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Quais os tipos de dengue e por que elas preocupam

Infecção viral é transmitida por meio da picada de um mosquito fêmea que esteja infectado por um flavivírus

12/05/2022 - 08h29

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Redação
Por Redação DC
Existem pelo menos quatro tipos de dengue
Existem pelo menos quatro tipos de dengue
(Foto: )

A dengue é uma doença aguda, viral, de evolução benigna em sua forma clássica, e grave quando apresentada na forma hemorrágica. A doença é, atualmente, a mais importante arbovirose, ou seja, doença transmitida por artrópodes, a afetar o homem, tornando-se um sério problema de saúde pública em todo o mundo.

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Especialmente em países tropicais, em que o meio ambiente favorece o desenvolvimento e proliferação do principal mosquito vetor, o Aedes aegypti. A seguir, conheça os principais tipos de dengue, seus sintomas e como são tratadas.

Tipos de dengue

A dengue é uma infecção viral transmitida por meio da picada de um mosquito fêmea que esteja infectado por um flavivírus. Na maioria das vezes, esse mosquito é o Aedes aegypti, também responsável pela transmissão de vírus causador da chikungunya, febre amarela e Zika Vírus).

A transmissão acontece durante o período de viremia, isto é, enquanto houver presença de vírus no sangue do homem. Este intervalo se inicia com um dia antes do aparecimento da febre, durando até o 6º dia da doença.

O vírus da dengue é formado por 4 diferentes sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3, DENV-4, cada um deles apresenta diferentes interações com os anticorpos humanos. Dessa forma, uma pessoa pode ser infectada por 4 possibilidades diferentes. Todos estes sorotipos podem causar a forma clássica da dengue como a hemorrágica. No entanto, de acordo com a Fiocruz, o tipo DEN-3 é responsável por causar as formas mais graves da doença, seguido pelo DEN-2, DEN-4 e DEN-1. 

Apesar de se apresentar como o mais brando, o DEN-1 é o mais explosivo dos 4 tipos da dengue, e pode causar grandes epidemias em curtos períodos. No Brasil os tipos da doença existem desde:

  • Tipo 1 (DEN-1): 1986;
  • Tipo 2 (DEN-2): 1990;
  • Tipo 3 (DEN-3): 2000, sendo o mais comum até 2016;
  • Tipo 4 (DEN-4): surgiu no Brasil em 2010.

Um outro tipo de dengue foi confirmado na Malásia em 2007. Contudo, o DEN-5 ainda não teve registros no Brasil até o momento.

Mosquito da dengue, Aedes Aegypti
Mosquito da dengue, Aedes Aegypti
(Foto: )

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Sintomas da dengue

Em alguns casos, a dengue pode ser assintomática, sem apresentar sintomas da doença. Os principais sintomas da dengue incluem a febre alta, que ocorre de forma abrupta no início da infecção, dores no corpo, dores nas articulações, dores atrás dos olhos, falta de apetite, dores de cabeça, manchas avermelhadas pelo corpo. 

Diferente das outras doenças, a dengue não causa sintomas respiratórios, como coriza, dores de garganta, obstrução nasal e tosse. A infecção pode durar de 4 a 10 dias. Contudo, o impacto causado pela doença pode durar algumas semanas. A dengue é classificada como clássica (não grave) ou grave, e seu diagnóstico deve ser realizado por meio de exame clínico associado ao exame de sangue.

Dengue clássica

A dengue clássica pode ter ou não sinais de alerta. Quando estes sinais não estão presentes, a pessoa sofre com sintomas como enjoo, febre, vômito, dores de cabeça, dores musculares, dores nos olhos, dores e articulações e vermelhidão no corpo.

O primeiro sintoma da dengue clássica é a febre alta, entre 39° a 40°C, de início abrupto. Normalmente, é seguida de dor de cabeça ou nos olhos, cansaço, dores musculares, falta de apetite, náuseas, tontura, vômitos e erupções na pele. 

Quando o caso é classificado como clássica com sinais de alerta, o indivíduo pode apresentar após a febre cessar sintomas mais alarmantes, como sangramentos, vômito persistente, tonturas, acúmulo de líquidos em cavidades do corpo (como pulmão), aumento do fígado e concentração de sangue.

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Dengue grave ou hemorrágica

Na dengue considerada grave, há a presença de uma ou mais manifestações, apresentando dificuldades para respirar, comprometimento de órgãos como fígado, rins, cérebro e coração, sangramentos importantes e choque. Visto que a dengue hemorrágica pode causar a morte, seu tratamento deve ser realizado em um hospital, com acompanhamento médico. 

Os sintomas da dengue grave são muito parecidos com os da dengue clássica. Entretanto, no terceiro dia, podem ocorrer sangramentos, principalmente em gengivas e pele, assim como vômitos persistentes e dores no abdome de forma intensa e contínua. O doente ainda pode ter hipotermia, palidez, hipotensão arterial (pressão baixa), alterações de nível de consciência, taquicardia e outros sintomas graves.

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Prevenção

Para evitar uma doença que pode levar o indivíduo à morte rapidamente, cuidados simples podem ser adotados. Afinal, basta evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti como medidas como:

  • manter as caixas d’água tampadas;
  • Não deixar água acumulada na laje ou em quintais;
  • Manter os lixos fechados;
  • Usar areia em vasos de plantas, evitando o acúmulo de água;
  • Deixar garrafas, copos e outros recipientes de cabeça para baixo;
  • Manter as lonas esticadas;
  • Retirar a água dos pneus;
  • Não deixar água parada em nenhum local.

Além disso, o uso de alguns produtos pode ajudar a evitar a presença do mosquito. Por isso, faz parte dos cuidados utilizar repelentes, larvicidas e inseticidas, mantendo o transmissor da doença afastado.

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Tratamento

Até o atual momento, o vírus da dengue ainda não apresenta remédio eficaz para o tratamento. Contudo, a terapia pode ser realizada baseada em analgésicos e antitérmicos, de forma domiciliar, com orientação para retornar aos serviços de saúde para avaliação.

O mais indicado para o tratamento é o aumento da ingestão de líquidos, como chás, sucos, água, e soros caseiros, mantendo o doente hidratado. Além disso, é importante evitar o uso de medicamentos derivados do ácido acetilsalicílico (AAS) e anti-inflamatórios, como a dipirona, visto que esses podem aumentar o risco para hemorragias. Os medicamentos utilizados são sintomáticos, como o paracetamol e a dipirona. 

Já em relação dengue hemorrágica, o tratamento é um pouco mais rigoroso devido riscos de agravamento do quadro. Os pacientes com dengue hemorrágica devem ser observados em ambiente hospitalar para identificação dos primeiros sinais de choque e evitar possível piora.

O período crítico da doença está entre a transição da fase febril para a afebril. Geralmente, ocorre após o terceiro dia da dengue hemorrágica. Em situações menos graves, a reidratação do paciente pode ser feita em nível ambulatorial quando o indivíduo apresenta vômito que pode resultar em rápida desidratação.

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Zika Vírus 

Mosquito transmissor do zika vírus
Mosquito transmissor do zika vírus
(Foto: )

Assim como dengue, o zika vírus é um arbovirus. No Brasil, surgiu no ano de 2015, quando ainda não havia nenhum caso da doença no país. O vírus tem sofrido mutação e sua abrangência geográfica também evoluiu.

Como uma forma mais leve da dengue, o zika vírus foi muito confundido com a doença quando surgiu no Brasil. No entanto, os exames negativos para a dengue apontavam a necessidade de buscar novos possíveis agentes. Contudo, o zika vírus, diferente da dengue, pode ser transmitido por meio do sexo ou de mãe para feto. 

Entre os sintomas comuns do zika vírus, estão a febre com duração média de 3 a 7 dias, olhos vermelhos e mal-estar. A doença deve ter atenção assim como a dengue hemorrágica, visto que o vírus pode causar microcefalia em bebês e manifestações neurológicas.

O tratamento do zika vírus é realizado como na dengue, com o uso de analgésicos, antitérmicos e outros medicamentos para controle da febre e da dor. Em casos em que sequelas mais graves estão presentes, como as neurológicas, é importante ter acompanhamento médico para avaliar o tratamento adequado a ser realizado. As sequelas do zika virus devem ser tratadas em centros com equipe multiprofissional.

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Chikungunya

A infecção pelo vírus chikungunya é transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti (também transmissor da dengue) e Aedes albopictus (transmissor da febre amarela). 

A doença é caracterizada por ter o início com febre, dor de cabeça, mal-estar, dores no corpo e dores nas juntas, como joelhos, cotovelos e tornozelos. Em alguns casos, o doente pode também apresentar manchas vermelhas ou bolhas pelo corpo. 

O quadro agudo da febre chikungunya dura até 15 dias e sua cura é espontânea. A doença é muito intensa e, devido às fortes dores que afetam o corpo, o reumatologia é o médico mais indicado para o tratamento dessa infecção, visto que pode ser confundida com doenças reumatológicas. 

Diferente da dengue e do zika vírus, o maior problema da chikungunya é que, em grande parte dos casos, não existe cura em curto prazo. Enquanto as outras doenças duram no máximo 10 dias, a febre chikungunya pode causar dores no corpo entre muitos meses e até anos.

Assim como na dengue, o tratamento da chikungunya se limita ao uso de analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios para alívio e controle da febre e dores. Quando sequelas mais graves são apresentadas, o tratamento é realizado sob avaliação médica de modo individualizado, com o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. 

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