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"SC não merece ser chamada de terra do Bolsonaro", diz Sergio Moro

Ex-juiz federal defendeu terceira via e enfatizou críticas a Lula e ao atual presidente

11/01/2022 - 09h45 - Atualizada em: 11/01/2022 - 10h29

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Jean
Por Jean Laurindo
Moro deu entrevista a veículos da NSC nesta terça-feira
Moro deu entrevista a veículos da NSC nesta terça-feira
(Foto: )

Ex-ministro da Justiça e pré-candidato a presidente, Sergio Moro (Podemos), disse que as administrações de Bolsonaro e Lula foram "governos que não deram certo" e criticou a associação feita entre SC e o atual presidente — Bolsonaro teve mais de 70% dos votos do Estado em 2018 e tem passado períodos de folga em São Francisco do Sul.

— Santa Catarina não merece ser chamada de terra do Bolsonaro. É muito mais do que isso — afirmou. 

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As afirmações foram dadas na manhã desta terça-feira (11), ao Diário Catarinense e à CBN Diário, na rodada de entrevistas de veículos da NSC com nomes que devem concorrer à Presidência da República.

Moro foi entrevistado pela colunista do NSC Total, Dagmara Spautz, e pelos apresentadores da CBN Diário e da NSC TV, Eveline Poncio e Renato Igor. Assista à entrevista e confira abaixo os principais pontos abordados pelo pré-candidato.

Assista à entrevista

"Nem Bolsonaro, nem Lula"

Em meia hora de entrevista, Moro reforçou o posicionamento que tenta apresentar, de oposição a Lula e Bolsonaro. Disse que decidiu ser candidato após ter percebido pessoas descontentes com o cenário político atual do país.

— Quando conversava com as pessoas sobre 2022, parecia que não era aquele momento de esperança. Parece que o Brasil caminhava para um funeral, que o brasileiro ia escolher a cor do caixão. Pessoas desalentadas, insatisfeitas com situação atual, mas também desesperadas porque algo muito ruim estava querendo voltar — afirmou.

Participação no governo Bolsonaro

Moro disse que não tinha planos de entrar na política ao aceitar o cargo de ministro em 2018 e que aceitou o convite porque “embora (Bolsonaro) fosse uma pessoa controvertida, havia uma chance de dar certo”. Disse que conseguiu avanços na segurança pública, mas que o combate à corrupção foi "esvaziado" pelo governo.

O projeto de consolidar o combate à corrupção foi sabotado pelo próprio presidente, que tinha os problemas legais dele, tem os problemas da família, e não quis ver essa pauta avançar — afirmou.

Moro ainda disse que os apoiadores de Bolsonaro são "enganados dia após dia, com base em falsas promessas" e que quer se candidatar porque "a gente precisa de algo diferente".

— Prefiro ser alvo de críticas do que cúmplice de coisa errada — disse.

Negociação com Congresso e casos de corrupção

Questionado por Renato Igor se teria o “jogo de cintura” necessário para negociar com o Congresso, Moro defendeu que “tem muita gente boa na política” e que a articulação começaria com a definição de um projeto de país já nas eleições de 2022, focadas em propostas como reforma tributária e administrativa.

— A gente não pode partir do pressuposto de que não pode ter honestidade, integridade na política. O que acho é que a gente teve lideranças não muito honestas. Isso acaba gerando ambiente institucional cada vez mais deteriorado. Pessoas respondem a incentivos, e se incentivos são ruins, a tendência é piorar — analisou.

Moro também criticou práticas como o mensalão, registrado no governo Lula, e as emendas do orçamento secreto, que vêm sendo usadas por Bolsonaro para ter apoio do Centrão. Disse que “as pessoas precisam de um projeto melhor” e que, no projeto dele, “não tem possibilidade de repetir esses crimes”.

— É possível dialogar com todo mundo, eu como ministro dialoguei com todo mundo, mas nunca ultrapassei os limites da ética. Não estou colocando meu nome como pré-candidato para repetir mensalão (...), não estou colocando meu nome para repetir, do governo atual, esquemas de rachadinha, de ficar se apropriando do salário de subordinado, como parlamentar, ou de desmantelar combate à corrupção, ou de ficar lidando com verba pública, como esse orçamento secreto, de forma pouco transparente — criticou.

Reeleição e foro privilegiado

Moro também antecipou promessas como a de acabar com a reeleição e com o foro privilegiado. Ele defendeu a atuação da força-tarefa da Lava-Jato e criticou decisões do STF que anularam condenações suas.

— Tenho grande respeito pelo Supremo como instituição, por exemplo o presidente Fux, mas digo claramente, foi um grande erro judiciário, que faz retroceder no combate à corrupção — opinou.

Relação com SC

Moro citou alguns assuntos que são prioridades de SC, como a duplicação da BR-470, no Vale do Itajaí, a saturação da BR-101 e os investimentos no turismo. Também citou o nome dos prefeitos de Balneário Camboriú, Fabrício Oliveira, e de Blumenau, Mário Hildebrandt, ambos companheiros de partido, o Podemos, citando-os como “grandes quadros”. Também admitiu conversas com partidos como Novo, União Brasil e PSDB.

Trajetória de Sergio Moro

Moro se tornou conhecido no cenário nacional por ser o juiz federal responsável pelas condenações da Operação Lava-Jato. À frente dos processos sobre corrupção na Petrobras na 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, o então juiz foi responsável pela sentença que condenou Lula à prisão, onde o ex-presidente ficou por um ano e sete meses.

Em 2019, Moro aceitou convite de Bolsonaro e abandonou a magistratura para se tornar ministro da Justiça e Segurança Pública. Deixou o governo em abril de 2020, após pouco mais de um ano no cargo, alegando uma tentativa de interferência de Bolsonaro sobre a Polícia Federal. Depois desse período, atuou na iniciativa privada em uma empresa de consultoria norte-americana.

Há três meses, Moro retornou ao Brasil e intensificou as conversas para tentar liderar uma candidatura de terceira via à presidência, em oposição a Lula e Bolsonaro.

As eleições de 2022 ocorrem em outubro. A definição dos candidatos ocorre até agosto, que é o prazo final para convenções e definição dos partidos. É a partir desta data que começa a campanha eleitoral.

A série de entrevistas da NSC já entrevistou também outros pré-candidatos como o ex-presidente Lula (PT), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM). A NSC também tenta ouvir o atual presidente e provável candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL).

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