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Novo método

Teste para Covid mais barato e rápido do que o PCR é desenvolvido em SC

Luísa Rona, professora da UFSC, e André Pitaluga, pesquisador da Fiocruz, criaram o kit em Florianópolis

07/07/2021 - 14h53 - Atualizada em: 08/07/2021 - 12h31

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Fernanda
Por Fernanda Mueller
Luísa Rona é professora de genética na UFSC
Luísa Rona é professora de genética na UFSC
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Um casal de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolveu um teste para Covid-19 mais rápido e barato do que o RT-PCR. O resultado do kit criado em Florianópolis sai em apenas 30 minutos e tem a mesma precisão.

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Luísa Rona, professora de genética da UFSC, e André Pitaluga, pesquisador da Fiocruz, são especialistas em doenças tropicais. No início da pandemia, em março de 2020, eles tiveram a ideia de desenvolver um novo teste para Covid, a partir de uma conversa entre vizinhos.

— Um dia nós estávamos subindo a rua do nosso condomínio e um casal de vizinhos muito queridos falou que tinha feito o teste de RT-PCR, para trazer a mãe pra ficar com eles na quarentena. Tinham pago muito caro e ia ficar pronto em três dias. Na hora, o André falou: 'nossa eu faria esse teste em 30 minutos' — relata Luísa.

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Os dois vizinhos, que eram empreendedores, enxergaram uma oportunidade de negócio, e o teste começou a ser desenvolvido. A partir daí, os pesquisadores começaram a estudar mais sobre a Covid e deram início às pesquisas na UFSC. 

André Pitaluga é pesquisador da Fiocruz sedido para a UFSC
André Pitaluga é pesquisador da Fiocruz sedido para a UFSC
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Como funciona o teste 

A primeira etapa de um teste para diagnosticar a Covid é obter a amostra, seja por swap (uma espécia de cotonete que coleta a secreção nasal) ou saliva. Com o material extraído, o teste passa para a segunda etapa, que é analisar a amostra para detectar a doença.

Para a primeira etapa, o casal desenvolveu um método próprio de isolamento da amostra, que é mais simples e rápido. Em seguida, ao invés de detectar a doença por meio do PCR, eles optaram por usar o Lamp, uma tecnologia que já existia no mercado. 

— Nós conseguimos extrair o RNA viral da amostra do paciente em menos de cinco minutos, sem precisar nem de energia elétrica. A gente pinga uma gota da amostra, num cassete, que é um quadrado plástico, coloca outras soluções para filtrar e depois adiciona isso na reação de Lamp. A visualização do resultado é colorimétrica. Se for negativo, a solução fica rosa, se for positivo, amarela — explica Luísa.  

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Cassete utilizado no teste
Cassete utilizado no teste
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Esse é um dos motivos que torna o kit barato, já que não são necessários equipamentos caros para identificar o resultado. Conforme os pesquisadores, enquanto o custo de produção de um teste PCR está em torno de R$ 100, o teste desenvolvido por eles custa cerca de R$ 25 a R$ 30.

Segundo Luísa, a precisão obtida com a amostra por meio do swab foi a mesma do PCR, de 96%. Recentemente, eles começaram a utilizar amostras de saliva e obteram sensibilidade de 98%.

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Resultado do teste: amarelo (positivo) / rosa (negativo)
Resultado do teste: amarelo (positivo) / rosa (negativo)
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Próximos passos 

Em maio deste ano, o casal entrou com um pedido de patente do teste. Agora os pesquisadores estão levantando os dados para submeter o pedido de aprovação à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

— Esperamos ter aprovação da Anvisa o quanto antes e depois de disso vamos buscar parceiros para produzir. O objetivo sempre foi distribuir nos postos de saúde do Brasil inteiro. É um kit tão simples, mas ao mesmo tempo muito eficiente e robusto — explica André. 

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