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Análise

Empresa de Santa Catarina tem 13 bilionários na lista da Forbes: entenda como chegou lá

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Por Estela Benetti
27/09/2020 - 17h36 - Atualizada em: 28/09/2020 - 08h31
Transformador gigante feito pela WEG embarcou pelo Porto de Imbituba e foi levado ao Pará
Transformador gigante feito pela WEG embarcou pelo Porto de Imbituba e foi levado ao Pará (Foto: SCPar, divulgação)

Entre as novidades na lista de bilionários de 2020 da revista Forbes Brasil, com 238 nomes, 33 a mais do que no ano anterior, estão 13 acionistas de uma mesma empresa, a WEG, multinacional de Jaraguá do Sul, Santa Catarina. Como o conglomerado industrial que atua nos segmentos de motores elétricos, automação, soluções de energia e tintas chegou lá? A WEG passou a brilhar mais na bolsa de valores do Brasil, a B3, este ano, mas os resultados consistentes que levaram a isso vêm do modelo de gestão da companhia, com ênfase em tecnologia e boa governança corporativa.

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Numa cidade de descendentes de imigrantes europeus, três jovens empreendedores decidiram unir talentos para fabricar motores elétricos. Em 16 de setembro de 1961, o administrador Eggon João da Silva, o eletricista Werner Voigt e o mecânico Geraldo Werninghaus uniram os recursos que tinham e fundaram uma empresa. A marca WEG foi escolhida com base nas iniciais dos nomes dos três e, em alemão, significa “caminho”. 

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Os industriais, com algumas experiências anteriores, decidiram fazer produtos de qualidade e realizar uma gestão com ética e respeito a todos os seus públicos: acionistas, clientes, fornecedores, setor público e comunidade. A busca de consenso na gestão também foi fundamental para manter os acionistas unidos.

Com esses pilares, a empresa cresceu ano após ano, sempre atenta a oportunidades. Um dos pontos altos foi a ênfase na qualificação dos trabalhadores, com a fundação, em 1968, de um centro de formação técnica próprio, inspirado no modelo industrial da Alemanha. Algumas décadas depois já apresentava atuação diversificada e um negócio robusto, com atuação em motores elétricos, soluções para energia, automação industrial e tintas.

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Entre os diferenciais da WEG, um que chama a atenção é a resiliência a crises. Apesar das dificuldades no Brasil ou exterior, a companhia tem apresentado sempre lucro relevante nas últimas décadas. A única exceção foi na recessão causada pelo plano Collor, no início dos anos de 1990.

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Atualmente, a companhia trabalha com um foco para atender seus diversos mercados e outro no desenvolvimento de inovação, dentro das suas áreas de negócios ou um pouco além. Entre os projetos inovadores estão parceria com a Embraer para o desenvolvimento de um avião movido totalmente à propulsão elétrica, desenvolvimento de tecnologias no âmbito da indústria 4.0 e tecnologias para energia limpa entre as quais usinas solares.

A atuação global também é um ponto alto da companhia, com fábricas nas Américas, Europa e Ásia, além de unidades comerciais nos diversos continentes. Dos cerca de 33 mil trabalhadores, mais de 10 mil estão no exterior. O fato de não atuar num setor de commodities e, por isso, ter mais condições de definir seus preços, também faz diferença no resultado final.

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Essa diversificada atuação e expertise em tecnologia dá condições à empresa, também, de fazer produtos temporários voltados à coletividade. Para ajudar o Brasil a perder menos vidas durante a pandemia, a WEG entrou temporariamente, mas rápido, este ano, na produção de ventiladores pulmonares de UTIs. Fez acordo tecnológico com fabricante local e produziu mais de 1.500 respiradores LW3.

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No balanço do segundo trimestre deste ano, a WEG apresentou lucro líquido de R$ 514,4 milhões, 16,9% superior ao do mesmo período do ano passado, e receita líquida de vendas de R$ 4,064 bilhões, com alta de 23,7% ante o mesmo trimestre de 2019. A cotação das ações da companhia começou a subir mais este ano. Em oito de outubro de 2019, por exemplo, estava em R$ 22,81. O salto maior aconteceu a partir de julho deste ano. Na última sexta-feira, as ações WEGE3 fecharam em R$ 64,25, o que representa uma alta de 181% frente ao valor de outubro do ano anterior.

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Foi o fato de a empresa se tornar uma das queridinhas da bolsa e gerar essa valorização expressiva das ações que colocou 13 acionistas da companhia na lista da Forbes. Esse grupo dos 13 é composto por integrantes das três famílias fundadoras da WEG. Isso foi possível porque elas seguiram unidas, com sólida governança, cada uma com 33,3% da holding WPA Participações, que detém 50,1% do capital da companhia. Além disso, as famílias têm mais 14,4% do total de ações da empresa.

O administrador Eggon João da Silva sempre se empenhou para que a empresa não tivesse divisões e, assim, atingisse vida longa. Os três fundadores já faleceram, mas a segunda geração, à frente do conselho, segue o mesmo modelo de gestão. 

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Além do controle acionário da WEG, a WPA também é dona da Oxford Porcelanas e detém 3,5% das ações da BRF, participação que vem desde quando Eggon articulou a recuperação da Perdigão em 1993. A expectativa é de que, nos próximos anos, um número maior ou menor de integrantes das famílias Silva, Voigt e Werninghaus pode fazer parte da lista anual da Forbes. Isso vai depender, principalmente, dos resultados da WEG e/ou da alta das suas ações na bolsa. A trajetória até aqui indica que a empresa tem fôlego para seguir com resultados positivos, mesmo em momentos de adversidades.  

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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