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    Operação Chabu: quem são os 17 indiciados e o que eles dizem

    O grupo foi indiciado por crimes como corrupção ativa e passiva, extorsão, contrabando e por atrapalhar investigações

    07/12/2019 - 13h27 - Atualizada em: 09/12/2019 - 14h32

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    Clarissa
    Por Clarissa Battistella
    Operação foi deflagrada no dia 18 de junho de 2019, três anos após iniciadas as investigações
    Operação foi deflagrada no dia 18 de junho de 2019, três anos após iniciadas as investigações
    (Foto: )

    Quase seis meses depois da Operação Chabu, realizada no dia 18 de junho, a Polícia Federal concluiu inquérito que apurou um esquema criminoso suspeito de ludibriar investigações policiais a partir de vazamento de informações sigilosas, para obter, em troca, lucro e posição em cargos públicos. O documento foi assinado na noite desta sexta-feira (6) pelo delegado Daniel Brasil Carvalho Nascimento.

    O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, e outras 16 pessoas foram indiciadas por crimes de corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, extorsão, contrabando, facilitação de contrabando e descaminho, embaraçamento de investigação, organização criminosa e falso testemunho.

    A investigação e todo o processo correm em segredo de Justiça, mas a reportagem da NSC teve acesso ao relatório neste sábado (7), mesmo dia em que o prefeito de Florianópolis convocou coletiva de imprensa para se manifestar sobre suas citações no relatório e consequente indiciamento:

    — Não há qualquer indício que comprove meu envolvimento com os crimes em que eu sou citado. Nada que eu tenha feito, como eles descrevem no relatório, caracteriza crime. É o processo natural. Como explicar o que fizeram comigo e com a minha família se eu não fosse indiciado?

    O prefeito foi indiciado por crimes de corrupção passiva, associação criminosa e por embaraçar investigação. Entre os demais indiciados estão empresários, servidores públicos da segurança pública, pessoas que integram núcleos políticos e um advogado.

    Leia também: Gean Loureiro é indiciado na Operação Chabu e reafirma sua inocência

    Confira a lista de indiciados

    Além do prefeito de Florianópolis, que manifestou-se publicamente durante a manhã deste sábado, outras 16 pessoas foram indiciadas. Saiba quem são, por quais crimes e o que dizem.

    1. Luciano Veloso Lima: indiciado por corrupção passiva e organização criminosa

    O que diz a defesa: o advogado Rubens Cabral Faria Junior disse que o cliente não tem nenhum envolvimento e não há provas que apontem sua participação. Ele vai esperar o final das investigações e acredita que o Ministério Público não vai incluir Luciano no caso.

    2. Marcelo Roberto Paiva Winter (servidor da PRF): indiciado por corrupção passiva, organização criminosa, violação de sigilo funcional e embaraçar investigação.

    O que diz a defesa: a defesa, composta pelo advogado Thaigo Vinicios Amaral, não pretende se pronunciar neste momento.

    3. Hélio Sant'ana Silva Junior (delegado): indiciado por extorsão e organização criminosa.

    O que diz a defesa: o advogado Eugênio Carlo Balliano Malavazi não atendeu a reportagem e não retornou até o momento.

    4. Claudio Roberto Bocorny Salgado: indiciado por organização criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva.

    O que diz a defesa: o advogado Alexandre Neuber informou que vai analisar o processo e se manifestará apenas nos autos.

    5. José Augusto Alves: indiciado por corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, contrabando, falso testemunho e organização criminosa.

    O que diz a defesa: Através de nota pública, os advogados Rycharde Farah e Rodolfo Macedo do Prado, disseram que o cliente vai mostrar a verdade dos fatos e argumentaram que toda a investigação foi baseada em achismos: "A Operação Chabu termina como começou: atrasada, recheada de conversas cujo conteúdo nunca se concretizou. Pretende criminalizar a política, como se boas relações entre pessoas do mundo privado e público sejam necessariamente criminosas".

    6. Edenir Silva: indiciamento por extorsão, falso testemunho e organização criminosa.

    O que diz a defesa: Cesar Caputo Guimarães, advogado de defesa, afirmou que que confia na Justiça e que o resultado das investigações não se sustenta.

    7. Fernando Caieron (delegado de Polícia Federal): corrupção passiva, contrabando, facilitação de contrabando e descaminho, violação de sigilo de interceptação telefônica, extorsão, falso testemunho e organização criminosa.

    O que diz a defesa: o advogado Clóvis Rodrigues da Silva afirmou que, como defesa, vai se manifestar somente nos autos e depois de tomar ciência formal do processo.

    8. Romanna Giulia Ceccon: indiciada por corrupção passiva.

    O que diz a defesa: Romanna encaminhou nota, que diz em síntese: "Quem se dispõe a participar da vida pública pode estar sujeito a esse tipo de suspeição. Jamais me beneficiei de qualquer fato relatado na investigação. É isso que demonstrarei ao Judiciário.

    9. Luciano da Cunha Teixeira: indiciamento por corrupção passiva e organização criminosa.

    O que diz a defesa: A advogada Ana Paula Travisani disse que ainda está analisando o processo, mas que vê qualquer indiciamento como leviano. Segundo a defesa, "não houve crime algum, apenas uma grande confusão". Disse, também, que houve exagero da Polícia Federal, porque as conversas do cliente, apontadas no relatório, teriam sido tiradas fora de contexto.TO.

    10. Edson Silva: indiciado por extorsão, falso testemunho e organização criminosa.

    O que diz a defesa: Cesar Caputo Guimarães, advogado de defesa, afirmou que que confia na Justiça e que o resultado das investigações não se sustenta.

    11. César Caputo Guimarães: mesmo na defesa de outros dois indiciados, o advogado também preenche a lista de indiciados, por crimes de extorsão e falso testemunho.

    O que diz a defesa: A seu respeito, o advogado disse que a própria OAB já entrou nos autos e reconheceu que o trabalho dele, era como advogado. Disse, também, que no momento oportuno vai se manifestar.

    12. Alceu Pinto Oliveira Junior: atual secretário de segurança da prefeitura de Florianópolis, foi indiciado por corrupção ativa e organização criminosa.

    O que diz a defesa: "Quando secretário de Estado, recebi uma informação de que havia uma intenção de mudar o termo de referência de uma determinada licitação para favorecer uma empresa. Imediatamente orientei a área técnica que não admitiria qualquer favorecimento e que mantivessem o termo de referência como já estava antes mesmo de eu estar na função de secretário. A manutenção da compra ocorreu, então, na forma que estava programada, nos mesmos moldes da que foi feita Ministério Público Estadual. Portanto, os fatos, provados, demonstram que não houve qualquer ilicitude junto a minha área técnica da época."

    13. Andres Luis Mendes da Silveira: indiciado por organização criminosa.

    O que diz a defesa: o advogado Francisco Ferreira disse que não vai se manifestar sobre o caso.

    14. Aguinaldo Peres Neto: indiciado por organização criminosa e corrupção passiva.

    O que diz a defesa: A reportagem não conseguiu contato com o advogado responsável pela defesa.

    15. Constâncio Alberto Salles Maciel: indiciado por corrupção passiva.

    O que diz a defesa: Constâncio Maciel alegou que em 45 anos de trabalho no setor público jamais teve qualquer problema com a Justiça e nunca se sentiu tão humilhado. Ele também destacou que ainda não entendeu o porquê do indiciamento, já que a investigação apenas aponta que ele teria recebido pessoas, como faz todos os dias no cumprimento do seu dever.

    16. Francisco Wollinger Neto: indiciado por corrupção passiva.

    O que diz a defesa: A reportagem não conseguiu contato com a defesa.

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