Quarta-feira de chuva forte em SC tem registro de enchente, deslizamento e alerta do Estado

Além de chuvas ainda intensas, Estado passa a ter fortes rajadas de vento nesta quarta, conforme a Epagri/Ciram

Compartilhe:

Estragos envolvem inundações, deslizamentos e até mortes (Foto: Patrick Rodrigues, Santa/Felipe Sales, NSC TV/Alan Pedro, Arquivo Pessoal)

Pelo terceiro dia seguido, cidades de Santa Catarina lidam com os transtornos relacionados às chuvas intensas que atingem o Estado. As ocorrências até esta quarta-feira (4) envolvem deslizamentos, alagamentos, enchentes, inundações, famílias desabrigadas, desalojadas e até mortes.

Continua após a publicidade

> Receba notícias de Santa Catarina via Telegram

O mau tempo é causado por um ciclone extratropical, que agora, já formado no Sul do país, passa a gerar também fortes ventanias e maior agitação no mar

Continua após a publicidade

Municípios catarinenses terão que enfrentar rajadas de vento com velocidade de até 80 km/h — em especial os do Litoral Sul, da Grande Florianópolis e da Serra, que já acumulam maior volume de precipitação até aqui.

Veja os impactos do fenômeno metereológico nas diferentes regiões de Santa Catarina.

Litoral Sul

A Defesa Civil mantém situação de alerta, de nível vermelho, para o Litoral Sul na manhã desta quarta, por conta do volume de chuvas, com risco alto para ocorrências associadas. A classificação é a mesma no que se refere ao risco de inundações. Em relação às rajadas de vento, é sinalizada atenção, da cor laranja, pelo órgão.

Em Tubarão, a Prefeitura local, sob gestão Joares Ponticelli (PP), decretou situação de emergência, o que permite deslocar funcionários e realizar compras com dispensa de licitação para minimizar os estragos.

Continua após a publicidade

O comércio e atividades não essenciais estarão suspensas a partir do meio-dia devido ao risco de novos alagamentos com a expectativa de transbordamento do Rio Tubarão, que corta a cidade. A rede pública de educação tem aulas suspensas e algumas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) estão fechadas.

O município já tem cerca de 60 pessoas desalojadas, que foram removidas de áreas de risco. Elas foram deslocadas para casas de familiares e equipamentos públicos da prefeitura. Também foram disponibilizados outros locais para isso, como igrejas.

Continua após a publicidade

Há alagamentos em diversas regiões. Em uma via próxima ao rio, um morador foi visto circulando de caiaque durante a manhã. Ele atravessava a rua Padre Geraldo Spettmann, uma das principais da cidade e que serve de entrada ao município, ligando uma via paralela à rodovia BR-101 à região central. Ela também abriga a rodoviária local.

Alguns bairros também sofrem com quedas de energia. O município de Tubarão é atendido pela Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), que, em seu núcleo Sul, também identificou problemas em Laguna, Jaguaruna e Garopaba.

Continua após a publicidade

Em Criciúma, são atendidas ocorrências em todas as partes do município, mas com maior atenção ao bairro Sangão, cortado por um rio que chegou a transbordar. Não houve, no entanto, dano material de grande proporção por conta disso, nem vítimas fatais em meio às chuvas, segundo o coordenador da Defesa Civil criciumense, Fred Gomes.

— O nível dos rios está dentro do risco aceitável. A gente faz esse monitoramento a cada duas horas, ou mesmo de hora em hora, dependendo do ponto da cidade. E hoje a chuva deve ser menor, temos uma previsão de 50 milímetros — disse.

Continua após a publicidade

Ainda segundo ele, o município teve quedas de muros e de postes, entre outros estragos. Além disso, duas famílias precisaram ser resgatadas por estarem ilhadas em meio a alagamentos e agora estão abrigadas em residências de parentes.

Também na região, Orleans, onde uma escola ficou com parte de sua estrutura exposta no dia anterior, e Rio Fortuna ganharam alerta máximo para deslizamentos, o mais alto na escala de risco da Defesa Civil.

Continua após a publicidade

Em Pedras Grandes, município vizinho, o km 462 da rodovia SC-370 precisou passar por limpeza após ser tomado de lama. Já em Braço do Norte, há risco de circulação em uma ponte que tem rumo a Grão-Pará, devido ao nível do rio que passa pela cidade — os dois municípios também estão com risco máximo de deslizamentos.

Ainda em Braço do Norte, foi identificado problema de abastacimento pela Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), tal como em Lauro Müller.

Continua após a publicidade

Planalto Sul

A região do Planalto Sul, em especial na parte que integra a Serra catarinense, iniciou o dia com situação de alerta por conta das chuvas. Na rodovia SC-110, em trecho que liga Urubici a São Joaquim, uma parte da pista está cedendo, à beira de um barranco, conforme comunicou a Polícia Militar Rodoviária (PMRv).

Foram identificados problemas ainda em ao menos outros cinco trechos de rodovias na região serrana. Na SC-390, em Bom Jardim da Serra, uma rachadura na posta acabou ampliada no km 383. Já na Serra do Corvo Branco, houve queda de barreira e deslocamento de rochas, com risco ainda de novos deslizamentos.

Continua após a publicidade

Em Lages, o nível do Rio Carahá tinha estado crítico já na manhã desta quarta. Na medição em uma estação no bairro Caça e Tiro, a água estava em 4.77 metros, com alto risco de transbordamento.

Grande Florianópolis

A Grande Florianópolis foi outra região que iniciou o dia em situação de alerta pela chuva e pelo risco de inundações. Na capital catarinense, já havia 235 milímetros de precipitação acumulada de segunda (2) à manhã desta quarta, volume equivalente a quase três vezes do que era esperado para o mês de maio, de 80 mm, segundo a Epagri/Ciram.

Continua após a publicidade

Florianópolis segue com alagamentos nas ruas. Há ainda problema de abastecimento de água na região da Agronômica, em especial na comunidade do Morro do Céu, devido a um vazamento oculto, segundo a Casan. A companhia também faz reparos nos municípios de Santo Amaro e Águas Mornas, que só devem ter situação normalizada nesta quinta (5).

Ainda na região, a Celesc identificou quedas de postes em Palhoça, Angelina e Nova Trento, o que afetou o fornecimento de energia ao menos nestes dois últimos municípios.

Continua após a publicidade

Litoral Norte

A maior parte do Litoral Norte está em situação de observação pela Defesa Civil, em nível mais recuado, o amarelo, mas, ainda assim, enfrenta problemas associados às chuvas. Jaraguá do Sul e São Francisco do Sul, por exemplo, tinham risco muito alto e alto, respectivamente, para deslizamentos pouco antes de meio-dia.

Joinville registrou cheias, queda de árvore e grande volume de chuva entre a noite de terça (3) e a manhã seguinte. O ponto mais crítico, de acordo com a Defesa Civil local, é um alagamento registrado no final da Estrada Arataca, no acesso ao bairro São Marcos, que impede a circulação de veículos por ali.

Continua após a publicidade

Uma vistoria foi feita ainda na manhã desta quarta no local, em uma região baixa da bacia do Rio Águas Vermelhas. Tradicionalmente, quando ocorrem períodos como esse de chuva, o trecho fica alagado, segundo a Defesa Civil.

Até o momento, no entanto, a água não invadiu as casas e também não há nenhuma família isolada. O município orienta que moradores da região que precisam sair do bairro desviem pelo Morro do Meio.

Continua após a publicidade

Meio-Oeste

No Meio-Oeste, sob estado de atenção pela Defesa Civil, o nível laranja, o volume de precipitação acumulado até aqui é menor se comparado à porção de Santa Catarina mais próxima ao litoral. No entanto, a região também segue registrando estragos pelas chuvas.

Na rodovia SC-453, em trecho que vai de Luzerna a Ibacaré, no km 60, há interdição total da via por causa do nível de água do Rio do Peixe, que transbordou para a pista. Também houve bloqueios em trechos da SC-464, de Arroio Trinta para Iomerê, e da SC-135, em Pinheiro Preto, por alagamento e queda de barreira, respectivamente.

Continua após a publicidade

Em Curitibanos, a queda de uma barreira na rodovia SC-120 deixou um motorista gravemente ferido já na noite desta terça, com destroços de árvores espalhados no Km 237. O acidente ainda deixou o condutor de uma moto com uma fratura na perna.

Vale do Itajaí

As três áreas que compõem o Vale do Itajaí estão em situação de alerta para inundações. O município de Rio do Sul entrou em situação de enchente na madrugada desta quarta. O nível do Itajaí-Açu na maior cidade do Alto Vale passou dos 7 metros à meia-noite e, durante a manhã, passou de 8 metros.

Continua após a publicidade

Com tendência de alta desde a tarde de terça, o município já havia feito um alerta à população no início da noite para que estivesse preparada para a cheia. Com o nível do rio acima de 8 metros, mais de 100 ruas já são afetadas, segundo um relatório local.

A cidade tem até então 87 pessoas em abrigos, sendo cerca de 30 famílias. A rede de educação local orienta que os pais mantenham os filhos em casa se possível, apesar de ter unidades abertas, com equipes reduzidas. Unidades do saúde dos bairros Budag, Canoas e Barragem estarão fechadas.

Continua após a publicidade

Também em Rio do Sul, o trânsito seguia interrompido no km 360 da rodovia SC-350, que vai para Aurora, devido ao alagamento da pista ao menos até as 13h desta quarta, segundo a PMRv. Há um desvio pela Serra Taboão, que não suporta, no entanto, circulação de caminhões pesados.

Já em Blumenau, no Médio Vale, o nível do mesmo Rio Itajaí-Açu deve atingir 8 metros ao meio-dia desta quarta, segundo previsão repassada pelo secretário Municipal de Defesa Civil, Carlos Olimpio Menestrina, ao Santa. Se confirmada, a cheia irá configurar uma nova enchente na cidade. Com isso, ao menos cinco ruas próximas terão pontos de alagamento.

Continua após a publicidade

Em Pomerode, município vizinho, um ônibus escolar teve uma pane mecânica ao passar por um trecho alagado da rua dos Atiradores. As crianças que estavam a caminho da escola precisaram ser resgatadas pelos Bombeiros Voluntários em um bote inflável.

Leia mais

Fotos mostram estragos causados pela chuva em SC

Continua após a publicidade

Afinal, o que é um ciclone extratropical? A gente explica

Recorde de frio em SC: confira as menores temperaturas registradas na história