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    Disparada de casos

    Morte de bebê alerta para surto de coronavírus na terra indígena do Alto Vale do Itajaí

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    Por Evandro de Assis
    11/08/2020 - 14h21 - Atualizada em: 11/08/2020 - 20h13
    Aldeias indígenas ficam nos municípios de José Boiteux (foto), Doutor Pedrinho e Vitor Meireles
    Aldeias indígenas ficam nos municípios de José Boiteux (foto), Doutor Pedrinho e Vitor Meireles (Foto: Gilmar de Souza, BD)

    Disparou o número de casos de Covid-19 na terra indígena Ibirama-La Klãnõ, no Alto Vale do Itajaí. Até 3 de agosto, havia apenas um diagnóstico no território, onde vivem cerca de 2,3 mil pessoas, a maioria das etnias xokleng e caingangue. Nesta terça-feira (11), o número de doentes é estimado em uma centena, com uma morte — um bebê recém-nascido, a vítima mais jovem do novo coronavírus em Santa Catarina.

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    Na sexta-feira (7), os prefeitos de José Boiteux, Doutor Pedrinho e Vitor Meireles, além do cacique-presidente da terra indígena, Faustino Cricri, enviaram um ofício ao governo estadual pedindo "intervenção imediata e urgente". Faltam dinheiro, medicamentos, profissionais de saúde e equipamentos.

    Segundo indígenas ouvidos pela coluna, a explicação para o surto está na testagem. As três prefeituras vizinhas começaram a repassar testes do tipo RT-PCR aos profissionais da Secretaria Estadual de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, que percorrem as nove aldeias atrás de casos suspeitos. Até a semana passada os índios só contavam com testes rápidos, ineficazes para diagnóstico.

    Quando as equipes visitam uma família numerosa com caso suspeito de Covid-19, precisam examinar apenas os de maior risco, porque não há testes para todos. Na terra indígena, é comum que uma única casa abrigue avós, pais, irmãos e filhos pequenos. Isolar pessoas saudáveis dos contaminados é tarefa quase impossível. Numa moradia, 28 pessoas infectaram-se, segundo o cacique-presidente.

    — Pedimos que eles se isolassem dentro de casa, porque não adianta trazer todo mundo pra fora — conta Faustino Criri.

    A última atualização oficial do número de casos ocorreu na sexta, quando havia 60 pacientes positivos. Mas ao longo do fim de semana e na segunda-feira, surgiram dezenas de novos casos.

    Desde o início da pandemia, lideranças xokleng e Funai organizaram barreiras sanitárias para tentar proteger a população do coronavírus. Tendas antigas do Exército são usadas como alojamento. Porém, como muitos dos indígenas precisam sair das aldeias para trabalhar, o contágio foi inevitável.

    Agora, além da Covid-19, há preocupação com o sustento da população indígena em isolamento social. Organizações não governamentais do Médio Vale do Itajaí têm se mobilizado para enviar alimentos, máscaras e equipamentos de proteção individual para profissionais de saúde.

    Saúde indígena

    O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), ligado à Sesai, com sede em Florianópolis, informou que possui o registro de 47 casos de Covid-19 na terra indígena do Alto Vale. O órgão garantiu que não faltam testes do tipo rápido para atender à população.

    Uma equipe de enfermagem foi enviada ao Alto Vale na segunda-feira. Segundo o DSEI, uma Unidade de Atendimento Primário Indígena (UAPI) está sendo montada próximo às aldeias para atendimento dos casos leves.

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