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    Alesc perdeu a elegância no processo de impeachment de Moisés

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    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    17/09/2020 - 07h28 - Atualizada em: 17/09/2020 - 08h18
    Assembleia Legislativa de Santa Catarina
    Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Foto: Bruno Collaço, Alesc)

    Se há uma régua para demarcar este momento histórico de Santa Catarina, é a falta de pudor do Legislativo no esforço de esfolar o governo. Diante das movimentações recentes, o Estado caminha para assistir a um processo de impeachment a jato e a um inédito afastamento do governador e da vice, em resposta a uma denúncia requentada no calor da pandemia.

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    Uma fonte usou um termo interessante para se referir ao que ocorre na política de SC. Disse que a turma liderada pelo deputado Júlio Garcia, o presidente da Alesc, "perdeu a elegância" nessa história.

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    A sutileza foi embora com o atropelo do Legislativo para agendar uma reunião extraordinária com o objetivo de votar logo o impeachment, o mais rápido possível. É comum compararmos a política e seus meandros a um jogo de xadrez. Pois a Alesc resolveu jogar truco com Moisés.

    A perda do verniz republicano coincide com a denúncia do Ministério Público Federal contra Julio Garcia na Operação Alcatraz, por suspeitas que envolvem lavagem de dinheiro. O presidente da Alesc, que conduz o processo de impeachment com agilidade impressionante, tem o destino nas mãos da Justiça. E os catarinenses também: se o impeachment for consumado, e Julio Garcia virar réu, tudo indica que o cargo de governador caberia ao presidente do Tribunal de Justiça de SC, desembargador Ricardo Roesler. Uma inédita confusão entre poderes.

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    A equiparação do salário dos procuradores, é verdade, dá margem para uma série de questionamentos dos órgãos de controle. Mas, sejamos justos: nenhum deles responsabilizou Moisés e Daniela por terem autorizado o reajuste.

    O argumento parece tão frágil, que os deputados que se manifestaram durante a aprovação do processo na Comissão do Impeachment fizeram um malabarismo retórico. Apontaram, com razão, os erros do governo. Só que são crimes de responsabilidade, e não erros de condução, o que derruba governos no Brasil de acordo com a Constituição. Oficialmente, pelo menos.

    As sessões de linchamento são o resultado de um governo que não se ajuda. Moisés parece viver sob a apatia de quem se sente ungido por forças superiores, divinas, que o manterão no cargo por milagre. É curioso que, na fervura causada pela divulgação dos problemas na compra dos respiradores, tenha se ocupado em sugerir a empresários que pressionassem a imprensa que o cobrava, e não percebeu o olhar de cobiça sobre sua cadeira. Falta competência ao governo Moisés até para se defender.

    A política catarinense virou um mar de lama. Os deputados vão escolher como o Estado vai navegá-lo. Mas, neste momento, todos os barcos parecem furados.

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