O prédio que abrigou o único Restaurante Popular de Florianópolis, no Centro da Capital, vem sendo alvo de saques enquanto aguarda a conclusão do processo de transferência da prefeitura para a União e, posteriormente, para o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Imagens encaminhadas à NSC TV nesta semana mostram o imóvel com sinais de retirada de materiais e depredação, como fios de luz retirados, janelas quebradas e portões derrubados.

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Segundo relato de uma pessoa que não quis se identificar e que acompanha a situação do local, os furtos teriam começado após a retirada do vigilante que fazia a segurança do prédio.

A situação ocorre em meio ao impasse envolvendo a destinação do imóvel. Atualmente, o prédio ainda está sob responsabilidade da Prefeitura de Florianópolis, embora esteja em processo de reversão da cessão pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU). A expectativa é de que, após a conclusão desse procedimento, a área seja destinada ao IFSC para expansão do Campus Florianópolis.

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Ao NSC Total, o IFSC informou que ainda não assumiu oficialmente a gestão do imóvel e que aguarda a desocupação para que a transferência seja concluída. O instituto afirmou que acompanha a situação de abandono e os relatos de furtos e espera que o responsável pelo espaço mantenha a segurança e a conservação até a entrega oficial.

A Prefeitura de Florianópolis informou que está retirando os equipamentos remanescentes do antigo Restaurante Popular para devolver o prédio à União e que providencia um segurança para o local. Segundo a administração municipal, restam poucos equipamentos no imóvel, já que a maior parte da estrutura já foi removida.

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Já a SPU informou que o processo de reversão da cessão está em andamento e tem prazo estimado de 60 dias para ser concluído. Até lá, a responsabilidade pela guarda, conservação e manutenção do imóvel permanece com a prefeitura. O órgão acrescentou que não tem conhecimento de registros de furtos ou atos de depredação no local.

Em nota, o 4º Batalhão da Polícia Militar informou que não há registros de ocorrências atendidas no imóvel desativado nas proximidades do número 700 da Avenida Mauro Ramos, mas afirmou que irá intensificar o patrulhamento preventivo e orientar o responsável pelo imóvel sobre medidas de prevenção.

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Veja as imagens que denunciam os saques

Moradores da região detalham saques ao prédio

Em entrevista a NSC TV, moradores relataram os episódios dos saques ao prédio público.

— Portas, janelas de alumínio, levaram tudo — afirmou a moradora Cleusa Maria de Quadros.

Outra moradora afirmou que a prefeitura de Florianópolis tenta limpar o local, e o tranca com pedaços de madeira.

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— Aqui do lado, temos o posto de saúde, jardim de infância… A tristeza maior é que a prefeitura ficou sabendo, viram aqui às 5h, limparam todo o “cenário” e estão trancando o local com madeira — denunciou Cândida Coutinho.

O único Restaurante Popular de Florianópolis permanece fechado desde fevereiro de 2025. O espaço oferecia café da manhã, almoço e jantar para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Quando as atividades foram interrompidas, a Secretaria Municipal de Assistência Social informou inicialmente que o serviço seria retomado em até 90 dias após reformas no imóvel.

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Mais de um ano depois, isso não ocorreu. Procurada pelo NSC Total, a secretaria não comentou especificamente sobre a reabertura do Restaurante Popular. Informou apenas que está reestruturando sua estratégia de segurança alimentar para ampliar a proteção e o atendimento às pessoas em situação de insegurança alimentar no município.

Segundo a pasta, a proposta é descentralizar o acesso à alimentação, permitindo que o atendimento ocorra em diferentes regiões da cidade, sem a necessidade de deslocamento ao Centro. A prefeitura também afirmou que mantém o atendimento à população em situação de rua por meio da Passarela Nego Quirido.

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Defensoria cobra retomada do serviço

O fechamento do Restaurante Popular também é alvo de uma ação civil pública proposta pela Defensoria Pública de Santa Catarina.

Segundo manifestação encaminhada pelo Ministério Público de Santa Catarina ao NSC Total, o órgão se posicionou nesta sexta-feira (10) pela procedência do pedido para que o município seja obrigado a restabelecer o Restaurante Popular, seja no antigo endereço ou em outro local indicado pela administração municipal.

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A Defensoria afirma acompanhar com preocupação a confirmação de que o imóvel será destinado a outra finalidade. Segundo o órgão, o município não apresentou alternativas concretas para manter ou restabelecer o serviço, o que teria deixado a população vulnerável sem uma política pública permanente de segurança alimentar.

Conforme informações repassadas pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, a ação principal segue em tramitação na 1ª Vara da Fazenda Pública da Capital. Até o momento, não há decisão sobre o mérito do processo.

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Local ficava no centro da cidade e tinha capacidade para produzir até 2 mil refeições por dia (Foto: NSC Total, Arquivo)

*Com informações do repórter Cristiano Gomes, da NSC TV