A possibilidade de neve na Serra Catarinense costuma despertar a curiosidade de brasileiros acostumados a associar o inverno a temperaturas amenas. Afinal, por que a neve é tão rara no Brasil, enquanto aparece com frequência em diversas regiões do mundo?
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A resposta está na combinação de fatores geográficos e meteorológicos que precisam ocorrer ao mesmo tempo para que os flocos de neve se formem e consigam chegar ao solo.
Segundo o meteorologista Caio Guerra, da Defesa Civil de Santa Catarina, a neve depende de condições bastante específicas. É necessário que haja umidade na atmosfera e temperaturas suficientemente baixas em diferentes camadas do ar.
— É preciso que haja instabilidade e que o ar esteja frio o bastante para formar os flocos de neve e permitir que eles cheguem ao solo sem derreter — explica.
Não é apenas uma questão de frio
Embora as temperaturas baixas sejam essenciais, elas não garantem a ocorrência de neve. O fenômeno costuma acontecer quando uma intensa massa de ar polar encontra um sistema que forneça umidade, como a passagem de uma frente fria.
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Os principais fatores que influenciam a neve no Sul do Brasil são a intensidade das massas de ar polar, a passagem de frentes frias e a disponibilidade de umidade na atmosfera.
Costumeiramente, áreas mais elevadas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul conseguem atingir a combinação desses elementos criando um ambiente favorável para a ocorrência de neve ou de outras formas de precipitação invernal, como chuva congelada e chuva congelante. (veja o que é cada um deles abaixo)
Relembre a neve histórica em SC
Comparação com outros países nem sempre faz sentido
Uma ideia comum é que o Brasil deveria registrar mais neve por estar em latitudes semelhantes às de regiões onde o fenômeno é frequente no Hemisfério Norte. Mas, segundo Guerra, essa comparação costuma ser equivocada.
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As áreas que registram neve frequente nessas latitudes geralmente estão associadas a grandes altitudes, como ocorre na Cordilheira dos Andes. Já Santa Catarina está localizada em torno dos 30 graus de latitude sul.
Em latitudes parecidas no restante do mundo, as regiões são extremamente quentes e secas, como o Deserto do Saara, no norte da África, os desertos do sudoeste dos Estados Unidos e norte do México, o Deserto da Arábia, no Oriente Médio, e o Deserto do Atacama, no Chile.
El Niño pode influenciar?
O atual episódio de El Niño também gera dúvidas sobre os impactos no inverno brasileiro. De acordo com Guerra, durante eventos de El Niño as temperaturas costumam ficar acima da média no Sul do país, o que pode reduzir as condições favoráveis para a neve. Porém, o fenômeno ainda está em fase inicial e apresenta intensidade fraca.
Por isso, segundo ele, não é possível afirmar que ele será suficiente para impedir ou diminuir significativamente os episódios de neve neste inverno.
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E as mudanças climáticas?
As mudanças climáticas também entram no debate sobre o futuro da neve em Santa Catarina. O aumento da temperatura média global tende a tornar mais frequentes os períodos de calor e os eventos extremos.
Isso, no entanto, não significa o desaparecimento das ondas de frio.
Segundo o meteorologista, massas de ar polar continuarão avançando sobre a região. Apesar disso, ainda não existem estudos conclusivos que permitam afirmar exatamente como as mudanças climáticas afetarão a frequência da neve no Estado.
Há chance de nevar neste inverno?
A resposta é sim. Assim como ocorre na maioria dos invernos, existe a possibilidade de episódios de precipitação invernal na Serra Catarinense.
Um exemplo é a combinação entre a passagem de uma frente fria e a chegada de uma intensa massa de ar polar, cenário que pode favorecer a ocorrência de neve, chuva congelada ou chuva congelante nas áreas mais elevadas da Serra.
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Ainda assim, a previsão desse tipo de fenômeno é complexa. Os meteorologistas conseguem identificar os períodos de maior probabilidade apenas com alguns dias de antecedência, já que pequenas variações nas condições atmosféricas podem determinar se a precipitação chegará ao solo em forma de chuva, gelo ou neve.
Neve, chuva congelada ou chuva congelante? Saiba a diferença
Neve
A neve é o fenômeno mais esperado durante o inverno, especialmente em regiões como São Joaquim e Urupema. O fenômeno, porém, só ocorre quando a temperatura do ar está abaixo de 0°C e há umidade suficiente na atmosfera. Os cristais de gelo se aglomeram e caem na forma de flocos, criando a clássica paisagem branca.
Chuva congelada
Já a chuva congelada ocorre quando a neve que cai da nuvem, passa por uma camada de ar mais quente, com temperatura acima de 0°C, mas depois volta a encontrar uma camada de ar frio, e recongela antes de chegar ao chão, formando os pequenos aglomerados de gelo que caem no chão.
Chuva congelante
Já a chuva congelante acontece quando a precipitação cai em forma de gotas líquidas, mas, ao atingir superfícies muito frias, como estradas e calçadas, congela imediatamente, formando uma camada de gelo. Esse fenômeno é particularmente perigoso para o tráfego, pois pode causar acidentes devido à formação de gelo negro, quase invisível, nas vias.
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