Deve ser conhecida na quinta-feira (18) a empresa responsável por colocar porteiros nas entradas das escolas e creches públicas municipais de Blumenau. Ao menos essa é a expectativa da prefeitura. Isso porque o contrato com os vigilantes armados encerrou há quase dois meses e os profissionais devem parar de prestar o serviço no dia 26 de junho, conforme acordo firmado entre as partes.

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A contratação será direta por dispensa de licitação em razão de situação emergencial, diz o governo de Blumenau. A prefeitura afirma que não renovou o contrato com a prestadora do serviço, a Orcali, porque a empresa passou a ser alvo de investigação do Gaeco após um suposto esquema de propina a integrantes do primeiro escalão da gestão passada e ficou impedida de fechar novos contratos.

Embora o processo de contratação emergencial não esteja público no Portal da Transparência e nem tenha sido disponibilizado ao NSC Total Blumenau, a prefeitura diz que na última quarta-feira (10), dois dias após informar que não renovaria com a Orcali, enviou e-mail para 28 empresas do ramo solicitando orçamentos. O que exatamente o governo orçou também não é de conhecimento público.

Muito além de vigilância

A Orcali também tinha outros dois contratos na área da educação, além do de vigilância armada. Ambos eram de limpeza e zeladoria das escolas e creches públicas de Blumenau. Com isso, a prefeitura busca também uma nova empresa para assumir os serviços de higienização interna e externa das unidades de ensino. Seis empresas teriam enviado orçamento para serviços de portaria, outras seis para limpeza.

“Toda documentação referente a esse processo será publicada ao final da contratação. Os documentos apresentados estão em análise pela Secretaria de Administração. Os valores e as demais informações serão divulgados após a definição das empresas vencedoras”, diz a prefeitura de Blumenau.

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Reações negativas

A decisão de tirar os vigilantes armados e colocar porteiros sem armas gerou repercussão. O serviço foi implantado após o ataque à Creche Cantinho Bom Pastor, quando quatro crianças foram assassinadas em Blumenau por um invasor. A mãe de uma das vítimas fez um desabafo nas redes sociais.

— É impossível eu não ficar revoltada, indignada. Nós fizemos nossa parte, vocês roubaram o dinheiro e agora querem tirar a nossa segurança tão lutada? — disse Jennifer, mãe do pequeno Bernardo Pabst, ao se referir ao suposto esquema de propina.

No último fim de semana, inclusive, houve uma manifestação em frente à prefeitura pedindo ao prefeito e delegado Egidio Ferrari (PL) que voltasse atrás e mantivesse os agentes armados.

O comandante da PM de Blumenau, tenente-coronel Heinjte Heerdt, esteve na Câmara de Vereadores na semana passada e trouxe à tona episódio nunca antes tornado público pelo governo municipal. Os relatos foram de vigilantes flagrados dormindo durante o expediente, arma encontrada por aluno em banheiro e até munição.

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O uso de porteiros desarmados deve durar pelo menos seis meses, prazo previsto na contratação emergencial. Depois disso, no início do ano letivo de 2027, a prefeitura quer implantar uma muralha de segurança igual à adotada nos últimos anos na Oktoberfest Blumenau será replicada em escolas e creches públicas de Blumenau. Para isso, pretende equipar escolas e creches com catracas, câmeras e leitores faciais.

Vídeo relembra desespero dos pais após ataque ao Cantinho Bom Pastor