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    Coluna de sábado

    As chapas do perdão na eleição 2020 em Florianópolis

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    Upiara
    Por Upiara Boschi
    19/09/2020 - 17h09

    Há muitos reencontros e reconciliações nas alianças compostas para enfrentar a candidatura de Gean Loureiro (DEM) à reeleição em Florianópolis nas eleições 2020. Tanto na aliança de última hora entre o PP de Angela Amin e o PSDB do atual vice João Batista Nunes quanto na frente de partidos de esquerda liderada por Elson Pereira (PSOL) muitas mágoas do passado foram deixadas para trás em nome da competitividade contra o favoritismo do atual prefeito.

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    Desde que pede voto, João Batista tem enfrentado os Amin - para tristeza do pai, antigo eleitor de Esperidião. O tucano brincou que foi ele o mais feliz com a concretização da aliança que faz dele um inusitado candidato a ser três vezes vice-prefeito em chapas lideradas por nomes diferentes. João Batista foi vice de Dário Berger (MDB) em 2008, ainda pelo PR (atual PL), quando derrotaram justamente Amin no segundo turno.

    A única vez que estiveram juntos na trincheira foi em 2012, quando Cesar Júnior (PSD) se elegeu com João Amin de vice e apoio do PSDB. Na eleição seguinte, Angela perdeu os tucanos na última rodada de conversas e João Batista virou vice de Gean Loureiro (ainda no MDB) na mais acirrada disputa pela prefeitura da Capital.

    Principal líder do PSDB em Florianópolis, o deputado estadual Marcos Vieira disse ao prefeito que o partido deixaria a chapa se perdessem a vaga de vice. Gean achou que era blefe, pagou para ver e escolheu o empresário Topázio Silveira Neto (Republicanos). Assim, Vieira bateu à porta de Angela, que já conversava com o ex-adversário Dário Berger. Em algum momento da política da Capital, todos esses personagens que agora estão juntos tiveram suas rusgas, seus enfrentamentos. Pode-se dizer que é a chapa do perdão - se assim o eleitor entender.

    Na esquerda, as rivalidades internas entre partidos também tiveram que ser superadas. O PCdoB de Angela Albino ficou fora do segundo turno em 2012 por causa da surpreende ascensão do novato Elson. Os comunistas, no entanto, eram criticados pelas alianças com Raimundo Colombo e Gelson Merisio. Dois exemplos de mágoas que tiveram que ser deixados de lado. Ou, como diz um dirigente esquerdista, todo mundo sabia que pecou em algum momento. Se todos pecaram, todos podem perdoar.

    Frase

    Com essa atitude de apoiar a adversária fica claro tamanho da lealdade dele.

    Gean Loureiro (DEM), prefeito de Florianópolis, sobre o vice João Batista Nunes, candidato à reeleição na chapa de Angela Amin. O tucano sempre afirmou que a lealdade ao prefeito era seu maior atributo para continuar na chapa.

    Outra frase

    O que o eleitor vai entender que eu fui traído. O eleitor não vai estranhar porque eu sou vice da Angela, vai estranhar porque o Gean trocou o vice.

    João Batista Nunes (PSDB), justificando a adesão à adversária.

    Candidatos

    Inusitado encontro na Alesc
    Inusitado encontro na Alesc
    (Foto: )

    Gean Loureiro esteve na Assembleia Legislativa na véspera da votação do impeachment e foi flagrado conversando animadamente com dois deputados estaduais que estarão, como ele, disputando as eleições de novembro. No entanto, Ricardo Alba (PSL) e Ivan Naatz (PL) serão adversários em Blumenau - ambos competindo, como na foto, para ver quem está mais à direita. Neste clique, Naatz.

    BR-282

    Para sair do papel depois de 24 anos, a frente de esquerda de Florianópolis teve que resolver questões até em Chapecó. Presidente estadual do PSB, Claudio Vignatti resistia ao apoio à coligação que terá Elson Pereira (PSOL) candidato a prefeito e Lino Peres (PT) como vice. Além da atuação de PSOL e PDT junto ao presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, também foi construída a retirada da pré-candidatura de Pedro Uczai (PT) para que os petistas apoiassem Vignatti em Chapecó.

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    Primeiro round

    Em sua terceira tentativa de ser prefeito de Joinville, o deputado federal Darci de Matos (PSD) superou desconfianças sobre potencial eleitoral e acabou sendo o vencedor da etapa pré-eleitoral ao conquistar a maior aliança. Contra o isolamento, Fernando Krelling (MDB) recorreu ao PSL, que retirou Dalmo Claro do páreo na tentativa de sensibilizar o emedebista na questão do impeachment de Moisés. Como não sensibilizou, Dalmo voltou a ser candidato a Krelling atraiu o PSB.

    Atarefado

    Os muitos papéis de João Amin
    Os muitos papéis de João Amin
    (Foto: )

    O deputado estadual João Amin (PP) passou a semana entre articulações. Na Alesc, como presidente da comissão especial do impeachment, estava no centro das discussões sobre o futuro do governo Carlos Moisés (PSL). Ao mesmo tempo, participava das negociações que levaram à maior surpresa das eleições em Florianópolis: o apoio do PSDB à candidatura a prefeita de Angela Amin (PP), com o atual vice-prefeito João Batista Nunes (PSDB) como companheiro de chapa.

    A sombra

    Os rumores de que o ex-deputado estadual Gelson Merisio (PSDB) havia entrado com tudo na campanha para ajudar Carlos Moisés, seu algoz no segundo turno das eleições de 2018, mexeram com os bastidores políticos na semana que passou. Mesmo contrário ao impeachment, ele não participou tão ativamente quanto se alardeou. Trabalhou mesmo pelo apoio dos tucanos a Angela Amin em Florianópolis e para robustecer a chapa de Marcio Sander (PSDB) em Chapecó.

    Concisas

    - As convenções terminaram com número recorde de candidaturas a prefeito nas maiores cidades do Estado. Os franco-atiradores estão à solta.

    - O prefeito chapecoense Luciano Buligon vai precisar rever o gerenciamento de carreira política. Por afinidade com Moisés aderiu ao PSL e acabou destituído da presidência do partido por causa de um mísero voto na Alesc.

    - Com fim das convenções partidárias e véspera de votação do impeachment, a madrugada de quarta para quinta foi a mais longa da história política de SC.

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