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Denúncia

Técnico de futsal é investigado após 12 jogadoras de time de São José denunciarem abuso sexual

Vítimas sofriam violência no dormitório das atletas, que ficava no mesmo terreno da casa do treinador

03/07/2022 - 12h48 - Atualizada em: 04/07/2022 - 16h51

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Redação
Por Redação Hora
Reginaldo Valdir Vieira era treinador e um dos fundadores do time
Reginaldo Valdir Vieira era treinador e um dos fundadores do time
(Foto: )

O técnico de um time de futsal feminino de São José, na Grande Florianópolis, é investigado por abuso e importunação sexual. Doze jogadoras do time se uniram para denunciar o crime, que foi investigado por três meses até o suspeito ser indiciado pela Polícia Civil. As informações são do ge

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O caso está no Tribunal de Justiça após o Ministério Público de Santa Catarina aceitar a denúncia. De acordo com a investigação, que foi finalizada em maio, Reginaldo Valdir Vieira, 31 anos, abusava das atletas da categoria de base do time Sanrosé, que ele ajudou a fundar.

Conforme o apurado pela polícia, as violências ocorriam no dormitório onde ficavam as vítimas, a maior parte delas menores de idade. A casa era localizada no mesmo terreno onde o treinador e dirigente do clube morava com a família.

De acordo com a delegada do caso, Marcela França Goto, Vieira é acusado de importunação sexual contra duas adolescentes e assédio sexual.

A investigação começou por uma adolescente, que no depoimento passou o nome de outras jogadoras, também menores de idade, que teriam sido vítimas.  

— Elas foram chamadas e também foram ouvidas. Hoje todas as adolescentes vítimas são maiores, com exceção de uma que tem 17 anos, mas foi emancipada — contou a delegada.

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Jogadoras descrevem como crime era cometido

As jogadoras do time de São José foram ouvidas pela Polícia Civil e descreveram que o abuso começava de maneira sutil, até chegar no contato físico. 

— Com o tempo ele foi fazendo outras coisas, tentava tocar, ter um contato físico. Toques em partes íntimas, tentativas de beijos — afirmou Carolaine Francisco, que morou na casa por cinco anos.

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— Todo ano teve uma menina que foi vítima dele — disse Monike Rocha, ex-jogadora do time.

A dinâmica da violência era parecida, já que a maioria das atletas era de cidades distantes da capital. A delegada conta que o treinador se valia da posição de responsável pelo time para importunar as jogadoras. 

— O suspeito plantava essa ideia do ambiente familiar e se colocava nessa posição de protetor, de pai, e como ele começou a investir e importunar essas vítimas, percebem-se que elas até ficam confusas — contou a delegada.

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Treinador teria tido relações com adolescente

As denúncias constam que o treinador teria tido relações sexuais com uma das adolescentes, e depois ameaçado as jovens. 

— Há relatos muito graves de que o suspeito, como tinha essa confiança, ele se dirigia até a casa atleta de madrugada, retirava uma dessas adolescentes, pegava uma dessas adolescentes, levava até a casa dele, que é do lado da casa atleta, e as outras adolescentes dizem que escutaram barulho de cama e que acreditam que eles estavam mantendo relação sexual — conta a delegada.

— Uma das coisas do perfil do suspeito que é muito cruel é que após ele ter importunado essas adolescentes ele fala o seguinte: ''não conta pra ninguém, porque ninguém vai acreditar em ti, tu não tens família, tu tás totalmente dependente'' — acrescenta Marcela.

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Atletas denunciaram treinador à prefeitura

As atletas buscaram a prefeitura para a denúncia. O treinador foi afastado e os treinos, suspensos. Porém, em novembro, o time foi desfeito. Segundo a prefeitura de São José, apesar do projeto do Sanrosé ser financiado pela Fundação de Esportes de São José, a manutenção de uma casa para as atletas era desconhecida pelo órgão municipal. 

O projeto foi encerrado após as denúncias das jogadoras, que fizeram com que o órgão decidisse suspender o repasse de recursos, feito anualmente para a entidade desde 2014. Após um repasse de R$ 98 mil em 2021, o projeto foi descontinuado. 

Para jogadoras que pretendem investir na carreira de atleta, a delegada alertou aos pais:

Os pais ou responsáveis precisam obter o maior número de informações possíveis sobre o projeto. Ver como funciona o projeto, onde é o projeto, quais são os profissionais que estão atuando nesse projeto, acompanhar essas adolescentes pra ver se algo está errado Quando essas pessoas percebem que essas vítimas estão tendo uma supervisão, um acompanhamento, isso também intimida pra que ele tente se aproveitar delas, como aconteceu nessa situação.

O ge tentou o contato com o treinador e o advogado de defesa, e foi até mesmo ao endereço onde Vieira morava, mas não teve ligações atendidas e ele não foi localizado. 

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