A Polícia Civil negou os pedidos de diligência feitos pelo último médico do Beatriz Ramos, de Indaial, que falta dar depoimento sobre o caso da mãe e da bebê mortas após quatro idas ao hospital. Agora, pela terceira vez, o delegado marcou a data para o profissional se explicar sobre o atendimento prestado à gestante no começo de abril. Ele está afastado da unidade desde quando o caso veio à tona.

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O médico deveria ter prestado depoimento em 17 de abril, mas pediu alteração na data. A polícia concordou e remarcou para o dia 22. Porém, a defesa apresentou um documento com 57 páginas pedindo uma série de diligências. Não há informações sobre o teor das solicitações, mas nesta terça-feira (28) o delegado negou todas e marcou para quinta (30) o depoimento dele.

Esse é o segundo advogado a representar o médico desde o início das apurações. A investigação também mudou de mãos. O delegado Ícaro Malveira, que abriu o inquérito, estava cuidando temporariamente da delegacia de Indaial, até ser transferido para Navegantes, o que ocorreu na semana passada.

Agora. O caso está sob a responsabilidade do delegado Aderlan Camargo.

O Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) abriu sindicância para apurar as mortes. O órgão é responsável por fiscalizar a atuação dos médicos.

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Laudo aponta falhas no atendimento médico

O laudo feito pela Polícia Científica, com base nos prontuários médicos, apontou falhas em duas das quatro vezes que Maria Luiza Bogo Lopes, grávida de sete meses, passou pelo Hospital Beatriz Ramos, de Indaial, se queixando de fortes dores pelo corpo. O documento foi entregue à Polícia Civil em 10 de abril e permitiu ao delegado Ícaro Malveira fazer alguns apontamentos.

Os principais dele são que a jovem deveria ter sido internada na segunda visita ao hospital, quando os exames começaram a mostrar as plaquetas baixando. Isso porque se tratava de uma gestação de alto risco, considerando que Maria Luiza tinha recebido recentemente o diagnóstico de diabetes gestacional. Nessa ida à unidade de saúde, a mãe da jovem diz que a médica cogitou se tratar de dengue.

A Polícia Civil diz que o exame para essa doença só foi feito quando a grávida chegou ao Hospital Santo Antônio, em Blumenau, onde passou por um parto de emergência do qual nem ela nem o bebê resistiram. O resultado apontou dengue hemorrágica. Antes de ir para essa unidade, porém, ela teve o terceiro atendimento no Beatriz Ramos, onde não passou por exames. Foi medicada e liberada.

Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, morreu no começo de abril (Foto: Redes sociais, Reprodução)

Na quarta e última ida ao hospital de Indaial, Maria Luiza chegou em um carro da prefeitura, levada pela equipe do posto de saúde onde fazia o pré-natal. Foi lá que a jovem de 18 anos buscou ajuda após não melhorar com o atendimento feito no Beatriz Ramos. Ela já estava com partes do corpo roxas, apresentava desidratação e foi logo transferida para Blumenau, onde chegou em estado grave.

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Uma hora e meia após passar por um parto de emergência em que a filha morreu, a mãe também não resistiu. A família enterrou as duas no fim de semana de Páscoa.