Juíza cobra resposta urgente de empresário que matou gari: “Tumulto processual”

Renê Nogueira Júnior deve ser intimado pessoalmente para esclarecer quem vai representá-lo no inquérito, determinou magistrada; caso foi no dia 11 de agosto

Compartilhe:

Empresário está preso há duas semanas (Foto: Redes sociais, Reprodução)

O empresário Renê Nogueira Júnior, que confessou ter matado o gari Laudemir de Souza Fernandes após ter se irritado no trânsito em Minas Gerais, deve ser intimado “com urgência” para esclarecer quem vai representá-lo no caso. A determinação é da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri — 1º Sumariante da Comarca de Belo Horizonte. Ainda segundo a magistrada, a sequência de procurações e termo de revogação de mandato de advogados causou “tumulto processual”. Ela também cobrou que o acusado informe “expressamente” a defesa técnica dele. As informações são do O Globo.

Continua após a publicidade

“Tendo em vista a sequência de juntadas de procurações e termo de revogação de mandato, causando tumulto processual, determino a intimação pessoal do investigado para que informe expressamente quem é o advogado que está a representá-lo neste inquérito policial. Expeça-se mandado de intimação, em caráter de urgência”, escreveu a juíza em decisão nesta quarta-feira (27).

O motivo que levou delegada esposa de empresário que matou gari a ser afastada do cargo

Continua após a publicidade

O empresário está preso há duas semanas pelo assassinato do gari. Nesta semana, ele divulgou uma carta onde chamou o crime de “acidente”.

“O que aconteceu foi um acidente com a vítima e me sinto bem representado, tanto pelo Dr. Dracon Cavalcante, como pelo Dr. Bruno Rodrigues. Tenho certeza que resolveremos esse mal-entendido”, escreveu ele.

Problema com advogados

Horas antes de confessar o crime, a primeira equipe contratada para defender Renê anunciou que deixaria o caso. Um dos advogados, Leonardo Guimarães Salles, disse na época que a medida se deu “por motivo de foro íntimo”.

Com isso, na segunda-feira (25), uma procuração que favorecia o advogado Bruno Silva Rodrigues chegou à Justiça. Isso fez com que Cavalcante fosse ao presídio e confrontasse o cliente. Foi aí que Renê escreveu, a pedido da defesa, uma carta em que manifestava a intenção de manter a representação de Dracon. Na carta mencionada, o empresário “voltou atrás” da destituição do advogado Dracon Cavalcante.

Continua após a publicidade

O empresário escreveu que acredita no trabalho de Cavalcante.

— Houve um mal-entendido. O advogado lá do Rio pegou uma procuração com ele e juntou no processo e juntou também uma revogação no nome do Renê, me tirando do caso. Só que o Renê falou que assinou sim a procuração, mas não a revogação. Então já juntei a carta no processo, para a gente atender ao pedido do Renê, que é trabalhar os dois juntos. Vamos ver se há essa possibilidade — disse o advogado ao O Globo.

Continua após a publicidade

Em um primeiro momento, o empresário negou ter cometido o crime, chegando a dizer que não havia passado pela região onde matou Laudemir. No entanto, após repercutirem vídeos que mostram o empresário passeando com os cachorros e manuseando uma arma, ele mudou a versão. Ao confessar ter atirado em Laudemir, ele alegou ter tentado “atirar para cima”, e ter deixado o local porque não sabia que um tiro havia atingido o gari. Os colegas do profissional de limpeza negam ter havido uma “briga” de trânsito.

De acordo com as investigações, o suspeito disparou contra o gari depois de se deparar com o trabalho dos profissionais no bairro Vista Alegre. Na ocasião, ele se irritou por não conseguir passar com o carro. Segundo testemunhas, ele ameaçou a motorista do caminhão de lixo antes de sacar a arma e disparar.

Continua após a publicidade

Na última sexta-feira (22), uma perícia confirmou que a arma utilizada no crime pertencia à delegada Ana Paula Balbino Nogueira, esposa de Renê. Em depoimento, ela disse não saber que o marido usava a pistola dela. Ela está afastada das funções na Polícia Civil por 60 dias desde o dia 13 de agosto por motivos de saúde. 

Já o empresário pode responder pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, porte ilegal de arma e ameaça.

Continua após a publicidade

O Ministério Público de Minas Gerais solicitou o bloqueio de bens no valor de R$ 3 milhões de Renê e Ana Paula. A medida havia sido requerida pelos advogados que representam a família de Laudemir, como forma de garantir uma eventual reparação pelo caso.

Na petição em que pediu o bloqueio de bens, o advogado da família de Laudemir, Tiago Lenoir, justificou que o acusado foi reconhecido pelos colegas do gari e apresentou, antes da confissão, uma narrativa “contraditória e incompatível” com as provas. Lenoir destacou que o delito demonstrou “extrema periculosidade do agente” e prejudicou também o sustento dos parentes da vítima.

Continua após a publicidade

“A vítima era chefe de família e único provedor de uma menor, hoje órfã de pai; os danos materiais (perda de rendimento, despesas médicas e funeral) e morais são inegáveis. Os investigados são pessoas de elevada condição socioeconômica: Renê é diretor de empresa e proprietário de veículo de alto valor; Ana Paula é delegada de polícia. Cientes da investigação, podem dilapidar ou ocultar patrimônio para frustrar a indenização. A indisponibilidade de bens é medida indispensável para garantir a efetividade da futura prestação jurisdicional, evitando a irreparabilidade do dano”, disse o advogado.

Lenoir pediu que a Justiça decrete medida cautelar de indisponibilidade de “todos os bens móveis e imóveis, veículos, ativos financeiros, participações societárias e investimentos”, com ofícios a órgãos para evitar a venda de bens.

Continua após a publicidade

Relembre o crime

O empresário René da Silva Nogueira Junior foi preso horas após o crime, no dia 11 de agosto, e negou envolvimento no homicídio. Contudo, ele disse ser casado com uma delegada e permitiu que os policiais entrassem em sua residência.

A pistola calibre .380 usada no assassinato foi encontrada na casa do casal. Laudos da perícia indicaram que o projétil que atingiu o gari veio dessa arma.

Continua após a publicidade

A pistola foi entregue de forma voluntária pela delegada, que disse que o marido não tinha acesso ao item, e que desconhecia o crime.

Depois da discussão de trânsito, Renê foi flagrado por câmeras de segurança na garagem do prédio, momento em que guardou a arma do crime em uma mochila. Mais tarde, na audiência de custódia, ele afirmou que foi passear com os cachorros. Ele foi preso pela polícia enquanto treinava em uma academia.

Continua após a publicidade

*Sob supervisão de Giovanna Pacheco

Leia também

Julgamento de oficial de cartório acusado de matar a namorada em SC pode durar três dias

Continua após a publicidade

Foragido por estupro é preso após se esconder na casa da namorada em São Francisco do Sul

Revólver e equipamentos de rinha de galo são apreendidos em município do Oeste de SC