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Investigação

Sementes misteriosas da China já são registradas em oito estados brasileiros

O primeiro caso foi em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina

30/09/2020 - 09h20 - Atualizada em: 05/10/2020 - 12h59

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Patrícia
Por Patrícia Della Justina
Morador de Jaraguá do Sul foi o primeiro a notificar o recebimento das sementes
Morador de Jaraguá do Sul foi o primeiro a notificar o recebimento das sementes
(Foto: )

As sementes misteriosas que provocaram alerta em Santa Catarina durante o mês de setembro já foram encontradas em outros sete estados brasileiros. Além de SC, o Ministério da Agricultura recebeu notificações do Rio Grande do Sul, Goiás, São Paulo, Rondônia, Pernambuco, Bahia e Mato Grosso do Sul. O material começou a chegar à casa de moradores que adquiriam produtos por meio da internet em embalagens com caracteres asiáticos.

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As sementes estão sendo analisadas pelo Ministério da Agricultura, pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Goiânia, referência no país. A informação foi divulgada no dia 16 de setembro pelo órgão, em sua conta no Twitter, e no site oficial do órgão federal. Os técnicos querem descobrir de que espécies são as sementes e se elas trazem riscos de doenças ou de pragas agrícolas. As análises começaram na última segunda-feira (28), conforme reportagem veiculada no Jornal Nacional.

— As próprias sementes podem ter sido tratadas com algum tipo de defensivo que seja nocivo à saúde da pessoa – explicou André Brandão Alves, chefe da Divisão de Defesa Agropecuária/MAPA.

Leonardo Machado, engenheiro agrônomo, explica por que o manuseio pode ser perigoso.

— Imagina se uma doença, da soja, por exemplo, nossa principal cultura, que não temos aqui, mas temos em outros países, chegue por meio de uma semente dessa, e comece a se disseminar nas culturas daqui do estado, imagina as perdas que podem causar – avalia.

Primeiro caso em SC foi em Jaraguá do Sul

O primeiro caso reportado em Santa Catarina ocorreu em Jaraguá do Sul, em 8 de setembro. Em meio às encomendas feitas em um site popular da China, chegou um pacote com sementes que não haviam sido solicitadas. Um profissional da Cidasc foi até a casa da família que recebeu estas sementes, recolheu o produto e encaminhou para o Ministério da Agricultura. 

Situação registrada no mundo

A mesma situação está ocorrendo em outros países, como Estados Unidos, onde as sementes também passaram por análise. Nada de errado foi encontrado nelas mas, mesmo assim, a orientação das autoridades americanas é que a população não semeie estas sementes porque podem não se adaptar ao bioma local e, com isso, causar desequilíbrios na vegetação. 

O Governo chinês emitiu nota informando que está investigando a situação e que acredita que as embalagens sejam falsificadas. As sementes estão sendo relacionadas à China porque as embalagens têm informações escritas em mandarim e, muitas vezes, chegam com encomendas de sites de compras chineses.

> “Maior risco é não saber procedência”, diz gestor da Cidasc sobre sementes misteriosas

O que fazer ao receber as sementes

A orientação da Cidasc é para que, caso o cidadão não tenha feito nenhuma compra, mas tenha recebido um pacote suspeito, não abra, não semeie e não jogue no lixo. É necessário levar o conteúdo a um escritório da Cidasc ou do Mapa mais próximo para que sejam recolhidas. 

Também está disponível para contato os telefones 0800-644-6510 ou (48) 3665 7300 (WhatsApp), do Departamento Estadual de Defesa Sanitária Vegetal do estado, onde a pessoa poderá solicitar orientações adequadas.

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