Após o segundo dia de trabalho em Washington, nos Estados Unidos, com muitas reuniões com parlamentares americanos, o senador Esperidião Amin (PP-SC) alertou que restam pouco mais de 24 horas para chegar a um acordo sobre o tarifaço de Donald Trump. Ele integra o grupo de oito senadores que negocia nos EUA para postergar o início da alíquota de 50%, pressiona por conversa entre os presidentes dos dois países e por um acordo com tarifas menores.

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– O jogo de perde-perde tem data marcada. Em 1º de agosto começa a haver a perda real, efetiva, concreta, que todos vamos perder se não houver uma postergação. Portanto, temos pouco mais de 24 horas, 48 horas, para conseguir uma decisão sensata para ambos os países, para empregos, para empresários e, acima de tudo, para algo que é mais duradouro, para a relação entre os dois países – afirmou o senador Amin em vídeo.

Os senadores têm mais esta quarta-feira para conversar com lideranças americanas e pressionar por uma solução, que, devido ao prazo limitado, pode ser uma postergação da entrada em vigor do tarifaço. Essa postergação está sendo solicitada ao governo americano pela U.S. Chamber, poderosa entidade empresarial americana, a partir de sugestão do grupo de senadores brasileiros feita a ela nesta segunda-feira.

-Vamos continuar lutando. Espero que as cabeças que têm mais capacidade de decisão, especialmente os dois chefes de Estado e de governo, possam, pelo menos, marcar uma data para começar a conversar. A partir daí, a fatalidade do dia 1º de agosto deixaria de existir – destacou Amin.

Nesta terça-feira, mais cedo, o senador catarinense, após algumas reuniões com senadores dos EUA, falou que um já informou sobre o aumento de madeiras para construção civil no mercado americano, o que seria um reflexo porque a produção de SC corre o risco de não chegar mais lá.

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Amim defendeu que o presidente Lula busque um diálogo com o presidente Donald Trump. Isso porque é um dever de “ética da responsabilidade” do cargo de Presidente da República do Brasil. Ou seja, Lula até pode não gostar de Trump, mas pela responsabilidade do cargo para o qual foi eleito, de representar os brasileiros, deveria falar com o seu par dos EUA.

Apesar de esforços do grupo de senadores, não foi possível marcar uma conversa entre Lula e Trump para discutir um acordo para o tarifaço antes que entre em vigor. A expectativa, então, é de que o governo dos EUA adote tarifas gerais para o Brasil, a exemplo de outros países, e siga negociando.

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