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Análise

Santa Catarina afrouxa restrições à medida em que a pandemia de Covid-19 se agrava

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Por Evandro de Assis
02/03/2021 - 11h35
Diferente do pico de julho-agosto, transporte coletivo funciona no pior momento da panemia
Diferente do pico de julho-agosto, transporte coletivo funciona no pior momento da panemia (Foto: Patrick Rodrigues)

As medidas do governo de Santa Catarina para restringir a circulação do coronavírus ficaram mais brandas conforme a pandemia agravou-se. Apontado como modelo nacional, no primeiro semestre do ano passado, quando uma quarentena geral atrasou o ritmo da transmissão comunitária, o Estado agiu na contramão da doença desde então. Afrouxou o rigor no pico de julho-agosto, abriu quase tudo na temporada de verão e, agora, quando a Covid-19 colapsa o sistema de saúde, até as aulas presenciais seguem normalmente.

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Os decretos estaduais em vigor, publicados depois de um vaivém entre a Capital e os municípios, são menos restritivos do que os vigentes no Paraná e no Rio Grande do Sul. Por aqui, quase tudo funciona até meia-noite, com restrições de público e regras de convivência. Somente aos fins de semana há um bloqueio para atividades consideradas não essenciais.

No primeiro pico, transporte coletivo, bares, restaurantes e eventos sociais sofreram restrições sérias. Na esteira das decisões estaduais, municípios decretaram medidas ainda mais duras. O resultado foi uma queda repentina nos números de casos, internações e mortes.

Entre novembro e janeiro, os gráficos da Covid-19 apontaram para cima novamente. Porém, pressionado pela crise política que quase lhe custou o cargo, o governador Carlos Moisés (PSL) assumiu conduta diferente. Afrouxou regras para setores como hotéis, eventos e casas noturnas — agora apontadas como vilãs. Em sintonia com a Assembleia Legislativa, liberou as aulas presenciais até nas regiões em nível gravíssimo. Veio o fim do ano, e os números cederam, mas permaneceram em patamar muito elevado.

Tão elevado que Santa Catarina foi dele ao colapso em menos de um mês. Há mais de 200 pessoas na fila de espera por um leito de UTI. Pacientes estão sendo transferidos ao Espírito Santo. Faltam médicos, enfermeiros e fisioterapeutas. O Ministério da Saúde não libera verba para pagar as internações.

Apesar do quadro alarmante, a situação ainda tem potencial para piorar. O Vale do Itajaí, por exemplo, não atingiu o patamar de casos de novembro-dezembro. Hospitais de Blumenau ainda têm absorvido demanda extra de outras regiões. É incerto o impacto da volta às aulas na situação geral daqui em diante.

O secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, recomendou medidas mais drásticas aos municípios. O colegiado de secretários estaduais pediu um lockdown nacional para abafar a onda de contaminação. Órgãos de controle e fiscalização em Santa Catarina pressionam para ações mais efetivas. Há histórico, afinal.

Todos os apelos técnicos, porém, esbarram na opinião de dezenas de entidades empresariais que advogam o contrário, pressionando deputados e o entorno do governador. Um ano depois dos primeiros casos, essas vozes soam mais alto nos ouvidos de Moisés do que as de 200 famílias desesperadas por um leito de UTI para socorrer os seus.

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