A presença do El Niño pode levantar dúvidas entre os catarinenses durante o inverno: o fenômeno pode aumentar ou diminuir as chances de neve em Santa Catarina? Segundo meteorologistas, a resposta não é simples. Embora o El Niño costume estar associado a períodos mais quentes no Sul do Brasil, ele não é capaz, sozinho, de impedir a ocorrência do fenômeno.
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De acordo com o meteorologista Caio Guerra, da Defesa Civil de Santa Catarina, durante episódios de El Niño as temperaturas no inverno tendem a ficar acima da média na região Sul, o que pode reduzir as condições favoráveis para a formação de neve. Isso acontece porque a neve depende de um cenário de frio intenso e umidade disponível.
No entanto, o fenômeno ainda está em fase inicial e com intensidade fraca, o que impede uma conclusão sobre seus impactos diretos neste inverno.
— Não é possível afirmar que ele irá, por si só, diminuir ou impedir episódios de neve neste inverno — explica Caio.
Para que a neve ocorra em Santa Catarina, é preciso uma combinação específica de fatores atmosféricos. A instabilidade, a presença de umidade e temperaturas suficientemente baixas em diferentes níveis da atmosfera são fundamentais para a formação dos flocos e para que eles cheguem ao solo sem derreter.
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Relembre a neve histórica em SC
Frentes frias e massas de ar polar influenciam ocorrência de neve
Além do El Niño, outros sistemas meteorológicos têm influência direta sobre a ocorrência de neve no Estado. A passagem de frentes frias e a atuação de massas de ar polar são alguns dos principais fatores que podem criar o cenário necessário para a precipitação invernal.
— Os principais fatores são a intensidade das massas de ar polar, a passagem de frentes frias e a disponibilidade de umidade. A combinação desses elementos é fundamental para criar um ambiente favorável à ocorrência de neve ou de outros tipos de precipitação invernal —afirma o meteorologista.
Apesar da influência do El Niño, a possibilidade de neve continua existindo. Todos os anos, Santa Catarina tem chances de registrar episódios de neve, principalmente nas regiões mais altas da Serra Catarinense, onde as temperaturas costumam ser mais baixas.
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Entre a noite de segunda-feira (22) e a terça-feira (23), por exemplo, a passagem de uma frente fria combinada com a chegada de uma intensa massa de ar frio poderia favorecer a ocorrência pontual de precipitação invernal nas áreas elevadas da Serra. Nestes casos, podem ocorrer fenômenos como neve, chuva congelada ou chuva congelante.
Para períodos mais distantes, o meteorologista destaca que ainda há grande incerteza. As melhores condições para neve costumam ser identificadas apenas alguns dias antes, quando os modelos conseguem indicar com mais precisão a combinação entre frio e umidade.
Neve, chuva congelada ou chuva congelante? Saiba a diferença
Neve
A neve é o fenômeno mais esperado durante o inverno, especialmente em regiões como São Joaquim e Urupema. O fenômeno, porém, só ocorre quando a temperatura do ar está abaixo de 0°C e há umidade suficiente na atmosfera. Os cristais de gelo se aglomeram e caem na forma de flocos, criando a clássica paisagem branca.
Chuva congelada
Já a chuva congelada ocorre quando a neve que cai da nuvem, passa por uma camada de ar mais quente, com temperatura acima de 0°C, mas depois volta a encontrar uma camada de ar frio, e recongela antes de chegar ao chão, formando os pequenos aglomerados de gelo que caem no chão.
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Chuva congelante
Já a chuva congelante acontece quando a precipitação cai em forma de gotas líquidas, mas, ao atingir superfícies muito frias, como estradas e calçadas, congela imediatamente, formando uma camada de gelo. Esse fenômeno é particularmente perigoso para o tráfego, pois pode causar acidentes devido à formação de gelo negro, quase invisível, nas vias.








