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Estado de alerta

Segunda onda de Covid inicia no Brasil, apontam especialistas

Falta de testes, de política centralizada e de isolamento social são fatores que geram o aumento de casos no país

24/11/2020 - 09h07 - Atualizada em: 24/11/2020 - 09h43

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Redação
Por Redação DC
Alto número de contaminados traz segunda onda da Covid
Alto número de contaminados traz segunda onda da Covid
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Uma nota técnica elaborada por pesquisadores brasileiros com base em dados da pandemia do novo coronavírus, divulgada nesta segunda-feira (23), afirma que o país está entrando em uma segunda onda de Covid. Os especialistas avaliam as causas para esse novo aumento no número de casos e fazem uma série de recomendações para diminuir o impacto desse novo período.

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Segundo informações do G1, eles apontam ao menos três fatores para o "aumento explosivo" ou "manutenção da grande circulação do vírus":

• falta de "testagem sistemática com rastreamento de casos" • falta de uma "política central coordenada, clara e eficaz de enfrentamento da situação" • "afrouxamento das medidas de isolamento sem evidências empíricas, sem uma análise cuidadosa por uma painel de especialistas"

Os pesquisadores alertam na “Nota Técnica – 22/11/2020 Situação da Pandemia de Covid-19 no Brasil” que o crescimento no número de casos é consequência de "uma sistemática queda dos níveis de isolamento social, mas também da ausência de campanhas de esclarecimento e falsa sensação de segurança disseminada na população".

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De acordo com os especialistas o início de uma segunda onda de crescimento de casos já é evidente em quase todos os estados e especialmente preocupante nas regiões mais populosas do Brasil.

Os parâmetros analisados

A nota técnica é assinada por seis pesquisadores da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia Campus Salvador (IFBA), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e da Universidade de Brasília (UnB).

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Os especialistas Antônio Carlos Guimarães de Almeida, Antônio José Assunção Cordeiro, Fulvio Alexandre Scorza, Marcelo A. Moret, Tarcísio M. Rocha Filho e Walter Massa Ramalho analisaram quatro pontos.

Dados de casos e óbitos por estado: "As mortes em excesso por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) indicam fortemente que o número real de mortes por Covid-19 é superior aos valores anunciados, o que também é observado em diferentes proporções em outros países" Medidas de circulação do vírus: com base no aumento do ritmo de transmissão (Rt), os pesquisadores dizem que podem "afirmar com alto grau de segurança que uma segunda onda de crescimento da pandemia já se iniciou em todo o país" Taxas de isolamento ao longo da pandemia: "O isolamento social vem caindo sistematicamente em todo o país desde que as primeiras medidas de distanciamento foram implementadas em março, o que explica as ainda muito altas taxas de transmissão do vírus" Estimativa de percentual da população infectada: com base em um modelo matemático, o grupo afirma que estados brasileiros oscilam - na projeção - entre 9% e 28% das pessoas infectadas. "Consequentemente, todos os estados estão muito longe ainda de atingir uma possível imunidade de rebanho. Permitir que a pandemia se alastre até atingir a imunidade de rebanho implicaria em um número de mortes muito maior do que o já observado até hoje (entre três e quatro vezes maior), com um forte saturação do sistema de saúde, que por sua vez aumentaria ainda mais o número de mortes", afirmam os pesquisadores.

Recomendações de enfrentamento da pandemia

Visto a presente situação no país, os pesquisadores listam recomendações para diminuir o impacto desse novo aumento de casos:

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* Com informações do G1

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