A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, na terça-feira (27), amplia a lista de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que deixaram o país em meio a investigações ou após decisões judiciais. Entre os casos estão os dos ex-deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Carla Zambelli (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques e do blogueiro Allan dos Santos.
Flávio teria viajado para os Estados Unidos com a esposa e as duas filhas, segundo informações divulgadas por veículos de imprensa. A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes do senador à Polícia Federal (PF) e proibi-lo de deixar o país. O prazo terminou sem o cumprimento da ordem, e os documentos foram cancelados.
O senador é investigado em dois inquéritos no STF. Um apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas em um caso que envolve o advogado Willer Tomaz. O outro investiga possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
A PF apura as circunstâncias da saída do parlamentar. Relembre os casos de outros nomes ligados ao bolsonarismo que deixaram o Brasil em meio a investigações ou após condenações.
Silvinei Vasques
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques foi preso no Paraguai em dezembro de 2025, quando tentava embarcar para El Salvador. Segundo a Polícia Federal, ele rompeu a tornozeleira eletrônica em São José, na Grande Florianópolis, onde vivia, e tentou deixar o Brasil.
Vasques usou documentos falsos para tentar seguir viagem, de acordo com as autoridades. Poucos dias antes da fuga, ele havia sido condenado a 24 anos e seis meses de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado.
Entre os fatos considerados no processo estão medidas adotadas pela PRF durante o segundo turno das eleições de 2022, que dificultaram o deslocamento de eleitores, especialmente no Nordeste.
Após a prisão no aeroporto de Assunção, ele foi entregue às autoridades brasileiras e transferido para Brasília, onde cumpre pena.
Eduardo Bolsonaro
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro deixou o Brasil em março de 2025 e se estabeleceu nos Estados Unidos. A saída ocorreu antes da condenação criminal que receberia posteriormente. Em junho de 2026, o STF condenou Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo.
Segundo a Corte, ele atuou para pressionar autoridades e interferir no julgamento da trama golpista. A defesa negou as acusações.
Em outubro de 2026, foi determinado o início do cumprimento da pena e expedido um mandado de prisão contra o ex-deputado, que permanece nos Estados Unidos.
Carla Zambelli
A ex-deputada federal Carla Zambelli deixou o Brasil em maio de 2025, após ser condenada pelo STF a dez anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A investigação apontou que ela participou de uma ação para inserir documentos falsos nos sistemas do órgão.
Zambelli também foi condenada por perseguir um homem com uma arma em punho na véspera do segundo turno das eleições de 2022, em São Paulo.
Após anunciar que estava no exterior, a ex-deputada seguiu para a Itália, país do qual também tem cidadania. Ela foi presa em Roma, em julho de 2025, após uma ação conjunta das autoridades brasileiras e italianas.
A ex-parlamentar aguarda a decisão da Justiça italiana sobre pedidos de extradição apresentados pelo Brasil.
Alexandre Ramagem
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem deixou o Brasil clandestinamente em setembro de 2025, segundo a Polícia Federal. Ele comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro.
De acordo com as investigações, Ramagem atravessou a fronteira de Roraima com a Guiana e seguiu para os Estados Unidos utilizando um passaporte diplomático. A saída ocorreu apesar de restrições judiciais.
Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por participação na trama golpista. Em abril de 2026, chegou a ser detido por agentes do serviço de imigração dos Estados Unidos, na Flórida, mas foi liberado dois dias depois.
Ele permanece em território americano, e o governo brasileiro apresentou um pedido de extradição.
Allan dos Santos
O blogueiro Allan dos Santos deixou o Brasil em 2020 e se estabeleceu nos Estados Unidos. Na época, já era investigado pelo STF em apurações relacionadas à disseminação de notícias falsas e à atuação de grupos investigados por ataques às instituições.
Em outubro de 2021, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva do blogueiro. Desde então, as autoridades brasileiras tentam viabilizar seu retorno ao país.
Allan permanece nos Estados Unidos e é considerado foragido da Justiça brasileira em razão do mandado de prisão. Ele nega irregularidades.





