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    Pedofilia na internet: denúncias aumentam durante a pandemia

    Se de 2013 a 2018 a Polícia Federal prendeu pouco mais de 500 pedófilos, em 2020 a corporação organizou 84 operações com 32 presos no país - nove deles em SC

    31/01/2021 - 06h00 - Atualizada em: 31/01/2021 - 06h48

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    Por Ângela Bastos
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    Fotos que pais tiram dos filhos, no dia a dia, e postam nas mídias sociais podem ser usadas por criminosos em rede internacional de pedofilia
    (Foto: )

    Há três meses, em outubro de 2020, a Polícia Federal fez um alerta que passou despercebido para muitos pais. Foi um aviso sobre o aumento de denúncias dos crimes de pedofilia na internet ao longo da pandemia. Período no qual crianças e adolescentes passaram a ficar mais tempo em casa e com disponibilidade de acesso à rede. O aumento de 190% em relação ao mesmo período do ano anterior vinha acompanhado de outro dado preocupante: se entre 2013 e 2018 a PF prendeu pouco mais de 500 pedófilos, em 2020 foram organizadas 84 operações com 32 presos no país. Santa Catarina foi palco de algumas dessas, como a "Luz na Infância", que resultou em nove prisões no Estado.

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    Todo cuidado é pouco. Com o surgimento da web, os pedófilos deixaram de ser criminosos isolados e passaram a interagir e a compartilhar imagens e informações com pessoas que têm o mesmo interesse. À medida que cresce o acesso às redes por menores, se intensificam os ataques. Aquelas fotos que os pais tiram dos filhos, no dia a dia, e postam nas redes sociais podem ser usadas por criminosos em uma rede internacional de pedofilia que, normalmente, interage no submundo da internet.

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    A PF tem provas: mesmo sites de jogos são usados por pedófilos para se aproximar devido à facilidade de contato e a quantidade de crianças e adolescentes que utilizam o meio para se divertir. Muitos desses jogos possibilitam a comunicação entre jogadores, e é por este meio que os infratores conseguem estabelecer os laços através de um perfil falso. Existem casos em que os indivíduos tentam marcar encontros se passando por outros adolescentes. 

    – Os pais devem sempre monitorar o acesso dos filhos na internet. Se eu deixar a criança sem esse monitoramento é tal qual deixá-la sozinha numa rua de madrugada, ou seja, exposta a riscos – aconselha a delegada Patrícia Zimmermann D’Ávila, coordenadora das Delegacias de Polícia de Atendimento à Criança, Adolescente, Mulher e Idosos (Dpcami) de Santa Catarina.

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    Pode ser complicado, mas a Sociedade Americana de Pediatria orienta que crianças menores de dois anos devem evitar o uso de eletrônicos, mesmo que sejam programas educativos, porque é justamente a primeira infância um período crítico para o desenvolvimento do cérebro. Os especialistas alertam ainda que a idade para ter acesso a Facebook, Instagram, Youtube e Snapchat é 13 anos e o WhatsApp, 16 anos. 

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    Foi com o olhar atento que Marco Antônio, vendedor em Blumenau, percebeu a aproximação de um homem mais velho que assediava a filha dele, de 11 anos. As conversas que se iniciaram pelo Facebook ocorreram também no Messenger e tiveram até pedido de fotografias das partes íntimas da criança e convite para um encontro numa das ruas da cidade.

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    O que o homem não sabia é que, em vez de ser a criança, era Marco Antônio que estava no comando: 

    – Sempre procurei ser cuidadoso e havia baixado um aplicativo no celular dela, pois a gente tem uma vida corrida e é importante fazer o monitoramento para saber se chegou na escola, em casa, enfim. Sobre a localização era bem tranquilo, a questão foi a rede social que permitiu a aproximação do criminoso.

    O pai conta que desconfiou da conversa do “amigo” que adicionou a menina como amiga na rede social dele, algo estranho pois ninguém se conhecia. Na época, recorda, ele tomou duas atitudes. Além de conversar com a menina sobre os riscos do que estava ocorrendo e deixá-la longe da internet, o pai procurou a polícia para fazer a denúncia em uma delegacia em Blumenau.

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    – Não sei se foi má vontade ou despreparo, mas a pessoa que me atendeu chegou a dizer que a menina já tinha idade para conversar com as pessoas. Tive vontade de entrar em contato com o criminoso e resolver por conta própria, mas considerando que era um desconhecido fui aconselhado por amigos a evitar os riscos.

    Aos pais que têm filhos usuários da internet, Marco Antônio deixa um conselho:

    – A tecnologia ajuda bastante com os aplicativos. Mas é a conversa com os filhos que mais ajuda. Os pais devem ter paciência em dialogar com as crianças, pois não se pode espantá-las ou fazer com que escondam da gente o que está acontecendo. Posso assegurar que a confiança da minha filha em mim e a minha nela foi decisiva para que se identificasse o homem que estava assediando minha menina. 

    Canais para denúncias

    - O crime de publicação de imagens de pornografia infantil prevê pena de três a seis anos de reclusão. O estupro de vulneráveis prevê de oito a 15 anos de prisão.

    - Existem dois canais para denúncias: o Disque 100 e 180. 

    - Mas as autoridades dizem que a melhor opção é procurar a delegacia mais próxima, para que o Núcleo de Cibercrimes das Secretarias de Segurança dos Estados possam iniciar a investigação.

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