O governo de Santa Catarina iniciou há 20 dias contatos com a empresa chinesa Shein, um dos marketplaces que mais vendem moda no Brasil, visando atrair uma parte da produção e da logística da companhia ao Estado. O secretário de Planejamento, Edgard Usuy, que iniciou as tratativas com a empresa, diz que as expectativas são positivas. Duas executivas da Shein estiveram em Florianópolis sexta-feira (28) para conversar com representantes do governo e da Federação das Indústrias de SC (Fiesc).

Continua depois da publicidade

Receba as principais notícias de Santa Catarina pelo WhatsApp

Desde que o governo federal anunciou que estudava a tributação das vendas de marketplaces internacionais, a Shein passou a estudar nova estratégia do seu negócio para o Brasil e aos países das Américas.

O plano é investir R$ 750 milhões para concentrar no Brasil 85% da produção que atenderá o país e demais mercados americanos num prazo de três anos. Para isso, a Shein busca cerca de 2 mil empresas parcerias, principalmente de confecções e calçados. Prevê que esse movimento vai gerar cerca de 100 mil empregos entre diretos e indiretos.

Além de SC, a empresa conversa com o governo de São Paulo e também com grupos empresariais, entre os quais a Coteminas e a Tecidos Santanense. Essas duas já assinaram acordo com o grupo chinês.  

Continua depois da publicidade

Em SC, participaram das reuniões a diretora de assuntos governamentais da Shein no Brasil, Ana Beatriz Almeida, e a head de Moda da empresa, Fabiana Merlino Magalhães. O secretário Edgard Usuy conhecia uma das executivas e iniciou contato antes de a empresa anunciar o plano de concentrar a produção de moda no Brasil.

– Iniciamos contatos institucionais para que a gente começasse conversas, a estabelecer um cronograma de atividades para o Estado levantar os dados que a empresa precisa para analisar o nosso mercado – afirmou o secretário.

O próximo passo será a assinatura de um memorando de entendimento entre o Estado e a empresa para seguir as conversas com o sigilo necessário em algumas etapas. O objetivo é dar apoio ao setor produtivo nessas parcerias, informando sobre alternativas de produção e logística, em especial nas áreas de portos e aeroportos.

Segundo Edgar Usuy, o modelo produtivo proposto pela empresa é complementar ao catarinense, que sedia um dos maiores polos desenvolvedores de moda do Brasil. A Shein busca parcerias com empresas que possam atuar com uma metodologia nova, que possibilita fazer com tecnologia, rapidez e qualidade.

Continua depois da publicidade

– As executivas falaram que a Shein precisa de empresas que entendam o projeto para fazer acontecer porque as etapas de produção e de logística precisam ser muito bem calculadas, para que consigam velocidade de entrega. Assim, podem baratear custos e ter preço competitivo – explica Edgard Usuy.

A reunião na Fiesc foi com o empresário Giuliano Donini, presidente da Câmara da Indústria Têxtil e de Confecções (Câmara da Moda), e outros executivos. De acordo com o secretário de Planejamento, o setor produtivo catarinense entendeu que não se trata de uma grande empresa que chega para fazer concorrência com as já estabelecidas no Estado, mas uma empresa que vai agregar para a indústria local outras metodologias e maior volume produtivo.  

As empresas parceiras da Shein poderão seguir com as suas atividades e acrescentar mais uma área para atender a chinesa, seguindo os métodos que ela vai trazer. As executivas, que já conhecem o parque fabril catarinense e fizeram algumas visitas anteriores, observaram que uma diferença é que, na China, algumas empresas são ultrafocadas. Tem quem só fabrica camisa branca. Assim, na hora de crescimento pontual de demanda, essas focadas conseguem atender mais rápido.

O diretor de Atração de Investimentos e Parcerias do governo de SC, Renato Lacerda, que atua junto à secretaria de Estado da Fazenda e também participou das reuniões, disse que uma das preocupações manifestadas pelas executivas é com a carga tributária brasileira. Mas nada foi tratado ainda sobre tributação em SC.

Continua depois da publicidade

Segundo ele, as executivas também deixaram claro que as normas ESG, de preservação ambiental, responsabilidade social e governança são prioridades para a Shein. E para a adoção de novos processos produtivos, a expectativa é contar com apoio do Sistema Fiesc, por meio do Senai-SC. Mas isso ficou para ser tratado em uma nova oportunidade porque o presidente da federação, Mario Cezar de Aguiar e outros diretores estavam em viagem à Ásia.  

Na reunião de sexta-feira, na sede do governo de SC, além de Edgard Usuy e Renato Lacerda, participaram também o secretário-adjunto da Fazenda, Augusto Piazza; o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcelo Fett; o secretário de Articulação Internacional, Juliano Froehner; o secretário-adjunto de Indústria, Comércio e Serviços, Jonianderson Menezes; e o executivo Rodrigo Prisco, que atua na área de atração de investimentos e parcerias.  

Leia também

Empresas de SC informam que têm tecnologias para cidades seguras e inteligentes

Santa Catarina recebe mais turistas de alta renda e por transporte aéreo

Corrupção nas prefeituras afeta imagem de SC e vai na contramão da ordem econômica mundial

Acatmar estuda uso de drones britânicos para limpar o mar em SC

Por que a Coreia do Sul inspira a Fiesc e a economia brasileira

Destaques do NSC Total