Crônica de domingo: O som da noção

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Caixas de som no alvo do debate do verão de SC (Foto: Arquivo NSC Total)

Uma mania a ser estudada por especialistas em antropologia é a paixão de algumas pessoas em ouvir música no volume mais alto possível. Por que essa vontade em não só consumir o som, mas também fazer com que os demais ao seu redor também o escutem? Seja em casa, na praia ou no parque, é comum ouvir aquela música “no talo” sem que a gente tenha sido consultado se realmente quer ouvi-la. Ficamos condicionados ao gosto e à vontade do DJ particular daquele momento.

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Conheço algumas pessoas que gostam de ouvir suas preferências em alto e bom som. Talvez seja algo ligado a ficar conectado à música sem qualquer outra interferência do ambiente. Mas, neste caso, bastaria colocar um fone de ouvido, certo? Aliás, os fones poderiam resolver a maioria desses casos de perturbação de sossego. 

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Quer algo mais sociável do que estar sentado numa cadeira em espaço público ouvindo canções com fone de ouvido sem perturbar ninguém a não ser a própria cabeça, a depender do estilo escolhido? Chega a dar uma paz ver que pelo menos uma pessoa escolheu ceder o silêncio aos demais e não levar a sua caixinha com os melhores decibéis a explorar.

Mas, como nem tudo são flores, mostram-se necessárias regras mais duras que proíbem as pessoas de carregar seus amplificadores para as praias, por exemplo. Lá, na beira do mar e com os pés sobre a areia, é que está um dos piores lugares para se ouvir o som indesejado. A maioria das pessoas procura os balneários para descansar. Só que isso somente vai acontecer se o seu vizinho de guarda-sol for dotado de bom-senso. Caso contrário, estar na praia ou numa casa noturna será praticamente a mesma coisa.

Regras para proibir caixas de som nem deveriam ser necessárias. Esse é o tipo de assunto que estaria resolvido caso a personagem principal das relações humanas fosse a empatia. Colocar-se no lugar do outros acabaria com nossos problemas de sociedade. Enquanto isso não acontece, surgem as regras com obrigações e multas para enquadrar quem ainda desconhece as virtudes de determinados comportamentos.

Leis, decretos ou portarias chegam para impor o som da noção. Esse sim é que deveria predominar nas praias. Tenho certeza que mesmo no volume mais alto, ele não incomodaria ninguém. Pelo contrário: seria digno de aplausos em pé.

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