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Crime bárbaro

Acusada de matar grávida em Canelinha é julgada nesta quarta

Crime que chocou o Estado em agosto do ano passado será julgado em Tijucas; ao menos 16 testemunhas serão ouvidas, além da ré

24/11/2021 - 05h00

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Por Luana Amorim
Mulher foi morta em uma cerâmica abandonada
Mulher foi morta em uma cerâmica abandonada
(Foto: )

Após mais de um ano, será julgada nesta quarta-feira (24) a acusada de matar uma mulher grávida para ficar com a criança em Canelinha, na Grande Florianópolis. O caso, que chocou o Estado, ocorreu em agosto do ano passado e, desde então, a ré permanece presa. 

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A previsão é de que a sessão inicie por volta das 8h na Câmara de Vereadores de Tijucas, município vizinho à Canelinha. Não há, porém, um horário definido para o término da audiência. Além disso, devido a Covid-19, um número restrito de pessoas poderá acompanhar o julgamento. 

Ao menos 16 testemunhas devem ser ouvidas, além da acusada pelo crime. Após as falas da defesa e acusação, os jurados votam em uma sala secreta e o juiz profere a sentença.

O crime aconteceu no dia 27 de agosto de 2020. A acusada teria atraído Flávia Godinho Mafra, de 24 anos, para um chá de bebê "surpresa" e a levado até uma cerâmica abandonada da cidade, onde a golpeou com um tijolo e retirou a criança do ventre dela. A vítima só foi encontrada no dia seguinte (28), com o ventre aberto e sem o bebê. Ela estava grávida de 36 semanas.

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o objetivo da ré era pegar o bebê e criá-lo como se fosse seu filho. Depois do crime, ela teria ido até o hospital, com a criança, e alegado que teve um parto de emergência. 

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A mulher será julgada por seis crimes, de acordo com o MP: homicídio qualificado (feminicídio) contra a mãe da criança; tentativa de homicídio qualificado contra o bebê; ocultação de cadáver; dar parto alheio como próprio; subtrair o bebê da mãe; e induzir o juiz ou perito ao erro. Para a promotoria, a mulher sabia o que estava fazendo. 

— Ela sabia o que estava fazendo, sabia que era errado o que fazia e tinha controle absoluto de seus atos — alega o Promotor de Justiça, Alexandre Carrinho Muniz.

O Hora de SC tentou contato com a defesa da acusada, mas não teve retorno até a publicação. 

Júri chegou a ser adiado 

Inicialmente, o julgamento da acusada de matar Flávia aconteceria no dia 20 de outubro. Mas, a sessão foi adiada após os advogados de defesa pedirem a transferência do local do julgamento.

O pedido, segundo a advogada Bruna dos Anjos, partiu de uma suposta imparcialidade dos jurados na sentença, já que o caso ocorreu em uma cidade com poucos habitantes e teve grande repercussão. A transferência, porém, foi negada pela Justiça. 

Além disso, o marido da ré, em um primeiro momento, também foi preso por suspeita de envolvimeto no crime. Porém, o homem afirmou à investigação que não tinha ideia sobre os planos. Em julho, ele foi absolvido, segundo o promotor de Justiça, Alexandre Carrinho Muniz. 

Segundo o advogado de defesa do ex-marido da autora confessa, Ivan Martins Junior, desde o dia da prisão, o homem não teve contato com a ex e prefere não falar sobre o assunto, porque "traz à tona sentimentos que ele quer esquecer".

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Ré teve dois abortos antes de cometer o crime 

De acordo com o laudo de sanidade mental realizado pelo Instituto Geral de Perícias (IGP), ao qual o Diário Catarinense, teve acesso, a autora contou que sofreu dois abortos espontâneos durante a vida. O último foi no final de 2019, quando levou adiante a mentira da gravidez. 

Durante o exame, ela também disse que nunca foi amiga de Flávia, mas que teve uma relação de "coleguismo" durante a adolescência e uma reaproximação na vida adulta. após perceber que a conhecida estava grávida. No mesmo mês, ela teve a ideia de fazer algo. 

"Não necessariamente sabia como, mas pensava em assassinar Flávia e ficar com seu bebê", revelou o documento.

Confira os detalhes do crime: 

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