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Duplicação da BR-470: SC precisou pagar até para doar dinheiro a Brasília

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Por Evandro de Assis
17/08/2021 - 17h59 - Atualizada em: 17/08/2021 - 18h05
Com o acordo, BR-470 terá R$ 300 milhões do Estado, só não se sabe quando
Com o acordo, BR-470 terá R$ 300 milhões do Estado, só não se sabe quando (Foto: Patrick Rodrigues)

Carlos Moisés (sem partido) venceu uma batalha política na audiência com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, sobre a duplicação da BR-470. Ele e a numerosa comitiva catarinense em Brasília tornaram irrecusável a proposta de R$ 300 milhões para a rodovia do Vale do Itajaí e espantaram para o acostamento o bode que DNIT e senador Jorginho Mello (PL) haviam deixado sobre o asfalto. Se o dinheiro chegar, a obra dispara.

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Bom para quem trafega pela rodovia. A duplicação nunca viu tanto dinheiro. Por outro lado, têm razão os catarinenses que se sentem desprestigiados por Brasília. Afinal, até para fazer doação ao governo será preciso pagar um extra. E sem garantias muito concretas de que o investimento atenderá à pressa dos catarinenses por melhorias na malha rodoviária.

A nova oferta de Moisés pegou Tarcísio no contrapé. Às 8h de terça-feira (17), antes da reunião, o ministro havia recebido o secretário de Infraestrutura do Estado, Thiago Vieira. Ouviu outra vez que Santa Catarina insistia em aplicar os R$ 200 milhões já aprovados pela Assembleia Legislativa — além dos R$ 100 milhões da BR-163 e dos R$ 50 milhões da BR-280 — nos lotes 1 e 2, entre Navegantes e Gaspar. Irredutível, manteve a defesa de espalhar o dinheiro: R$ 50 milhões em cada um dos quatro lotes até Indaial.

A negativa ativou o plano B e Moisés sentou à mesa da Comissão de Infraestrutura do Senado com R$ 100 milhões na manga do paletó. Ouviu por três horas e meia longas explanações de senadores e do ministro sobre demandas de outros estados. Às 13h30min, quando finalmente recebeu a palavra do presidente da Comissão, senador Dário Berger (MDB), mostrou o dinheiro.

Num primeiro momento, Tarcísio Gomes de Freitas seguiu o roteiro que havia programado. Sustentou com vídeo e apresentação de slides que a melhor alternativa era pôr o dinheiro nos quatro lotes porque "solos moles" atrapalhariam a sequência dos trabalhos nos lotes 1 e 2. Foi então que Moisés o interrompeu:

— Ministro, acho que há um problema de entendimento aí. Quando a gente fala de convênio, a gente não fala de execução de obra. A obra vai andar de acordo com a capacidade do ministério. Nós vamos fazer um convênio para aportar recursos até a obra terminar.

— Perfeito, o que nós não podemos perder é a nossa capacidade de ver onde é que a gente está precisando mais do recursos. Se a gente pode avançar nos quatro lotes, por quê não? — questionou Tarcísio.

— Nós vamos avançar nos quatro lotes, essa é a proposta. Não com R$ 40 milhões, como foi proposto, mas com R$ 100 milhões — respondeu o governador.

— Isso está fechado, resolve o problema. Isso aí está resolvido — concluiu o ministro.

Aplausos tímidos foram puxados por senadores presentes. Tarcísio foi questionado mais duas vezes para que deixasse claro: era um acordo que estava firmando com Santa Catarina.

Bode à espreita

Embora tenha sido dobrado pelos catarinenses, o ministro da Infraestrutura deixou no ar a possibilidade de chamar o bode de volta para o meio do canteiro de obras. Disse que o convênio a ser firmado tem de incluir os R$ 100 milhões adicionais. Ou seja, será preciso esperar a Assembleia aprovar o movimento do governador. Isso dificilmente ocorrerá ainda em agosto, como gostaria Moisés.

A oferta milionária feita em janeiro para acelerar a duplicação da BR-470 só deve se concretizar oito meses depois. Para o dinheiro chegar às empreiteiras que tocam as obras, talvez um pouco mais adiante.

Essa demora, nem pagando dá para resolver.

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