A indústria da construção civil de Santa Catarina responde por 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional do setor e por 30% do PIB setorial da região. Esse foi um dos destaques de estudo com base em dados de 2022, apresentado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em evento na Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), em Florianópolis na tarde desta quinta-feira, que reuniu lideranças do setor da Região Sul. O estudo mostrou também que a Região Sul responde por 18,9% do PIB setorial do Brasil. O Paraná teve 7,0% e Rio Grande do Sul, 6,4% dessa participação.
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A CBIC destacou também que o PIB nacional do setor teve recou de -0,8% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o trimestre imediatamente anterior. No atual momento, o setor tem grandes desafios como a alta taxa básica de juros, o aumento do IOF, a falta de trabalhadores e a nova taxação dos Estados Unidos ao Brasil.
– No ano passado, a construção civil cresceu 4,3% e a economia nacional cresceu 3,4%. Desde o início deste ano estamos com uma projeção de crescer 2,3% no setor. No final deste mês, inclusive, nós vamos fazer um novo estudo para ver se vamos manter essa projeção ou se vamos revisá-la. Então, no início do ano, a economia brasileira tinha uma projeção de crescer 2%, 2 e um pouquinho. Agora, está em 2,03%. Então, a expectativa é de que este ano, pelo segundo ano consecutivo, o setor da construção civil vai crescer mais do que a economia nacional – explica a economista-chefe da CBIC, Iara Vasconcelos.
Na visão de entidades do setor, o principal desafio do setor, hoje, é a taxa básica de juros elevada, hoje em 15%, observa a economista. Isso porque ela inibe não só o financiamento imobiliário, mas impacta nos custos dos recursos de produção. Ela retira investimentos produtivos que vão migrar para o mercado financeiro e isso gera instabilidades ao setor.
Um outro desafio é a falta de trabalhadores ao setor, tanto mais qualificados quanto menos qualificados. Por isso, com frequência, o setor aparece como o que paga salário inicial mais caro no Brasil.
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O presidente da CBIC, Renato Correia, também presente no evento em Florianópolis, afirmou que as empresas precisam ser mais criativas para manter os talentos. Isso é possível oferecendo não só salários melhores, mas também benefícios. Ele também defendeu maior uso da mecanização no setor.
Outras sugestões também foram apresentadas no evento. O presidente da Câmara de Desenvolvimento da Indústria da Construção da Fiesc, Marcos Bellicanta, informou que o setor, em Santa Catarina, está procurando atrair pessoas que desistiram de procurar emprego e também jovens para o primeiro emprego.
No período de janeiro a maio deste ano, com base nos dados do Caged, o setor criou 25.109 novas vagas com carteira assinada na Região Sul, com queda de 1,77% frente ao mesmo período de 2024.
Em Santa Catarina, nesse período, o setor gerou mais de 9,5 mil vagas formais no segmento de serviços especializados para a construção, como obras de acabamento, instalações elétricas e preparação de canteiros — o que mostra a pujança de suas cadeias produtivas.
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A CBIC também apresentou dados sobre o número de empresas (estabelecimentos) do setor, na Região Sul. No primeiro trimestre deste ano, a Região Sul manteve indicadores importantes no cenário brasileiro. Ela concentrou 24,5% do total de estabelecimentos da construção civil no país (70.248 de um total de 286.277), com destaque para o Paraná (35,82% da região), seguido de perto por Santa Catarina, com 22.308 estabelecimentos — o equivalente a 31,76% da construção civil do Sul. O Rio Grande do Sul respondeu por 32,42% do total de empresas do setor.
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