Blumenau promete passar pente-fino em contratos alvo de investigação por corrupção

Operações Ponto Final e Sentinela movimentaram a política blumenauense no mês passado

Compartilhe:

Operação buscou novas provas dentro da prefeitura de Blumenau no mês passado (Foto: Gaeco, Divulgação)

A prefeitura de Blumenau divulgou ter começado na semana passada uma auditoria nos contratos citados pelas investigações do Gaeco, que resultaram em duas operações no último mês: Ponto Final e Sentinela. As comissões especiais criadas vão identificar pontos problemáticos para construir soluções caso seja necessário, afirmou o governo.

Continua após a publicidade

O NSC Total já mostrou, com base nos documentos da investigação da Ponto Final, obtidos com exclusividade pela reportagem, que o Ministério Público analisou 32 contratos feitos com a prefeitura de Blumenau, sendo 31 suspeitos de ligação com o “cartel de obras”, somando cerca de R$ 190 milhões.

Além disso, a Justiça bloqueou bens e determinou que seis empresas suspeitas de formar o cartel ficassem impossibilitadas temporariamente de fechar contrato com administrações públicas em qualquer esfera (municipal, estadual e federal). O município tem 30 contratos ativos com essas empreiteiras.

Continua após a publicidade

a Sentinela se refere a serviços executados pela empresa Orcali nas áreas de segurança patrimonial, limpeza urbana e serviços especializados. Em ambos os casos, tanto na Ponto Final quanto na Sentinela, há indicativo de participação de servidores em um esquema estruturado para pagamento de propina.

Houve também a operação Arbóreo, relacionado a irregularidades e propina do dinheiro pago pela merenda escolar. O contrato, porém, já havia sido rescindido pela prefeitura no começo do ano passado.

As obras investigadas

Comissões

As investigações se concentraram em anos anteriores, até 2024. Ainda assim, como há contratos em vigor e houve a medida judicial contra as empresas, o governo municipal optou por mapear se há riscos de paralisação em obras e serviços essenciais.

A meta é detectar falhas, melhorar a fiscalização e definir planos de contingência caso contratos precisem ser rescindidos ou empresas sejam impedidas por completo de atuar.

Continua após a publicidade

— Se uma empresa investigada não puder seguir com o serviço, já teremos a solução pronta para que o morador não seja prejudicado — disse o prefeito Egidio Ferrari.

As comissões têm autonomia para revisar cláusulas e cronogramas, além de propor novos mecanismos de controle para futuras licitações. O foco é elevar o rigor na contratação de fornecedores.

Continua após a publicidade

Ponto Final

Um dos documentos da investigação sobre o “cartel de obras”, formado em Blumenau e região, que movimentou R$ 560 milhões em contratos com prefeituras e desviou R$ 117 milhões, tem 242 páginas. Os R$ 117 milhões teriam sido desviados em forma de propinas, aditivos e superfaturamentos em licitações vencidas entre 2017 e 2023, com efeitos ainda vigentes.

Além do governo de Blumenau, as empresas que fecharam o acordo ilegal foram contratadas por Pomerode, Brusque, Ascurra, Gaspar, Timbó, Benedito Novo e Rio dos Cedros. Porém, apenas em Blumenau houve participação de servidores públicos que formavam, segundo o Gaeco, um dos núcleos da trama. Eles e os demais investigados foram alvos de 50 mandados de busca e apreensão em maio.

Continua após a publicidade

Os 47 contratos analisados somam mais de R$ 560 milhões. São serviços como pavimentação e revitalização de ruas, obras de drenagem, construção de pontes e duplicação de vias.

Sentinela

A investigação compreende o período de 2021 a 2024, quando funcionou o que o Gaeco chama de “sofisticado esquema de corrupção”, baseado no direcionamento de licitações e na devolução ilícita de valores pagos pela administração pública. Parte relevante dos contratos refere-se à prestação de serviços continuados e emergenciais.

Continua após a publicidade

Um dos núcleos centrais da investigação recai sobre uma dispensa de licitação instaurada para a contratação emergencial de serviços de vigilância armada e desarmada em unidades escolares, após o ataque ocorrido na Creche Cantinho Bom Pastor em 2023.

As provas analisadas indicam que informações sigilosas de propostas concorrentes teriam sido indevidamente compartilhadas, permitindo que a empresa posteriormente contratada apresentasse proposta com desconto mínimo estrategicamente calculado, sagrando-se vencedora do certame emergencial, cujo valor global ultrapassou R$ 9 milhões.

Continua após a publicidade

O que diz a Orcali

“A empresa informa que tomou conhecimento das informações divulgadas publicamente acerca da investigação conduzida pelas autoridades competentes relacionada a contratos públicos de prestação de serviços”.

A organização esclarece que, até o presente momento, não possui acesso integral ao conteúdo do procedimento investigatório e, por essa razão, acompanha o tema com responsabilidade, cautela e absoluto respeito ao devido processo legal.

Continua após a publicidade

A empresa permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos que eventualmente sejam necessários, reafirmando seu compromisso permanente com a ética, a integridade, a transparência e a conformidade em todas as suas operações.

As atividades da empresa seguem ocorrendo normalmente, sem qualquer impacto na continuidade da prestação dos serviços aos seus clientes”.

Continua após a publicidade

“A Orcali se manifestará oportunamente acerca dos fatos mencionados, tão logo tenha acesso aos autos e aos elementos necessários para o adequado entendimento da investigação”.