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História

Os 45 anos da Rodoviária, referência para quem chega e para quem sai de Criciúma

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Por Denis Luciano
19/09/2021 - 09h44 - Atualizada em: 19/09/2021 - 13h41
A Rodoviária poucas semanas antes da inauguração em 1976
A Rodoviária poucas semanas antes da inauguração em 1976 (Foto: Osmar Zappelini (in memoriam) / Acervo)

Criciúma tinha 95.324 habitantes em 1975, quando o prefeito Algemiro Manique Barreto começava a realizar o que o extinto jornal Tribuna Criciumense definia como "um sonho".

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Era a Estação Rodoviária, cuja construção se confundiu com a da própria Avenida Centenário, onde localiza-se, e as duas foram algumas das muitas obras da gestão Manique Barreto. 

O sonho de muitos prefeitos, mas agora uma realidade possível. Concebida pelo arquiteto Dr. Fernando Carneiro, que projetou em razão de uma pesquisa prolongada, de modo a trazer a cidade para o presente e para o futuro. Tribuna Criciumense, 2/8/1975

- Uma cidade do porte de Criciúma precisava ter seu Terminal Rodoviário digno e acolhedor - defendia o saudoso prefeito, sempre que questionado a respeito. A muito custo, fruto de uma captação de 6,5 milhões de cruzeiros junto ao Banco do Brasil (um montante bastante elevado para a época), Manique conseguiu tocar o projeto.

O início da construção da Rodoviária em 1975
O início da construção da Rodoviária em 1975
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E foi num sábado, 18 de setembro de 1976, que o prefeito inaugurou a Rodoviária criciumense. O trabalho se estendeu por cerca de 1 ano e começou logo após a enchente de 1974, que castigou o Sul catarinense.

A inauguração da Rodoviária de Criciúma, há exatos 45 anos
A inauguração da Rodoviária de Criciúma, há exatos 45 anos
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Quando da concepção pelo arquiteto Fernando Carneiro, o próprio previa que a Rodoviária de Criciúma teria vida útil de 30 anos. Logo, era para ter se esgotado por volta de 2006. - Será um terminal para três décadas - confirmava, na época, o prefeito. 

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Nova etapa, nova direção

Ao completar 45 anos, neste sábado (18), o Terminal Rodoviário Algemiro Manique Barreto vive uma nova fase. A empresa Roteiros do Sul assumiu a gestão da Rodoviária em janeiro de 2019, sob concessão pela prefeitura. Promoveu investimentos, buscou a ocupação de espaços que encontravam-se ociosos e conseguiu aumentar o fluxo, além de controlar a segurança. Até então, havia sérios problemas, como a necessidade de fechar as portas do terminal durante a madrugada.

Em 2011 uma ampla reforma foi realizada, e o ex-prefeito Manique (falecido no fim de maio de 2016) participou da reinauguração, sob a gestão do prefeito Clésio Salvaro. Carneiro também esteve naquele ato, recordando que havia se inspirado em um terminal de ônibus que viu no México, quando foi assistir a Copa do Mundo de 1970, para projetar a Rodoviária.

Na reinauguração em 2011: Manique, Salvaro, o então vice Márcio Búrigo e o arquiteto Fernando Carneiro
Na reinauguração em 2011: Manique, Salvaro, o então vice Márcio Búrigo e o arquiteto Fernando Carneiro
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Ao encerrar seu mandato, em 1977, o prefeito que construiu a Estação Rodoviária entregou um balanço da gestão no qual elencava dados do recém inaugurado terminal. Ele apontava que a estrutura ocupou área construída de 2,5 mil m², contava com "características funcionais e modernas" e mantinha "50 boxes, além dos postos das empresas coletivas, um restaurante, uma rede de lanchonetes, barbearias, lojas, uma sala de administração e uma sala destinada à fiscalização do DNER". 

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No mesmo documento, o prefeito descrevia que "a desapropriação da área e as obras de infraestrutura do terminal podem ser consideradas como um esforço econômico-diplomático, representando, provavelmente, a obra de maior necessidade e maior envergadura da Administração Algemiro Manique Barreto e Fidélis Back". 

O triângulo visível na foto é o terreno onde a Rodoviária foi construída; a foto é de 1974
O triângulo visível na foto é o terreno onde a Rodoviária foi construída; a foto é de 1974
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Cálculos da época apontavam que 26 mil passageiros circulavam pela Rodoviária, somando embarques e desembarques, números muito mais elevados que os atuais. Para se ter uma ideia, antes da pandemia de Covid-19, no primeiro trimestre de 2020, a média era de 12 mil usuários diários, número que reduziu drasticamente nos meses seguintes e começou a reagir um ano depois, alcançando 7 mil pessoas em média entre julho e agosto.

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A Rodoviária na nova avenida

Em paralelo à Rodoviária, a prefeitura começou a construir a chamada Avenida Axial, que posteriormente ganhou o nome de Centenário, e persiste como a principal de Criciúma. A via começou a ser planejada na segunda metade dos anos 60, na gestão do prefeito Ruy Hülse. Pouco avançou no governo Nelson Alexandrino, ganhando fôlego com Manique Barreto a partir de 73. Em 29 de janeiro de 1977, no antepenúltimo dia de seu mandato, Manique promoveu uma inauguração parcial, de 3,3 dos 8 quilômetros atuais que a avenida tem. Ela foi continuada na gestão seguinte, pelo prefeito Altair Guidi.

Um dos grandes desafios para a época foi (no chamado esforço "político-diplomático" citado acima) avançar em centenas de desapropriações e famílias tiveram que ser removidas das margens dos trilhos do trem, que passavam pela extensão ocupada posteriormente pela Centenário. E esse esforço envolveu tanto a construção da Rodoviária quanto da avenida, na qual foi aplicada uma fortuna para a época: 18 milhões de cruzeiros, da mesma forma captados ao Banco do Brasil.

A Avenida Axial recém inaugurada nos anos 70; abaixo, à direita, a Rodoviária
A Avenida Axial recém inaugurada nos anos 70; abaixo, à direita, a Rodoviária
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O futuro da Rodoviária

Durante a última campanha eleitoral, o prefeito Salvaro e o vice Ricardo Fabris comentaram, em algumas ocasiões (em entrevistas e visitas aos bairros), sobre a possibilidade de transferir a Rodoviária de Criciúma para outro ponto. A especulação era construi-la na Via Rápida, o novo acesso que a cidade ganhou à BR-101 em 2017. Se colocava que a atual Rodoviária daria lugar a um Mercado Público Municipal.

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O tema, porém, não prosperou. - Tivemos uma conversa com o prefeito, e ele reconheceu essa possibilidade. Colocamos algumas questões técnicas - explicou Marcelo Fernandes, gerente da Roteiros do Sul, a gestora da Rodoviária que se interessa pelo tema afinal já mantinha o contrato de administração do espaço em vigor.

O visual atual da Rodoviária, com os seus 45 anos de história
O visual atual da Rodoviária, com os seus 45 anos de história
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Jornalista com longa experiência no rádio e no digital, Denis Luciano aborda os principais assuntos do Sul catarinense, uma das regiões mais relevantes no Estado.

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