A distribuição de lucros aos funcionários da Tupy, multinacional metalúrgica de Joinville, sofreu uma queda superior a R$ 30 milhões, referente ao ano de 2025. Os pagamentos do programa de participação nos resultados, conhecido como PPR ou PRT, foi de 0,51 em relação ao salário do trabalhador, segundo o sindicato do setor.

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Em termos simples, o PPR é uma remuneração variável baseada em metas e resultados. Na Tupy, os valores foram pagos em 19 de fevereiro. Além do valor adicional de 0,51 ao salário, a multinacional pagou na mesma data um bônus de 20% do salário nominal de cada funcionário.

Conheça a Tupy, multinacional de Joinville

Baixa no lucro afetou PPR

Conforme Rodolfo de Ramos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Joinville, o bônus foi pago por conta do valor baixo em relação ao resultado do PPR. Ao todo, foram distribuídos R$ 41,5 milhões referente ao ano de 2025, enquanto que no ano anterior havia sido pago R$ 74,9 milhões, uma queda de R$ 33,4 milhões.

Ao considerar o salário médio de contratação da Tupy, que atualmente é de R$ 2,5 mil, de acordo com o sindicato, o trabalhador receberia R$ 1.275 de PPR e mais R$ 500 em relação ao bônus, totalizando R$ 4.275 recebidos em fevereiro. Quanto maior a remuneração de um trabalhador, maior foi o adicional.

Em nota ao NSC Total, a multinacional afirmou que o programa de participação segue critérios baseados no desempenho global da Companhia e que os valores podem variar. Confira na íntegra:

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“A Tupy tem um Programa de Participação nos Resultados (PRT), que segue critérios baseados no desempenho global da Companhia e no atingimento de metas operacionais e financeiras ao longo do período. Os valores distribuídos podem variar de acordo com esses fatores.”

Turbulência recente na empresa

Em março deste ano, a multinacional anunciou que o, até então diretor vice-presidente de Estratégia, Novos Negócios, Inovação e M&A e diretor de relações com investidores da empresa, Gueitiro Matsuo Genso, assumiu como CEO da Tupy em 1° de abril. A decisão aconteceu após o último diretor-presidente, Rafael Lucchesi, renunciar ao cargo.

A medida foi anunciada pela própria multinacional do setor de metalurgia e siderurgia que, em 2023, faturou R$ 11,3 bilhões, de acordo com ranking Valor 1000. O comunicado afirmou que a decisão sobre Genso assumir como interino foi tomada pelo Conselho de Administração.

Carta de renúncia

Lucchesi entregou a carta de renúncia, em “caráter irretratável e irrevogável”, após quase um ano no comando da empresa. De acordo com a multinacional, a renúncia aconteceu “por razões de ordem estritamente pessoal”.

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“Durante esse período, sua gestão foi marcada por avanços na execução da estratégia da Companhia, com destaque para a celebração de novos contratos, a diversificação do portfólio e iniciativas voltadas ao fortalecimento da eficiência operacional, contribuindo para o posicionamento da Companhia para os ciclos futuros”, afirmou o comunicado.

Resultado negativo em 2025

Apesar de já ter sido considerada bilionária, a multinacional teve um prejuízo líquido de R$ 655 milhões em 2025. Por outro lado, a Tupy teve a sua segunda maior geração de fluxo de caixa operacional da história no mesmo ano, com R$ 915 milhões.

Em relação ao ano anterior, a multinacional teve uma redução de 9%, com uma receita líquida de R$ 9,7 bilhões. Conforme a Tupy, o prejuízo líquido de R$ 655 milhões ocorreu em razão, principalmente, do investimento de R$ 544 milhões para o aumento da eficiência operacional.

*Sob supervisão de Leandro Ferreira