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“Colapso” é pouco para descrever o perigo que SC aceitou encarar na pandemia de Covid-19

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Por Evandro de Assis
25/02/2021 - 06h00 - Atualizada em: 25/02/2021 - 21h08
Governo demora para implementar medidas que reduzem as chances de contágio
Governo demora para implementar medidas que reduzem as chances de contágio (Foto: Patrick Rodrigues, BD, Santa)

“Colapso” não funciona mais. Ninguém mais sensibiliza-se com ele. Os hospitais lotam, pacientes são transferidos, gente fica sem atendimento, quase metade dos internados em UTIs morre e nada acontece. Contam-se as vítimas aos milhares, os sequelados talvez nunca seremos capazes de dimensionar.

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Calamidade, tragédia, flagelo... Santa Catarina precisa de novos verbetes para descrever com exatidão o perigo que aceitou enfrentar na pandemia de Covid-19. “Colapso” é insuficiente e não sensibiliza ninguém. Ainda mais na boca de prefeitos que negaram o risco e agora apelam por ajuda.​

Nos últimos 11 meses, sobraram "isolamento vertical", "imunidade de rebanho", "convivência com o vírus" e "tratamento precoce" — este, erradamente, sinônimo de cloroquina e ivermectina, medicamentos comprovadamente ineficazes contra o novo coronavírus. Faltaram testes, rastreamento de contatos, desestímulo à circulação de pessoas e coragem para pôr o pé no freio quando tudo deu errado. Está dando errado de novo. Muito errado, nesta terceira vez.

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Há expressões, porém, que funcionam para gerar reação no público cansado. “Medidas restritivas”, por exemplo. “Fechar o comércio”. Ou a pior de todas: “lockdown”. Mencione-se a possibilidade de repetir as poucas experiências bem-sucedidas — em março e depois em julho — para ouvir o ódio em resposta.

— As pessoas precisam entender que é uma doença de pessoa contaminando pessoa — disse o secretário André Motta Ribeiro, na recente a Blumenau, pedindo o fim das aglomerações.

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O que falta explicar é por que o governo demora tanto para desencorajar encontros. Por que não impede o funcionamento de ambientes com janelas e portas fechadas, por que não manda trabalhar em casa todo mundo que pode estar fora de um escritório, por que só agora interdita as baladas, por que abre o ano letivo presencial sem um plano consistente para reagir aos surtos nas escolas e creches.

Enfrentar o vírus “de peito aberto”, como disse o presidente, trouxe-nos à situação atual. Quantos sofrerão e por quanto tempo, depende das atitudes que a sociedade exigirá agora.

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