O julgamento dos réus suspeitos de envenenarem servidores em um pronto-socorro de Santa Cecília, no Meio-Oeste catarinense, começou nesta semana. A primeira audiência, que aconteceu nesta segunda-feira (20) ouviu cerca de 21 testemunhas e durou 12 horas. Réus devem ser interrogados na quinta-feira (23).
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A audiência começou às 13h desta segunda (20) e terminou cerca de 12 horas depois, na madrugada de terça (21). Segundo informações do repórter da NSC TV, Mateus Barreto, mais de vinte testemunhas foram ouvidas.
Tia e sobrinho, que era funcionário do local, foram presos em outubro suspeitos de envenenar os doze colaboradores do pronto-socorro da região. Entre os afetados estavam uma médica, uma enfermeira, quatro técnicos de enfermagem, uma recepcionista, uma farmacêutica e dois colaboradores dos serviços gerais.
Os réus devem ser interrogados ainda nesta quinta-feira (23).
Relembre o caso do refri envenenado
No dia 21 de outubro, 12 servidores do pronto-socorro de Santa Cecília apresentaram sintomas como náuseas, vômitos, tontura, sonolência e dificuldade na fala, após consumirem alimentos no local de trabalho, durante um café da tarde. Nove deles precisaram ser hospitalizados.
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Segundo a Polícia Civil de Santa Cecília, todas as vítimas consumiram um refrigerante de dois litros deixado no local pela tia de um funcionário que estava afastado.
Conforme a Secretaria Municipal de Saúde, o homem está afastado das funções por denúncias de importunação sexual contra funcionárias do órgão, registradas em 8 de outubro. O colaborador e a tia foram presos no dia 23 de outubro, suspeitos de envolvimento na intoxicação. A identidade deles não foi divulgada.
As câmeras de segurança do local que registraram o momento em que a mulher chega à unidade com o refrigerante estão sob análise da Polícia Civil, que conduz as investigações e não foram divulgadas.
Segundo a nota da Secretaria Municipal de Saúde, alguns profissionais também relataram lapsos temporários de memória, peso na cabeça e tontura. Um deles afirmou não se lembrar do que aconteceu no dia do episódio, conforme divulgou o g1 SC.
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Os oito funcionários que estavam internados receberam alta médica em 25 de outubro. A secretaria informou que apenas um deles retornou ao trabalho e segue sendo monitorado pela equipe médica do município.
Após a perícia técnica do refrigerante, altas doses do medicamento clonazepam foi encontrado na bebida. O remédio é um dos mais vendidos no Brasil e é usado para tratar crises convulsivas, transtornos de ansiedade e distúrbios do sono, segundo informações do g1.
Como age o medicamento
A substância está na classe dos benzodiazepínicos e atua causando uma depressão no sistema nervoso central, de acordo com a professora Camila Marchioni, do Laboratório de Pesquisas Toxicólogicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Segundo Camila Marchioni, o uso excessivo da substância pode oferecer riscos.
— Pode deixar a pessoa rebaixada, sendo observado sonolência intensa, confusão mental, fala arrastada, coordenação prejudicada, dificuldade para respirar, redução da pressão arterial e batimentos cardíacos lentos. Em casos mais graves, podem ainda ter perda de consciência e coma.
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Ainda conforme a profissional, a situação mais perigosa é a de superdosagem, especialmente se ingerido com outras substâncias que também deprimem, como álcool.

