O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), deve defender a união da direita catarinense durante visita a Florianópolis no próximo sábado (9) quando participará do lançamento da pré-candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado. Na capital catarinense, Flávio ainda irá à exibição do filme que conta a história do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), revelou a coluna do Ânderson Silva.
Continua depois da publicidade
Marcado para o Stage Music Park, em Florianópolis, o evento que lança a pré-candidatura de Carlos servirá para oficializar a chapa do Partido Liberal (PL) em Santa Catarina. Além dele, a deputada federal Caroline de Toni (PL) também disputará o Senado, enquanto o governador Jorginho Mello buscará a reeleição.
A presença de Carlos na disputa tem provocado divisões dentro do bolsonarismo catarinense. O ex-vereador transferiu seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Santa Catarina com o objetivo de concorrer ao Senado, movimento que ainda enfrenta resistência de parte da direita local.
Veja em fotos a crise no bolsonarismo de SC
A chegada do político à Grande Florianópolis desagradou lideranças regionais, entre elas a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL), e quase desfez a composição articulada no Estado. O senador Esperidião Amin (PP), contava com o apoio bolsonarista para disputar a eleição, mas acabou excluído da aliança após a entrada da família Bolsonaro na negociação.
Continua depois da publicidade
A tensão ultrapassou o cenário estadual e passou a envolver nomes nacionais do bolsonarismo, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
No fim de abril, apoiadores trocaram críticas nas redes sociais depois que Campagnolo publicou uma foto em que Carlos não aparecia no enquadramento. Posteriormente, ela afirmou que o ex-vereador não estava presente no momento do registro, mas o episódio ampliou o clima de divisão entre os grupos.
Veja a postagem de Ana Campagnolo
Diante do racha, lideranças têm atuado para conter os conflitos e manter a base mobilizada. Na última segunda-feira (4) Jorginho, promoveu um encontro entre Carlos e Campagnolo com o objetivo de amenizar as divergências.
Continua depois da publicidade
Segundo aliados do ex-vereador, durante a reunião ele pediu desculpas à deputada pelos atritos recentes e reforçou a necessidade de união contra a esquerda. A equipe de Campagnolo informou ao Estadão que ela deve participar do evento marcado para sábado.
Um dia após o encontro, Carlos publicou no X a mensagem: “Vamos unir a direita!”. Nos últimos meses, Flávio já vinha defendendo a pacificação entre apoiadores, especialmente após os embates envolvendo o irmão Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira. Em março, o senador participou de uma reunião virtual com militantes para reiterar esse apelo.
— Por mais que dê a vontade às vezes de atacar, provocar, esfregar a verdade na cara, eu penso que [tem que] dar uma esfriada na cabeça antes. Pensa sempre o seguinte: O que a gente vai ganhar com isso? Isso vai mudar a postura da pessoa? Porque isso às vezes é usado até como justificativa para não entrar de cabeça na campanha. É uma luta muito grande aqui. O digital, para mim, vai ser 90% dessa campanha. Então quanto mais fortes a gente estiver, mais a gente se ajudar, melhor — afirmou na ocasião.
Associar sua candidatura à do irmão senador pode ser decisivo para Carlos. Levantamentos eleitorais indicam que o ex-vereador ainda não assegurou espaço na disputa ao Senado. Uma pesquisa Atlas/Intel divulgada em abril mostra Caroline de Toni na liderança, com 30,7% das intenções de voto, seguida por Esperidião Amin, com 20,1%, e Carlos, com 18,3%. Na sequência aparecem Décio Lima (PT), com 13,4%, e Afrânio Boppré, com 9,7%.
Continua depois da publicidade
Na corrida pelo governo estadual, o cenário é mais favorável a Jorginho. O governador aparecia com cerca de 50% nos cenários avaliados pelos pesquisadores. João Rodrigues (PSD) tinha aproximadamente 21%, enquanto Gelson Merisio (PSB) registrava 14%. No cenário em que Décio Lima substitui Merisio, o petista alcança 20%.
Ao serem questionados sobre uma eventual candidatura de Carlos ao Senado por Santa Catarina, metade dos entrevistados afirmou considerar a iniciativa um “oportunismo político que vai contra os interesses do Estado”. Outros 25,6% disseram enxergar a candidatura como “a melhor alternativa para os interesses do Estado”, enquanto 20,6% classificaram a estratégia como “legítima, mas questionável”. Assim, de acordo com os dados, cerca de 70% dos catarinenses demonstram algum tipo de ressalva em relação ao projeto eleitoral do ex-vereador.
Um aliado de Flávio avalia que a presença do senador em Florianópolis ajuda a reforçar a candidatura de Carlos com o respaldo oficial da chapa presidencial, apesar da ligação familiar já ser amplamente conhecida.
Nos bastidores, a equipe do presidenciável interpreta o conflito no bolsonarismo catarinense mais como uma disputa por espaço político do que como divergência ideológica ou programática. A expectativa é que Flávio consiga aproximar os grupos aliados.
Continua depois da publicidade
Caso a estratégia eleitoral de Carlos fracasse, ele poderá se tornar o terceiro integrante da família Bolsonaro a deixar a vida pública desde 2023, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral e posteriormente condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

























