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Crises políticas elevam dólar, que encarece os combustíveis

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Por Estela Benetti
15/09/2021 - 11h42 - Atualizada em: 15/09/2021 - 14h35
O ministro da Economia, Paulo Guedes, reconhece que crises políticas afetam o dólar
O ministro da Economia, Paulo Guedes, reconhece que crises políticas afetam o dólar (Foto: Marcelo Camargo, Agência Brasil)

O consumidor brasileiro enfrenta desde o começo do ano uma sucessão de reajustes nos preços dos combustíveis, em especial da gasolina que subiu 32% até agosto, segundo o IBGE. Em Santa Catarina, como mostra reportagem do jornalista Jean Laurindo, no DC, o preço médio da gasolina chegou a R$ 5,83 por litro. No Rio Grande do Sul já ultrapassa R$ 7,00. 

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Os preços dos combustíveis dependem principalmente da cotação internacional do petróleo e da cotação do dólar no Brasil. Um fato novo sobre o problema é que o próprio governo federal passou a reconhecer abertamente que o dólar está alto devido às crises políticas.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu nesta terça-feira que, sem os problemas políticos, a moeda americana deveria estar cotada entre R$ 3,80 a R$ 4,20. Mas nesta terça ela fechou em R$ 5,26.

O que esperar se o principal causador das crises políticas é o presidente Jair Bolsonaro, embora não seja o único? A expectativa é de que ele seguirá causando crises enquanto estiver no governo. Ministros e parlamentares, eventualmente, também têm criado conflitos políticos impactando no custo da moeda americana. Há um reconhecimento maior da classe política de que essas crises têm afetado o câmbio e a economia.

> Gasolina atinge maior preço médio de 2021 em SC

Ao invés de mudar o comportamento, o presidente Bolsonaro está apontando como principal causa da gasolina cara as elevadas alíquotas de ICMS sobre o insumo. Ele enviou um projeto de lei para o Congresso aprovar a unificação de alíquotas de ICMS nos estados, mas enfrenta dificuldade para mudar isso. Pediu até para o Supremo pressionar o parlamento com esse objetivo.

Santa Catarina pratica uma das mais baixas alíquotas do país sobre a gasolina: 25%. A média nacional, segundo a Petrobras, é de 27,8%.

Para reduzir o preço dos combustíveis, o governo federal gostaria de intervir na Petrobras. Até mudou a presidência da empresa com esse objetivo. Mas foi convencido de que a intervenção causa mais problemas econômicos do que soluções e desistiu.

O fato é que os combustíveis caros, junto com a grave falta de chuvas, estão causando crise econômica ao elevar a inflação e os juros para perto de 9% ao ano. A melhor saída para o Brasil seria a estabilidade política, que reduziria a desvalorização do real, o que não parece ser possível com o atual governo, apesar da carta divulgada pelo presidente para reduzir os conflitos que incentivou no 7 de setembro.

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Estela Benetti

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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