Um modelo em que o funcionário trabalha quatro dias e tem direito a três dias de folga por semana. Essa é a chamada escala 4×3, que entrou no centro da discussão na reta final da análise da proposta de fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados.

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A discussão sobre o possível fim da escala 6×1 ganhou força há pouco mais de um ano após a apresentação do projeto de lei da deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP). Ela sugeria o fim da escala 6×1 para a adesão à escala 4×3, com três dias de folga por semana, e redução da jornada de trabalho de 44 horas para 36 horas semanais.

A proposta avançou nas últimas semanas com a criação de uma comissão especial para votar o assunto na Câmara. A versão final do texto foi redigida com uma espécie de “meio-termo”, colocando fim à escala 6×1, mas mantendo a possibilidade de escala 5×2 (cinco dias de trabalho por dois de descanso na semana) e diminuição da jornada de 44 horas para 40 horas semanais.

Entenda a escala 6×1

Essa mudança era prevista em outra Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tentava acabar com a 6×1, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

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A adoção da escala 4×3 era vista como a medida mais extrema e, portanto, mais difícil de vencer a resistência de parlamentares da oposição e ser aprovada. No entanto, uma mudança de posicionamento do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, causou uma reviravolta na discussão e fez com que a escala 4×3 passasse a ser defendida por deputados bolsonaristas.

Nesta quarta-feira (27), o empresário Luciano Hang, da rede de lojas Havan, também aderiu à estratégia e afirmou em uma publicação ser “a favor da 4×3”.

— Sou a favor da escala 4×3. Se for para quebrar o Brasil, que seja rápido — escreveu, em tom de ironia, em uma publicação nas redes sociais.

Em entrevista ao NSC Total, o bilionário já havia afirmado ver o fim da 6×1 como um “retrocesso” e que poderia causar consequências como aumento de preços.

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— O Brasil já produz pouco, cresce pouco e compete pouco. Agora vai trabalhar menos também! A conta sempre chega. E quem paga é o povo! — criticou.

Estratégia do PL na discussão sobre escala 6×1

No Congresso, a estratégia do PL de passar a defender a escala 4×3 foi vista como forma de tentar constranger o governo Lula e barrar o avanço do fim da escala 6×1. A aposta é de que a medida mais extrema aumentaria a resistência de empresários e criaria mais dificuldades à aprovação da redução de jornada.

A resposta ocorre após o fim da escala 6×1 ganhar força nas redes sociais e elevar a pressão contra parlamentares bolsonaristas que precisariam votar na proposta.

Líder da oposição na Câmara, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) anunciou a mudança de posição ainda na noite desta terça-feira (26).

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— Já que querem ajudar o trabalhador, eu quero ver os petistas botando a sua digital — desafiou.

Após o anúncio da nova estratégia do PL, a deputada Erika Hilton reagiu criticando a tática e defendendo a aprovação do fim da 6×1.

— Tudo o que eles [deputados da oposição] querem é a manutenção da 6×1. Isto é um golpe contra o trabalhador de uma maneira que parece benéfica, parece boa, mas, no fim do dia, tudo que eles querem é a manutenção dessa política [da escala 6×1]” — afirmou.