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Por baixo da máscara

Profissionais de limpeza ganham protagonismo em hospitais de SC e reforçam linha de frente da Covid-19

Trabalhadores de três hospitais de Blumenau contam a história e a mudança de rotina durante a pandemia

20/04/2021 - 05h00 - Atualizada em: 20/04/2021 - 09h33

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Brenda
Por Brenda Bittencourt
Josiane, Neuza e Lindemberg são profissionais da limpeza em hospitais de Blumenau
Josiane, Neuza e Lindemberg são profissionais da limpeza em hospitais de Blumenau
(Foto: )

A higiene das mãos, dos estabelecimentos e de tudo o que tocamos se tornou muito mais importante na pandemia. Isso colocou os profissionais que trabalham com limpeza nos hospitais de Santa Catarina como protagonistas e também como linha de frente no enfrentamento da Covid-19.

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A rotina revelada por profissionais de Blumenau é exaustiva como tem sido em outros lugares. O trabalho aumentou e o uso de equipamentos de proteção individuais (EPIs) também, já que muitos desses profissionais têm contato direto com pacientes infectados com o vírus e também com os objetos usados por eles, como pratos, copos e bandejas, por exemplo.

— Antes limpávamos os corrimões duas vezes no período, hoje são pelo menos cinco vezes — explicou Lindemberg Pereira Matheus, profissional de área de limpeza do Hospital Santo Antônio.

Essas pessoas estão em um dos grupos mais importantes na contenção do coronavírus, já que elas garantem que o vírus não se espalhe, principalmente nos hospitais, onde a proximidade com pacientes infectados é direta.

Em Blumenau, há três hospitais que cuidam de pacientes que testaram positivo para a doença: Santo Antônio, Santa Catarina e Santa Isabel. Nos três, além dos médicos, enfermeiros e outros funcionários, também existe a equipe de limpeza, higienização e os camareiros, que juntos cuidam para que tudo fique desinfectado.

No Hospital Santo Antônio, a equipe responsável por limpeza e contenção do vírus é composta por 69 pessoas que dedicam a vida a cuidar de todos que estão na unidade, desde os pacientes até médicos e diretores, deixando tudo organizado e limpo. Já no Hospital Santa Catarina, são 68 profissionais que compõem o quadro de funcionários. No Hospital Santa Isabel, são 80 colaboradores que formam a equipe.

A reportagem do Santa conversou com três pessoas que trabalham para cuidar de outras, não como médicos, mas como quem também se preocupa com a segurança de cada um através da limpeza.

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“Não somos médicos, mas também somos importantes”

Muitas vezes esquecidos por quem precisa ir até o hospital, os profissionais da limpeza contam que a rotina não tem sido fácil, principalmente após a chegada da pandemia. As normas de segurança ficaram mais rígidas e o perigo também aumentou, no entanto, os profissionais dessa área acabam esquecidos atrás das máscaras e dos equipamentos de proteção.

— Quando as pessoas falam em hospitais elas falam de médicos e enfermeiros e isso deixa algumas pessoas tristes. Não somos médicos, mas também somos importantes — disse Lindemberg.

Lindemberg é de João Pessoa, na Paraíba, e se mudou para Blumenau há dois anos em busca de uma vida melhor. Ele nunca havia trabalhado em hospital, mas conta que com a aquisição de duas novas máquinas industriais para lavar cortinas foi chamado em dezembro de 2019 — antes da pandemia — por ter 15 anos de experiência na indústria têxtil e saber operar os novos equipamentos. No entanto, foi integrado ao quadro geral para poder contribuir de outras formas.

Lindemberg nunca havia trabalhado em hospital e começou a atuar na área cerca de três meses antes da pandemia.
Lindemberg nunca havia trabalhado em hospital e começou a atuar na área cerca de três meses antes da pandemia.
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Ele se sente valorizado onde trabalha, mesmo sabendo que algumas pessoas não oexergam e faz o possível para também valorizar os outros colegas de trabalho, assim como Neuza Pereira Bazotti, de 44 anos, funcionária do Hospital Santa Isabel. Para ela é recompensador trabalhar na limpeza e fazer tudo com amor e pensando no próximo.

— Existem momentos que é difícil, mas no fim é gratificante poder ajudar as pessoas de alguma forma — explicou Neuza.

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A rotina de limpeza na pandemia

Dona Neuza trabalha em hospital há pelo menos oito anos. São dois anos no Hospital Santa Isabel e foram seis anos no Hospital Santo Antônio, ela foi uma das pessoas que viu de perto as mudanças acontecerem com a chegada da pandemia.

Neuza conta que já presenciou coisas que nunca imaginaria, como a catástrofe de 2008, quando Blumenau inteira ficou embaixo da água e muitos desabamentos aconteceram. Nos primeiros dias da tragédia ela lembra que nenhum dos colegas conseguia chegar até o hospital para trabalhar e ela era a única pessoa que tinha acesso ao local e foi sem saber como seria.

— Naquela noite eu limpei o hospital inteiro sozinha, esse foi o momento mais marcante da minha carreira até agora — contou.

Neuza trabalha em hospital há pelo menos oito anos
Neuza trabalha em hospital há pelo menos oito anos
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No entanto, com a chegada da pandemia, algumas práticas precisaram ser alteradas e ficaram mais rígidas para conter o vírus e também para garantir que os profissionais que atuam no hospital não contraiam a doença.

Máscaras adequadas, roupas especiais, proteção para os sapatos e para os cabelos, luvas... se tornaram equipamentos de segurança mais do que essenciais para quem chega para trabalhar na limpeza das unidades de saúde.

— Na ala de Covid o tratamento é diferenciado, precisamos estar mais paramentados e tomar ainda mais cuidado — explicou Neuza.

Os profissionais da limpeza contam que o trabalho aumentou justamente para garantir que o vírus não se espalhe pelas áreas comuns do hospital. A higienização aumentou em pelo menos cinco vezes na limpeza em corrimãos. Os lençóis e cortinas precisaram ser lavados e trocados com mais frequência do que antes do vírus.

— O hospital pode ter os melhores médicos mas se não houver uma boa equipe de limpeza, nada vai funcionar — disse Lindemberg,

Para Josiane Vanece dos Santos Rocha, 39 anos, colaboradora do Hospital Santa Catarina, o período da pandemia tem sido desafiador. Antes de trabalhar na unidade de saúde, ela era doméstica e lembra:

— Não é como limpar a nossa casa, o trabalho aumentou e acaba sendo mais desafiador, as UTI’s ficam cada vez mais cheias — explicou.

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Josiane começou a trabalhar no hospital em um dos picos da pandemia de coronavírus
Josiane começou a trabalhar no hospital em um dos picos da pandemia de coronavírus
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Vieram para ficar

Josiane é de Macapá, capital do Amapá, no Norte do país. Ela está em Blumenau há pelo menos nove meses e se mudou junto com o filho de 14 anos para o bairro Garcia. A profissional explica que a mãe dela ficou no Norte do Brasil, mas que felizmente não contraiu a doença.

— Cheguei bem no pico da pandemia, em julho de 2020. Eu nunca tinha trabalhado em hospital.

Além dela, Lindemberg e Neuza também se mudaram de outros estados do país para Blumenau em busca de uma vida melhor, com mais segurança, mais tranquilidade e com mais oportunidades.

Foi então que os três encontraram nas unidades de saúde uma possibilidade de mudar de vida e contribuir de alguma forma com as pessoas que tanto precisam de atenção.

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Futuro pós-pandemia

Um pouco mais de um ano depois do primeiros caso de Covid-19 em Blumenau, a cidade — e o mundo — vive o que tem sido chamado de “novo normal”. Tendo que conviver com as regras de distanciamento e as medidas de segurança para tentar conter o avanço do coronavírus.

As vacinações começaram na cidade em janeiro deste ano, quando primeiro lote de doses chegou à Santa Catarina. Nos primeiros agendamentos, os profissionais de saúde, idosos e quem trabalhava na linha de frente do coronavírus tinham prioridade para receber o imunizante.

Josiane, Lindemberg e Neuza não perderam tempo e já garantiram as duas doses da vacina contra a Covid-19, mas não deixam de usar os equipamentos necessários para estar no hospital.

Pensando no futuro pós-pandemia, os três falam em esperança. Esperança em um mundo melhor, com mais empatia, reconhecimento, amor ao próximo e trabalho.

— Tudo o que eu faço é com amor, estamos aqui porque os pacientes [não só de Covid] também precisam da gente — afirmou Lindemberg.

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