Crônica de domingo: Desejo paz

Compartilhe:

Crônica de domingo (Foto: Patrick Rodrigues/Arquivo NSC)

É por esses dias que a gente escreve aqueles textos básicos de desejos para enviar a familiares e amigos. Queremos que o novo ano da pessoa querida seja com saúde, amor, luz, sucesso… e assim vai. Geralmente, enviamos no automático. Nem pensamos no que realmente queremos dizer com tudo o que desejamos. Este é o caso de um dos termos mais comuns nas listas: paz. A colocamos lá no meio de forma convencional sem que haja um sentido para tanto.

Continua após a publicidade

​Leia todas as crônicas de domingo​

No Brasil dos tempos atuais, contudo, este desejo tornou-se urgente. Há tantas outras coisas tão importantes quanto a paz quando olhamos para a realidade brasileira, obviamente. Mas, em paralelo, precisamos de tranquilidade. Nem no final de ano, quando a poeira baixa e as pessoas aproveitam para comemorar, a gente consegue ter paz por aqui.

Continua após a publicidade

A última foi a – nova – presepada do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em instituir uma consulta pública para decidir sobre a vacina contra a Covid para crianças. A esperança havia batido a porta com a liberação da Anvisa para a aplicação dos imunizantes da Pfizer no público entre 5 e 11 anos. Aí veio Queiroga e nos roubou a paz, outra vez.

Este é só um exemplo dos inúmeros episódios de 2021 em que pouco tivemos de serenidade. O habitual foi justamente o contrário. Ficou claro que a estratégia de muitos é conviver no caos. Por isso que a paz tornou-se o melhor desejo para 2022.

As perspectivas, obviamente, não são boas. Virou comum nas rodas de conversa aquele comentário: “O ano que vem vai ser uma guerra por causa da eleição”. Todos temem que a polarização entre Lula e Bolsonaro nos consuma os já escassos momentos de paz.

Por essa e outras perspectivas já inerentes ao nosso contexto social é que vestir branco na virada de 21 para torna-se obrigatório. Quem sabe assim a gente consiga pelo menos levar um pouco de energia para trazer a tão esperada tranquilidade que anda desaparecida.

Continua após a publicidade

Leia também:

O melhor dia das nossas vidas

​Um filme de terror​

Continua após a publicidade

​Entrada ou saída​

​Mistura perfeita​

Continua após a publicidade

​O som da noção​

​Ela deixa um filho​

Continua após a publicidade

​A beleza do caminho​

​O fantasma da vacina​

Continua após a publicidade

​Que seja simples​

​O mecanismo da fome​

Continua após a publicidade

​O passaporte da ignorância​

​O mito​

Continua após a publicidade

​O risco do puxa-saquismo​

​Os novos ídolos​

Continua após a publicidade

​Os Fuscas na estante​

​E fora do story?​

Continua após a publicidade

​Muda de opinião como muda de roupa​

​Os superpoderes de um pai​

Continua após a publicidade

​O preço da saúde mental​

​Retrocesso impresso​

Continua após a publicidade

​A galera do fundão​

​Alta bagunça​

Continua após a publicidade

​Deixa de ser chato​

​O que os livros de história vão contar​

Continua após a publicidade

​Seleção de quem?​

​A epidemia do barulho​

Continua após a publicidade

​O quadro da sociedade brasileira é irreversível​

​O nascimento de uma mãe