nsc
    santa

    Momentos de terror

    “Parecia um terremoto”, diz morador de Presidente Getúlio que perdeu a casa na tragédia

    Ingo Wiese saiu do imóvel minutos antes dele ser destruído pela enxurrada

    24/12/2020 - 11h43 - Atualizada em: 24/12/2020 - 16h10

    Compartilhe

    Bianca
    Por Bianca Bertoli
    Casa no bairro Revólver foi levada pelo temporal
    Casa no bairro Revólver foi levada pelo temporal
    (Foto: )

    Ingo Wiese, 69 anos, é um dos moradores de Presidente Getúlio que perdeu todos os bens que conquistou ao longo da vida em questão de segundos. A enxurrada de quarta-feira (16) carregou a casa e o carro dele, deixando um rastro de destruíção na cidade do Alto Vale do Itajaí. 

    Ingo e a esposa só se salvaram porque decidiram correr para o outro lado da rua, onde mora o filho. Depois de enfrentar a correnteza, assim que chegaram ao terreno, o casal viu o imóvel deles ser consumido pela avalanche de lama.

    > Receba notícias de Blumenau e do Vale por WhatsApp

    O casal morava há 43 anos naquela residência. Apenas parte da casa da mãe de Ingo, já falecida, ficou em pé. 

    Ainda tentando entender a tragédia, que somou a força da chuva torrencial com deslizamentos nos morros que circundam o bairro Revólver, Ingo não esquece os momentos de terror que passou entre o final da noite de quarta e primeiros minutos de quinta-feira (dias 16 e 17).

    — Fazia um barulho de arrepiar, de árvores vindo, água vindo. Parecia um terremoto. Ninguém imaginava que um dia isso ia acontecer. Foi triste, ainda é triste — afirma.

    O filho, Loan Wiese, estava no alto do terreno olhando as lagoas e não percebeu a dimensão do fenômeno. Quando desceu, não encontrou a casa dos pais e se desesperou. 

    — Cadê meu pai, cadê minha mãe? — disse ao notar a rua tomada de lama, pedras e vegetação. 

    Loan calcula um prejuízo de R$ 500 mil, considerando a perda da residência dos pais, os peixes que criava e o salão de beleza da esposa, que ficou alagado.

    Casa de Ingo Wiese antes da enxurrada
    Casa de Ingo Wiese antes da enxurrada
    (Foto: )
    Depois da enxurrada, apenas parte da cerca permaneceu
    Depois da enxurrada, apenas parte da cerca permaneceu
    (Foto: )

    Mesmo com o trauma, Ingo quer permanecer na localidade. Ainda não sabe em qual ponto, mas garante que será do lado oposto em que vivia. 

    — Daquele lado da rua eu não moro mais — afirma.

    > Leia também: Radar de Lontras desligado e dificuldades na comunicação impediram alerta a Presidente Getúlio

    > E mais: Quem eram as vítimas da tragédia no Alto Vale

    Assim como ao menos outras 620 famílias, o casal Wiese está abrigado na casa de parentes. Ingo espera que algum auxílio governamental seja dado para contribuir com o recomeço. 

    Em Presidente Getúlio, a prefeitura contabilizava, até terça-feira (22), mais de 3.200 moradores prejudicados pelo temporal. Os bombeiros encontraram 18 corpos de desaparecidos, nove da família de Ingo.

    Memórias da tragédia

    > Moradores relatam furtos em casas destruídas pela tragédia em Presidente Getúlio

    > Árvore de Natal que ficou intacta após tragédia no Alto Vale é decorada com o nome das vítimas

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Cotidiano

    Colunistas