho. "Às vezes a mãe não tem condição de comprar vários brinquedos. Pode alugar e, se a criança criar um elo com algum, ela faz um investimento assertivo", diz Ebiliane, que também vende brinquedos educativos no site da Recriar.

    Tecnologia a favor da educação

    A cada mês o aplicativo Sloth exibe novos ambientes para crianças de 3 a 6 anos aprenderem enquanto se divertem com o bicho-preguiça que dá nome ao app. "Usamos a técnica de gamificação para engajar. A cada cinco acertos, a criança ganha uma roupinha para o Sloth", explica Pedro Mendes, que se juntou a um grupo de amigos para lançar a K-Mobile, empresa de apps para desenvolvimento pessoal. O app tem uma parte gratuita e também assinatura mensal ou anual.

    Ele conta que sua mulher, Daniela, se preocupava com o uso de tela pelos filhos, Francisco, de 4 anos, e Tom, de 6. "Com equilíbrio, a tecnologia traz benefícios. No Sloth, tem um timer. O bicho-preguiça aparece dizendo que é hora de descansar". O app, primeiro produto da K-Mobile, já estava programado para março. A pandemia alavancou os downloads. Atualmente somam 200 mil, quase meio a meio entre Brasil e Estados Unidos - há uma versão em inglês. "Todas as perguntas são narradas porque as crianças ainda não são alfabetizadas".

    A pandemia também levou o Clube Quindim, de assinaturas de literatura infantil, a atingir sua melhor marca desde a primeira entrega, em 2017. "A gente estava em uma ascendente muito grande. Aí veio a greve dos Correios. Fez com que muitos suspendessem, mas a gente continua com novas assinaturas", afirma Renata Nakano, idealizadora do Quindim. Para reestruturar as entregas, Renata foi atrás de empresas de logística especializadas em e-commerce.

    Um público novo aderiu ao Quindim no isolamento. "Tivemos muitos pais que gostam de escolher os livros dos filhos. Assinaram o clube e se surpreenderam porque são obras que não comprariam", conta. Selecionados por importantes nomes da literatura, como Ziraldo e Ana Maria Machado, os títulos contemplam autores e ilustradores diversos.

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    A qualidade e a diversidade dos produtos é o que fazem também pais se surpreenderem com a Cuca Toys, loja de brinquedos educativos em Perdizes, criada há 26 anos e fora de e-commerce. "Todo mundo me fala que tenho de estar online. Eu sei que venderia mais, mas não quero que a pessoa clique lá e compre. Prefiro fazer uma venda de R$ 10 adequada àquela criança (in loco) do que fazer uma de R$ 100 que não tenha nada a ver", diz a proprietária, Nancy Lissner Mester.

    No início da pandemia, ela viu o faturamento cair a 20% ou 30% do que fazia antes. "Quando vi que ia se estender, comecei a vender por WhatsApp". Quebra-cabeças e jogos foram os artigos mais pedidos pelas famílias. Com a reabertura para o público, voltou a 80% das suas vendas. Durante o período em que a Cuca Toys ficou fechada, Nancy aproveitou para reformar o espaço. "Eu me apaixonei de novo pela minha loja".

    O que fazer para manter o seu negócio pós-pandemia

    Ensine como se joga

    Facilitar a vida dos pais é fundamental para cativar um consumidor fiel. "Não é só vender o produto. Tem de ajudar a mãe. Se trabalha com tinta, por exemplo, pode mostrar como fazer uma atividade com pintura", diz Ariadne.

    Atinja o público certo

    Fazer anúncio segmentado é uma estratégia certeira para pequenos negócios. "Você pega os brinquedos que vende para cada faixa etária e faz anúncio nas redes sociais. Dá para escolher tudo: nível de renda, idade dos filhos, se a pessoa é casada, solteira ou divorciada, quem faz aniversário em novembro".

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    Evite telefone sem fio

    Cadastre os clientes e entre em contato com eles, por WhatsApp ou e-mail marketing. Não apenas para divulgar lançamentos, mas para manter contato com os consumidores e ter um retorno sobre o que se vende. "Também é bom trabalhar com algumas influenciadoras que são mães ou que conversam com esse público".

    Fale com os coleguinhas

    Fazer parcerias com outros negócios relacionados ao público infantil também é uma boa tática para crescer em tempos de retomada econômica. "O bufê tem clientes, mas tem outra empresa que faz papinha. Podem trabalhar juntos", exemplifica Ariadne.

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    Peça para ouvir uma história

    Consumidores satisfeitos com seu produto são a melhor propaganda. "Peça para mandarem um depoimento. O que faria uma mãe comprar é ver outras crianças felizes. Afinal, eu também quero que meu filho tenha essa experiência".

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