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TRADIÇÃO

Ótica é uma das poucas lojas da Rua XV em Blumenau a manter nome original do fundador

O negócio nasceu das mãos de Paul Husadel, que desembarcou em Blumenau em 1897

05/10/2021 - 14h00

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Pedro
Por Pedro Machado
Adriana Mueller é a atual administradora da Ótica Husadel
Adriana Mueller é a atual administradora da Ótica Husadel
(Foto: )

É no número 801 que está cravada uma das mais charmosas construções da Rua XV de Novembro de Blumenau. Erguida na primeira década do século passado, a casa mais parece ter sido retirada de alguma região alpina. Com fachada delicada, janelas em arco, mãos-francesas e minuciosos detalhes em madeira, a edificação mantém até hoje não apenas a arquitetura original, mas a própria vocação comercial.

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Ali funciona a Ótica Husadel, uma das mais antigas lojas da via e uma das poucas a preservar o nome dos antigos casarões de comércio que forjaram a XV. O negócio nasceu das mãos de Paul Husadel, que desembarcou em Blumenau em 1897. O imigrante alemão logo montou o próprio negócio, onde comercializava presentes e artigos importados, além de consertar relógios. Como de costume na época, ele morava com a família no segundo andar do imóvel.

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— Era uma loja de departamentos nos bons tempos, com os cristais maravilhosos, joias pesadas, troféus, medalhas, artigos de presente. Pensa em uma casa de luxo! Era muito lindo — lembra Adriana Mueller, atual administradora da loja.

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Adriana herdou o negócio do pai, Heinz Mueller, que começou a trabalhar na Husadel ainda garoto. Ali ele aprendeu o ofício e, depois de estabelecido, comprou uma parte do negócio, passando a se dedicar apenas ao segmento de ótica – as demais linhas, como as de joias, ficaram com outros herdeiros. Com o aval da família, Mueller manteve no comércio próprio o sobrenome original, sinônimo de qualidade no ramo até hoje.

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— Ele exigia muito estudo, seriedade e honestidade. É o lema que a gente segue — lembra Adriana ao falar do pai, falecido há cinco anos.

Como tantos filhos de empresários da XV, ela cresceu convivendo com a loja. Hoje, Adriana admite que os tempos já foram melhores, mas não larga o otimismo. Para ela, apesar de todos os percalços na economia e das transformações do comércio, a rua, assim como o Rio de Janeiro, continua linda. Abrir mão dela não é uma alternativa:

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— A gente é daqui, é uma coisa de sangue, de alma. Nascemos aqui e não queremos ser mais um dentro de um shopping ou coisa assim.

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