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    Para quê serve uma incubadora de empresas?

    Incubadoras são peças-chave para o desenvolvimento de um ecossistema de empreendedorismo e inovação maduro

    06/04/2021 - 05h28

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    Por Redação NSC
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    A grande maioria das pessoas não faz ideia do que é e qual a função de uma incubadora de empresas. O que não significa que seja algo complexo. Muito pelo contrário. Vejamos, de modo geral, o que uma incubadora faz é apoiar negócio inovadores em seu período inicial, cada uma, é claro, com suas próprias características, conforme localização e conjuntura em que estão inseridas. 

    Tendo isso em vista, cabe entendermos em seguida qual o contexto em que surgem as incubadoras de empresa. Sua aurora ocorre nos anos 50, nas universidades americanas. Percebendo que muitos de seus estudantes estavam criando e desenvolvendo tecnologias que poderiam ser transformadas em empresas, a academia tratou de capacitar os alunos para que pudessem criar seus próprios negócios e explorarem o mercado por si mesmos, ao invés de serem capacitados para trabalhar em grandes corporações. 

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    A partir disso, ocorre o surgimento do Vale do Silício, na Califórnia, e a criação de diversas incubadoras na Europa e no restante do globo. No Brasil, as primeiras incubadoras surgem em um contexto similar durante os anos 80, enquanto o Vale do Itajaí vê sua primeira incubadora, o Instituto Gene, surgir em 1996, dentro da Universidade Regional de Blumenau (FURB).

    Assim como o seu surgimento ocorre em diferentes locais e épocas, o mesmo acontece em relação ao passo seguinte dado pelas incubadoras: auxiliar não apenas acadêmicos, mas toda a comunidade, ou seja, qualquer pessoa que possua uma ideia inovadora com potencial para se tornar em um grande negócio. O que não significou que as incubadoras deixassem de ter ligação com universidade. Mesmo com tais mudanças, de acordo com a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), em 2019, 61% destas instituições no Brasil ainda eram mantidas por universidades públicas ou privadas. 

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    Ao atender um público maior, a importância destas instituições também se estende. Analisemos: é de conhecimento público que o período mais complicado para um negócio costuma ser o seu início. Estudos do Cadastro Central de Empresas (Cempre), vinculado ao IBGE, demonstram isso de forma bastante clara ao apontar que em torno de 60% das empresas em nosso país fecham as portas antes mesmo de completarem 5 anos. 

    Agora some isso à complexidade de desenvolver um produto inovador, cujas incertezas costumam ser muito maiores. Desta forma, estende-se às incubadoras também o papel de aumentar a taxa de sobrevivência das empresas da região. 

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    Mas como a incubadora atua para aumentar a chance de sucesso dos negócios envolvidos? Ainda que, como citado, trate-se de algo que varia conforme instituição, existem muitos pontos em comum que caracterizam as incubadoras. 

    Um primeiro exemplo diz respeito à oferta de capacitações voltadas em desenvolver as habilidades dos empreendedores dos envolvidos. Por exemplo: técnicas de gestão, marketing, estudo de mercado, vendas, gestão de pessoas, sucesso do cliente, entre outras. Em paralelo a isso, cabe à incubadora aproximar os negócios envolvidos com o mercado regional, de modo a permitir aos empreendedores acesso ao conhecimento acumulado por aqueles que já superaram situações similares no passado. 

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    Outra prática comum se dá na disponibilização de espaços físicos compartilhados e individuais. Ainda que recentemente tenham surgido algumas incubadoras cujo apoio se faz estritamente de modo virtual, a oferta de espaço ainda é uma das principais vantagens que os empreendedores que fazem parte destas instituições relatam, uma vez que a proximidade física entre os empreendedores proporciona outra grande vantagem: o networking, ou seja, gera troca de informações e experiências entre os envolvidos, muitas vezes resultando em novas parcerias que originam novas soluções. 

    O que costuma variar de forma mais substancial entre uma incubadora e outra, e que irá influenciar todas as demais ações da instituição, se dá no grau de maturidade e no tipo de negócio apoiados. Há incubadoras, por exemplo, que apoiam negócios cujo estágio é o da ideia (estas normalmente denominadas de “pré-incubadora”), outras, por sua vez, apenas aceitam empresas cujo faturamento supere algum valor. 

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    A respeito do tipo de negócio, têm surgido cada vez mais instituições voltadas ao apoio de apenas determinados tipos de ideia, como por exemplo incubadoras que visam auxiliar apenas negócios gerem um impacto social e/ou econômico positivo ou apenas aqueles que desenvolvem soluções para o agronegócio. 

    Com tais informações à vista, vamos analisar, por fim, o impacto que as incubadoras representam na economia. Em âmbito nacional, o último estudo o qual temos acesso, datado de 2017, nos mostra que as mais de 2 mil empresas que já haviam passado em algum momento por alguma incubadora obtiveram uma receita total de R$ 15 bilhões naquele ano, além de gerarem cerca de 70 mil empregos. Na nossa região, o impacto também é considerável: estima-se que as empresas graduadas pelo Instituto Gene Blumenau representavam em 2019 uma receita maior que R$ 50 milhões. 

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    Por fim, mesmo que as incubadoras tenham surgido de forma tardia no Brasil, se comparado aos países mais desenvolvidos, os números evidenciam a importância dessas iniciativas no desenvolvimento socioeconômico das regiões em que se encontram inseridas. 

    Afinal, são elas que maximizam as possibilidades de sucesso de soluções com potencial de transformar a vida das pessoas, além de possuírem a capacidade de alterar o perfil da economia. Ou seja, as incubadoras são peças-chave para o desenvolvimento de um ecossistema de empreendedorismo e inovação maduro, formando empreendedores mais preparados para atender as demandas que muitas vezes as pessoas nem sequem notam que possuem.

    *Por Yuri Apolônio Gerente da Incubadora do Instituto Gene e Coordenador do Cocreation Lab de Blumenau

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