As federações não são mais novidade; é a principal saída no atual tabuleiro eleitoral. Diferentemente das antigas coligações — que evaporaram no dia seguinte à eleição —, a federação é um contrato de risco com validade de quatro anos. Na prática, as siglas abrem mão da autonomia para funcionar como um partido único, o que exige uma maturidade que nem sempre o diretório nacional consegue entregar.
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O gargalo das alianças forçadas
Onde o modelo trava é na convivência diária. O curto-circuito entre PSDB e Cidadania é o exemplo mais didático dessa armadilha: o que era para ser uma união de forças virou um cabo de guerra sobre comandos estaduais e apoios a governos, gerando uma paralisia que sangra as duas legendas.
A hesitação em oficializar o bloco entre PP e União Brasil reforça esse temor. O receio não é ideológico, mas de “engolimento”: lideranças regionais fortes não querem ver seus redutos geridos por decisões de Brasília.
Por outro lado, blocos como PT-PCdoB-PV e PSOL-Rede mostram que, quando o DNA político é minimamente compatível, a federação funciona como um escudo eficiente contra a cláusula de barreira, garantindo oxigênio financeiro e tempo de TV.
O eleitor e o “gato por lebre”
Com as siglas se fundindo para evitar a extinção, o eleitor precisa abrir o olho para não levar gato por lebre. Em 2026, não basta olhar para o candidato; é preciso checar o “pacote” completo.
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Alianças puramente pragmáticas costumam cobrar seu preço na primeira votação polêmica no Congresso. O voto consciente agora exige entender que, ao escolher um nome de uma federação, você está, por tabela, carimbando o passaporte de todos os partidos do bloco pelos próximos quatro anos. A conta é simples: a união garantiu a sobrevivência deles, mas quem paga a conta da coerência (ou da falta dela) é o eleitor.
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*Editado por Nicoly Souza.

