Acionistas cobram Teka sobre proposta de venda e falta de transparência; empresa responde

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Empresa de Blumenau esteve no alvo de holding de São Paulo (Foto: Patrick Rodrigues, BD)

Acionistas minoritários da Teka, que detêm cerca de 20% dos papéis da fabricante de artigos de cama, mesa e banho de Blumenau, estão cobrando da empresa mais transparência na divulgação de informações que possam interessar os atuais e potenciais futuros investidores. Eles alegam que a diretoria estaria deixando de comunicar fatos relevantes ao mercado, algo obrigatório para companhias de capital aberto que negociam ações na Bolsa de Valores.

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Em notificação enviada à empresa, o grupo cita como exemplo a proposta de compra feita pela Bretton Participações, detalhada em primeira mão pela coluna. A holding chegou a celebrar um contrato de opção de compra das ações controladas por Frederico Kuehnrich Neto, ex-presidente da Teka afastado por decisão judicial, em um negócio avaliado em R$ 180 milhões.

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Na proposta apresentada, os interessados disseram estar dispostos a investir pelo menos R$ 25 milhões na companhia, aporte que poderia dobrar para R$ 50 milhões. O juiz responsável pela recuperação judicial da Teka, no entanto, determinou que qualquer negociação deveria permanecer suspensa, já que os papéis em questão estavam bloqueados pela Justiça. Mais tarde a Bretton acabou desistindo do negócio alegando demora na análise da oferta.

Na notificação, os minoritários sustentam que a oferta não foi comunicada ao mercado e que ela só veio à tona após a publicação feita pela coluna. “Fato é que a empresa tinha ciência da proposta de venda e sequer divulgou”, diz o documento.

O grupo alega ainda que a Teka teria reavido alguns imóveis transferidos para outras empresas e que esta informação também não teria se tornado pública. Além disso, questiona a não divulgação de supostas renegociações feitas durante a recuperação judicial e de um licenciamento da operação de e-commerce para um prestador de serviços terceirizado.

“Existem diversos fatos sendo omitidos e que podem impactar positivamente a visibilidade da empresa perante o mercado e, consequentemente, influenciar nos valores das ações da companhia”, justificam os acionistas minoritários.

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O que diz a Teka

A Teka respondeu a notificação em um comunicado oficial divulgado ao mercado nesta quinta-feira (14). O documento é assinado pela presidente Fabiane Paula Esvicero, que também acumula o cargo de diretora de relação com investidores.

Sobre a proposta de compra, disse que a Bretton tratou a oferta na esfera judicial e que por isso era necessário “respeitar o rito escolhido pela proponente”. Também se defendeu dizendo que não houve omissão, já que os termos foram apresentados nos autos do processo de recuperação judicial, que são públicos.

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A empresa informou que se posicionou contrária à proposta por entender que o investimento estimado pela Bretton ocorreria por meio de capital de terceiros. Acrescentou ainda que “a companhia, com custo financeiro reduzido, já dispõe das linhas (de crédito) necessárias e que a implantação como sugerida impactaria em retrocesso e aumento de custo”. E voltou a reforçar que as ações não poderiam ser negociadas por estarem bloqueadas.

A respeito do licenciamento do e-commerce, a Teka esclareceu que foi firmado um contrato de fornecimento e cessão de uso da marca para que, mediante prévia aquisição, os produtos fossem vendidos pela internet a pessoas físicas, “sendo que a cessão da marca foi somente para divulgação dos produtos que seriam comercializados”. A empresa disse que este contrato já foi encerrado.

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Sobre os outros dois pontos, a companhia informou que não houve retomada de imóveis e que, salvo os negócios em que se recorreu à cláusula de aceleração prevista no plano de recuperação judicial, não houve a renegociação de dívidas.

Em resposta a um pedido dos minoritários pela implantação de um conselho fiscal com representantes do grupo, a Teka alegou que o atual formato e composição do colegiado foi definido pela Justiça e que eventual alteração somente seria possível mediante prévia autorização judicial.

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Para finalizar, a Teka se comprometeu a criar um novo canal eletrônico de comunicação junto aos acionistas, que estará disponível em seu site e será informado ao mercado.

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