Apesar de os esforços do Brasil para ampliar investimentos em startups estarem dando resultados positivos, o país está muito atrás de outros nas políticas de aceleração do setor. O alerta é do fundador e presidente da Anjos do Brasil, Cassio Spina, que cita países que concedem incentivos como os que estão desenvolvendo ecossistemas mais fortes, como a África do Sul e Reino Unido.

Continua depois da publicidade

Cassio Spina esteve em Florianópolis participando do Startup Summit, e também do Startup Investiment Summit, evento paralelo que reuniu investidores de startups do país para discutir o cenário do setor. Também foi divulgada nova pesquisa sobre investimentos anjo, que mostrou avanços e desafios.  

– O Brasil já evoluiu muito nos últimos anos, mas quando consideramos o tamanho do país, pela relevância que nós temos, comparando com os números internacionais, vemos que o Brasil ainda precisa crescer muito. E para isso a gente sabe que tem que prover condições para que mais pessoas atuem como investidoras-anjo – diz Cassio Spina.

Engenheiro eletrônico graduado pela Escola Politécnica (Poli) da USP que já foi empreendedor serial em TI e hoje é investidor, Cassio Spina é um dos maiores especialistas do setor. Segundo ele, investidores no país necessitam de mais conexões com startups e de mais qualificação.

– Mas além de tudo isso, é necessário também criar políticas de estímulo, como já existem em outros países. Você tem, não só os Estados Unidos, o Reino Unido, mas os próprios outros BRICS. A gente fala África do Sul, Índia, China… Todos eles têm políticas de estímulo para investimentos em startups. No Brasil, infelizmente, a gente ainda não tem. Mas  seria bom sensibilizar os poderes legislativo e executivo para viabilizar isso – diz o presidente da Anjos do Brasil.

Continua depois da publicidade

– Vou citar como exemplo um país como o Brasil, em desenvolvimento, que é a África do Sul. Ela tem uma política que permite que você compense até 100% do valor que você investiu em startup no seu imposto de renda devido. É quase como se o governo estivesse falando: vá lá e investe naquela startup que eu te devolvo. É claro que esse até 100% depende de condições – comenta Cassio Spina.

– Isso foi inspirado em uma política que já é construída no Reino Unido há muitos anos, com um incentivo menor. Lá as pessoas podem compensar até 40% do seu imposto devido. Esse programa gerou um resultado significativo, tanto que o Reino Unido, hoje, é líder em investimentos em startps na Europa – destaca o presidente da Anjos do Brasil.

A África do Sul, por exemplo, aumentou a arrecadação tributária com essa política porque os investimentos colocam dinheiro na economia que aquece outros setores, como escritórios, móveis, produtos eletrônicos, vestuário e uma série de serviços.

A Anjos do Brasil é a principal comunidade de investidores em startups do país. Ela fez uma pesquisa em parceria com o Sebrae Startup, que apurou o perfil dos investidores-anjo do Brasil e foi divulgada no Startup Summit. Ela apurou, que 81,5% são homens e 18,5% são mulheres, número quem vem aumentando. A empresária e investidora-anjo Claudia Rosa, que participou da entrevista ao lado de Cassio Spina, é a maior incentivadora para aumentar a participação feminina no setor.

Continua depois da publicidade

Leia também

Dono do Fort, Grupo Pereira abre seis lojas da rede Comper em SC; duas nesta quarta

Inventor, industrial funda duas multinacionais e o maior parque empresarial do Brasil

Gigante global do agro investe em empresa de biotecnologia de Florianópolis

Pato laqueado de Pequim será “made in Brazil”, mas de Santa Catarina

Inventor, industrial funda duas multinacionais e o maior parque empresarial do Brasil

Startup de SC “médicos das árvores” recebe aporte para desenvolver IA