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    SEM COMPROVAÇÃO CIENTÍFICA

    O que é a proxalutamida, remédio citado por Bolsonaro contra a Covid-19

    Medicamento ainda está em fase de testes e não é comercializado em nenhum lugar do mundo

    08/04/2021 - 13h43 - Atualizada em: 09/04/2021 - 06h52

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    Maria Eduarda
    Por Maria Eduarda Dalponte
    Proxalutamida entrou para a lista de remédios não comprovados e citados pelo governo federal
    Proxalutamida entrou para a lista de remédios não comprovados e citados pelo governo federal
    (Foto: )

    O que é a proxalutamida? O medicamento foi citado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta quarta-feira (7) durante a visita que fez a Chapecó, no Oeste do Estado. No discurso em que defendeu o "tratamento precoce", o presidente falou sobre o novo remédio para supostamente "curar" o coronavírus. A substância, porém, não tem eficácia comprovada e ainda não pode ser vendida no mundo.

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    Bolsonaro declarou que quando não há medicamentos comprovados, é preciso buscar alternativas. Na fala, o presidente chega a mencionar o AZT, um remédio utilizado na década de 90 no combate à AIDS.

    — Prometo não falar em proxalutamida, porque se eu falar já vai ser criminalizado a partir de agora — declarou, rindo, o presidente.

    A proxalutamida é um fármaco produzido para tratar cânceres de próstata e de mama. O medicamento é um bloqueador de hormônios masculinos (antiandrógeno) ainda em desenvolvimento pela farmacêutica chinesa Kintor. O remédio não é aprovado por nenhuma agência reguladora e não é comercializado em nenhum lugar do mundo até o momento.

    No começo de março, o nome do remédio — estudado para tratar câncer — começou a ser associado a um possível tratamento da Covid-19. No dia 5 de março, a agência de regulação de medicamentos dos Estados Unidos aprovou o pedido de investigação para uso da proxalutamida em infecções causadas pelo coronavírus.

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    No Brasil, até agora, o medicamento não é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A empresa Simi Consultoria entrou em contato com a agência reguladora brasileira para tratar sobre o uso da proxalutamida para Covid-19, mas a reunião foi adiada e não tem data marcada. A Anvisa confirmou que não há qualquer pedido sobre o medicamento na Agência. 

    Estudo no Brasil

    Um estudo para avaliar os efeitos da proxalutamida em pacientes com Covid-19 foi feito em 12 hospitais de Manaus (AM). A pesquisa é uma parceria entre o Grupo Samel e a empresa americana de biotecnologia Applied Biology. No começo de março, os profissionais divulgaram o resultado do estudo nas redes sociais do grupo Simel, mas nenhuma pesquisa científica foi publicada até o momento.

    Características do estudo

    Ensaio randomizado: medicamentos foram administrados de forma ordenada e aleatória

    Duplo-cego: nem os pacientes, nem os pesquisadores sabiam quem estava tomando proxalutamida e quem estava tomando placebo

    Os medicamentos foram administrados juntamente com o tratamento médico padrão

    Ao todo, mais de 600 pacientes participaram. Desses, 590 chegaram até o final do estudo. Mais de 2.400 comprimidos foram administrados em 294 pessoas que tomaram proxalutamida, enquanto 296 ingeriram placebo.

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    Segundo os dados divulgados pela empresa Simel, o remédio reduziu em 92% o número de mortes por Covid, reduziu o tempo de internação hospitalar e inibiu a progressão da Covid.

    O estudo, porém, não foi divulgado por completo. Por isso, outros especialistas e cientistas não conseguiram avaliar e revisar a pesquisa. A empresa Simel ainda não solicitou o início da fase III de testes à Anvisa ou o uso emergencial do medicamento. 

    Um dos participantes da apresentação dos resultados da pesquisa foi o infectologista Ricardo Zimerman, médico que defende publicamente o uso do "tratamento precoce", kit de remédios que recebe amplo apoio do presidente Jair Bolsonaro

    Remédios propagados por Bolsonaro

    A proxalutamida se junta a uma lista de soluções contra a Covid-19 afirmadas e divulgadas por Bolsonaro e seus apoiadores. A cloroquina, a hidroxicloroquina e a ivermectina, recomendadas pelo presidente para o tratamento da Covid, são substâncias usadas para o tratamento de doenças como malária, lúpus e vermes e não há eficácia comprovada para a Covid.

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    O Ministério da Saúde recomenda o tratemento precoce desde julho de 2020, enquanto a OMS não reconhece nenhuma dessas medidas. Nenhum estudo, até agora, conseguiu comprovar a eficácia desses medicamentos divulgados pelo governo federal.

    *Com supervisão de Augusto Itnner e informações de Folhapress

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