O Conselho Regional de Contabilidade (CRC-SC), entidade que representa os profissionais de contabilidade, empossa na noite desta sexta-feira (20) a sua nova diretoria para os próximos dois anos. O contador Lecir dos Passos Ghisi, de Tubarão, que tem longa trajetória no associativismo, assume a presidência, sucedendo a contadora Marisa Luciana Schvabe de Morais, em evento na sede da entidade, em Florianópolis.

Continua depois da publicidade

Ghisi destaca que a diretoria que lidera vai dar ênfase à oferta de conhecimento para os profissionais terem mais informações sobre os novos desafios que têm à frente, em especial as mudanças para a reforma tributária. Mas, num primeiro momento, as atenções serão para a realização de declarações do Imposto de Renda Pessoa Física, incluindo cada vez mais contribuintes nas doações aos fundos para investimentos sociais e outros.

O desafio, segundo ele, é aprimorar conhecimentos, tanto para profissionais, quanto para estudantes para que tenham informações frente a esses novos desafios de reforma tributária, IR, ESG e outros. Leia a entrevista de Jacir Ghisi a seguir:

O que representa para o senhor ser presidente do Conselho Regional de Contabilidade e ser o primeiro contador de fora da Grande Florianópolis a assumir essa função?

– Eu comecei a trabalhar na contabilidade como funcionário, lá em 1988, então, já são 41 anos na área. Atuei no Sindicato dos Contabilistas de Tubarão por vários anos, tanto como diretor quanto como presidente, em três mandatos. Participei ativamente das reuniões da Federação dos Contabilistas de Santa Catarina. Fui diretor por um curto período, pois tive que deixar a função para concorrer ao Conselho Regional de Contabilidade.

Continua depois da publicidade

Atuo no Conselho Regional desde 2010, quando iniciei como delegado adjunto. Depois cheguei ao cargo de conselheiro, na época da eleição do Sérgio Faraco, sempre trabalhando em prol da classe contábil. No final de 2019, pedi afastamento do Conselho para reestruturar meu escritório de contabilidade, em Tubarão.

Em 2021, recebi um convite das lideranças contábeis para retornar ao Conselho, e assim fiz. Em 2022, voltei ao Conselho como vice-presidente de Fiscalização, função que exerci por quatro anos. Agora, com a eleição, assumi a presidência para o biênio 2026/2027. Essa é uma trajetória construída ao longo dos anos. Sou bastante conhecido entre os profissionais do estado. Montei uma chapa de consenso, sem concorrência, o que demonstra uma forte união da classe. Obtive 83,12% dos votos válidos. Essa é, em resumo, a minha trajetória na contabilidade.

O que o senhor vai priorizar na gestão que se inicia agora e o senhor está liderando?
– Neste momento, estamos no período de entrega das declarações do Imposto de Renda. Vamos realizar uma campanha forte incentivando as destinações aos fundos da infância e adolescência e também ao fundo da pessoa idosa.

Ao mesmo tempo, temos a reforma tributária, que trará mudanças importantes. O ano de 2026 será um período de adaptação, e a implementação efetiva começa em 2027, seguindo até 2033, quando estará plenamente consolidada.

Continua depois da publicidade

Vamos investir fortemente em seminários e treinamentos sobre a reforma tributária em todos os setores. Também vamos atuar na área de governança e sustentabilidade, além dos indicadores ESG. Outro ponto fundamental será a educação continuada, que será intensificada nos próximos anos, especialmente por conta da reforma tributária.

Também daremos atenção à contabilidade pública, garantindo que esteja bem estruturada, já que é por meio dela que passam os recursos dos contribuintes catarinenses. Além disso, vamos trabalhar com o terceiro setor, que também será impactado pela reforma tributária, e manteremos uma relação próxima com as instituições de ensino superior, responsáveis pela formação dos futuros profissionais da contabilidade.

Sobre o Imposto de Renda: as regras foram divulgadas no dia 16. Como o senhor avalia essas regras? Vai ser fácil para os contadores trabalharem?
– Para a declaração que será entregue agora, com início em 23 de março e prazo até 29 de maio, não houve alterações significativas. Apenas alguns ajustes de valores, mas nada relevante. As demais regras permanecem as mesmas. O que mudou foi o prazo, reduzido em uma semana. Sabemos que o brasileiro costuma deixar para a última hora, mesmo com a orientação para procurar um contador com antecedência. É fundamental que o contribuinte busque um profissional da contabilidade para evitar problemas, como cair na malha fina, e garantir segurança na prestação das informações.

As pessoas sempre deixam para a última hora. O senhor acredita que isso pode mudar?
– Normalmente, o contribuinte que tem imposto a restituir entrega logo nas primeiras semanas. Já aquele que tem imposto a pagar costuma deixar para a última hora. Nas duas últimas semanas, os escritórios ficam sobrecarregados. Ainda dependemos de um fator importante: o sistema da Receita Federal funcionar sem travamentos. Mas essa é uma característica cultural: muitos deixam para o final, esperando alguma mudança, o que não acontece após a divulgação das regras.

Continua depois da publicidade

Ainda sobre o Imposto de Renda: vemos que o brasileiro poderia doar mais para fundos sociais, mas a arrecadação ainda é baixa. O que pode ser feito para melhorar isso?
– A nossa ex-presidente, Marisa Luciana Schvabe de Morais, trabalhou nesse tema a convite do governador. A proposta é ampliar a possibilidade de destinação, incluindo contribuintes do modelo simplificado e empresas de outros regimes, como o lucro presumido e o Simples Nacional. Foi elaborado um projeto de lei que será encaminhado a Brasília para viabilizar essas mudanças.

O que podemos fazer é intensificar campanhas de conscientização. Às vezes, falta orientação por parte do profissional da contabilidade para explicar de forma clara ao contribuinte ou empresário sobre essa possibilidade.

Vamos ampliar a divulgação ao longo do ano porque as destinações podem ser feitas durante todo o exercício, não apenas no momento da declaração anual. Também é importante que os profissionais estejam preparados para orientar melhor seus clientes. Podemos, inclusive, buscar parcerias com entidades como a Fiesc e a Fecomércio para fortalecer essa divulgação.

O senhor pode explicar, por exemplo, quem pode fazer destinações durante o ano? Poderia citar alguns exemplos?

Continua depois da publicidade

– Além de empresas, pessoas físicas também podem fazer essas destinações ao longo do ano. Para vários projetos. Não apenas para o Fundo da Infância e Adolescência ou para o Fundo da Pessoa Idosa. É possível destinar até 6% para cada fundo quando a doação é feita ao longo do ano. Também é possível destinar recursos ao Pronon, voltado ao tratamento de doenças oncológicas, além de projetos de cultura e desporto.

Ao realizar essas destinações durante o ano, o contribuinte pode aproveitá-las na declaração de ajuste anual. Assim, em vez de enviar todo o imposto à Receita Federal, parte desse valor já fica diretamente com esses projetos. Isso vale tanto para a pessoa física quanto para a pessoa jurídica, desde que a pessoa física declare no modelo completo.

No caso da pessoa jurídica, atualmente isso é permitido para empresas tributadas pelo lucro real. Com isso, é possível direcionar aproximadamente 9% do imposto devido para esses fundos, fazendo com que o recurso permaneça no município ou vá diretamente para projetos sociais.

No ano que vem haverá mudanças importantes, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e descontos maiores para quem ganha até um pouco mais de R$ 7 mil. Isso significa que muitas pessoas deixarão de declarar?

Continua depois da publicidade


– Sim. Com a nova tabela do Imposto de Renda, a partir de janeiro de 2026, quem ganha até R$ 5 mil ficará isento. Com isso, teremos um número bastante expressivo de contribuintes que não precisarão mais declarar. Inclusive, comentamos recentemente que essa mudança pode impactar a arrecadação desses fundos sociais, pois muitas das pessoas que fazem destinações estão nessa faixa de renda.

Quem ganha menos é importante doador aos fundos sociais?
– Sim! Quem tem renda mais alta, muitas vezes, ao se deparar com valores maiores para destinar, acaba contribuindo menos proporcionalmente. Por isso, sempre orientamos que, mesmo que não seja o valor máximo permitido, o contribuinte faça uma destinação parcial. Já faz diferença. Observamos que, proporcionalmente, quem ganha menos costuma contribuir mais com esses fundos.

Quem normalmente procura um contador para fazer a declaração do Imposto de Renda?

– Geralmente são trabalhadores, aposentados e pensionistas que procuram mais os serviços contábeis para fazer a declaração. Muitos casos envolvem pessoas que possuem mais de uma fonte de renda, como aposentadoria e pensão. No ano passado, por exemplo, houve muita procura de pessoas que utilizavam farmácias populares e tiveram problemas com o CPF. Isso ocorreu porque a Receita Federal passou a consolidar rendimentos que antes não eram cruzados automaticamente. Com isso, algumas pessoas tiveram o CPF bloqueado e precisaram regularizar a situação. De modo geral, aposentados e pensionistas são os que mais buscam esse tipo de serviço.

Outra novidade que impacta muito os contadores é a reforma tributária, que já está sendo aplicada. Que tipo de trabalho novo vocês estão tendo em função dessa reforma?

Continua depois da publicidade

Em 2026, como mencionei, estamos vivendo um período de transição, um verdadeiro laboratório. Nesse contexto, os profissionais da contabilidade estão participando de diversos treinamentos e cursos para aplicar esse conhecimento no dia a dia, já que a reforma envolve vários setores, inclusive o imobiliário. Por exemplo, quem possui três ou mais imóveis precisa avaliar, conforme o volume de renda de aluguel, se é mais vantajoso permanecer como pessoa física ou constituir uma empresa para gerir esses rendimentos.

Por isso, o profissional da contabilidade está passando por uma grande atualização, justamente para orientar o contribuinte de forma segura e evitar surpresas, como o pagamento de tributos além do necessário. O ano de 2026 será de muito trabalho para os profissionais da contabilidade e para os empresários, que precisarão atuar de forma conjunta para identificar a melhor estratégia para cada atividade econômica.

A reforma impactará todos os setores. Sempre orientamos que o contribuinte e o empresário estejam próximos do seu contador, pois é esse profissional que fornecerá as informações necessárias para evitar riscos e tomar decisões mais assertivas. Observamos também que empresas que estão no meio da cadeia produtiva, como distribuidoras, tendem a sofrer impactos significativos. Será fundamental avaliar com cuidado qual regime tributário adotar. Nesse cenário, o contador tem um papel essencial na condução da adaptação à reforma tributária.

O contador é um profissional estratégico para as empresas. Por quê?
– Ele é estratégico porque detém os números da empresa. Junto com o empresário, é possível definir qual regime tributário será mais adequado, se o Simples Nacional, o lucro presumido ou o lucro real. Com base nos dados e na atividade da empresa, o profissional da contabilidade constrói, em conjunto com o empresário, a melhor estratégia. Nunca de forma isolada, sempre em parceria, para garantir decisões seguras e o pagamento correto dos tributos.

Continua depois da publicidade

A Reforma Tributária também vai impactar na contabilidade do setor público?
– Sim. Na contabilidade pública, a reforma tributária também trará impactos significativos. Por isso, vamos investir fortemente em treinamentos e seminários voltados a essa área. Nosso objetivo é preparar os contadores que atuam em prefeituras e câmaras de vereadores, garantindo que estejam atualizados e aptos a lidar com as mudanças, evitando problemas que possam comprometer a gestão de recursos públicos, especialmente aqueles oriundos dos governos estadual e federal. Vamos atuar intensamente para que a contabilidade pública esteja bem estruturada e preparada para esse novo cenário.

Integrantes da nova diretoria

Conselheiros Efetivos
Mandato 2026/2029 – Lecir dos Passos Ghisi
Mandato 2026/2029 – Marlise Alves Silva Teixeira
Mandato 2026/2029 – Silvio Alexandre Zancanaro
Mandato 2026/2029 – Édio Silveira
Mandato 2026/2029 – Alfeu Antonio Agostinetto
Mandato 2026/2029 – Itelvino Schinaider
Mandato 2026/2029 – Alcindo Oliveira Lopes
Mandato 2026/2029 – Fabiane Maria Serafim Kollross
Mandato 2026/2029 – Sergio Faraco
Mandato 2026/2029 – Adilson Pagani Ramos
Mandato 2026/2029 – Liliane Maria Novaes
Mandato 2026/2029 – Juliano Muller
Mandato 2026/2029 – Márcia Regina Mendes da Silva Dias
Mandato 2026/2029 – Luiz Ricardo Espíndola

Conselheiros Suplentes
Mandato 2026/2029 – Michele Patricia Roncalio
Mandato 2026/2029 – Carlos Vanderley Porfirio
Mandato 2026/2029 – Fernando Richartz
Mandato 2026/2029 – Juliana Freitas da Silva
Mandato 2026/2029 – Jefferson Fernando Grande
Mandato 2026/2029 – Ademir Scapinelli
Mandato 2026/2029 – Bianca dos Santos Ribeiro de Oliveira
Mandato 2026/2029 – Marcos Vinicius de Avila Bispo
Mandato 2026/2029 – Vitor Paulo Rigo
Mandato 2026/2029 – Camila Freitas de Faveri
Mandato 2026/2029 – Gislei Hemsing
Mandato 2026/2029 – Victor Brito de Souza
Mandato 2026/2029 – Gustavo Barreto Dresch
Mandato 2026/2029 – Daniela Rosa dos Santos

Leia também

Aeroporto lota de jatinhos enquanto Chapecó é a “capital” mundial da indústria da carne

Quem é a catarinense na lista das 16 mulheres mais poderosas do Brasil, segundo a Forbes

Jurerê Internacional inaugura parque com área igual a 15 campos de futebol

Governo de SC lança programa para renegociar dívidas de ICMS, IPVA e imposto de herança

Marinha recebe primeira fragata Classe Tamandaré de projeto bilionário feito em SC

Urbano Alimentos anuncia novo presidente, um executivo da família fundadora