O técnico de futsal, suspeito de assediar e importunar sexualmente as atletas de um time em São José, na Grande Florianópolis, negou as acusações em depoimento, segundo a Polícia Civil. O caso veio a tona após uma reportagem exclusiva, exibida neste domingo (3), no Esporte Espetacular, da TV Globo. 

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Segundo a delegada Marcela França Goto, as investigações iniciaram em setembro do ano passado após uma denúncia anônima. Ao todo, duas vítimas e 11 testemunhas foram ouvidas, entre elas funcionários do clube. O suspeito, Reginaldo Valdir Vieira, de 31 anos, negou todas as acusações. 

— A única coisa que ele disse é que manteve contato com uma das vítimas de importunação, mas que foram apenas beijos. Ele não admite a importunação, apenas que teve contato com uma delas — explicou a delegada em entrevista à CBN Floripa. 

Marcela diz, ainda, que o homem se mostrou arrependido por “tentar criar esse conforto familiar para dar mais conforto às vítimas”. Ainda segundo a investigação, ele pedia para que as vítimas não falassem sobre os abusos. 

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— Ele falava: “Não conta para ninguém, ninguém vai acredtiar em ti, você não tem família” — complementa a delegada. 

O inquérito foi finalizado em maio, e o homem foi indiciado pelos crimes de assédio e importunação sexual. Um pedido de prisão chegou a ser solicitado, mais foi negado pela Justiça. O caso, agora, aguarda manifestação do Juizado Especial Criminal e de Violência Doméstica e Familiar da Comarca de São José para saber se aceita ou não a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Ele segue em segredo de justiça. 

Relembre o caso

Conforme o apurado pela polícia, as violências ocorriam no dormitório onde ficavam as vítimas, a maior parte delas menores de idade. A casa era localizada no mesmo terreno onde o treinador e dirigente do clube morava com a família.

A investigação começou por uma adolescente que, no depoimento, passou o nome de outras jogadoras, também menores de idade, que teriam sido vítimas. Elas descreveram que o abuso começava de maneira sutil, até chegar no contato físico.

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— Com o tempo ele foi fazendo outras coisas, tentava tocar, ter um contato físico. Toques em partes íntimas, tentativas de beijos — afirmou Carolaine Francisco, que morou na casa por cinco anos.

— Todo ano teve uma menina que foi vítima dele — disse Monike Rocha, ex-jogadora do time.

A dinâmica da violência era parecida, já que a maioria das atletas era de cidades distantes da capital. A delegada conta que o treinador se valia da posição de responsável pelo time para importunar as jogadoras.

— O suspeito plantava essa ideia do ambiente familiar e se colocava nessa posição de protetor, de pai, e como ele começou a investir e importunar essas vítimas, percebem-se que elas até ficam confusas — contou a delegada.

As denúncias constam que o treinador teria tido relações sexuais com uma das adolescentes, e depois ameaçado as jovens.

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— Há relatos muito graves de que o suspeito, como tinha essa confiança, ele se dirigia até a casa atleta de madrugada, retirava uma dessas adolescentes, pegava uma dessas adolescentes, levava até a casa dele, que é do lado da casa atleta, e as outras adolescentes dizem que escutaram barulho de cama e que acreditam que eles estavam mantendo relação sexual — conta a delegada.

As atletas buscaram a prefeitura para a denúncia. O treinador foi afastado e os treinos, suspensos. Porém, em novembro, o time foi desfeito. Segundo a prefeitura de São José, apesar do projeto do Sanrosé ser financiado pela Fundação de Esportes, a manutenção de uma casa para as atletas era desconhecida pelo órgão municipal.

O projeto foi encerrado após as denúncias das jogadoras, que fizeram com que o órgão decidisse suspender o repasse de recursos, feito anualmente para a entidade desde 2014. Após um repasse de R$ 98 mil em 2021, o projeto foi descontinuado.

O ge tentou o contato com o treinador e o advogado de defesa, e foi até mesmo ao endereço onde Vieira morava, mas não teve ligações atendidas e ele não foi localizado.

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