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Meio ambiente

Alga tóxica registrada pela primeira vez em SC causa morte de peixes na Lagoa da Conceição, em Florianópolis

Por causa da Fibrocapsa, pescadores de Florianópolis e turistas devem evitar entrar na água

26/02/2021 - 16h49 - Atualizada em: 26/02/2021 - 17h30

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Por Ângela Bastos
Morte de peixes preocupa moradores da Lagoa da Conceição, em Florianópolis
Morte de peixes preocupa moradores da Lagoa da Conceição, em Florianópolis
(Foto: )

A morte de peixes nas águas da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, tem como causa a ocorrência de uma alga. As análises dos técnicos das amostra recolhidas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) apontaram para a Fibrocapsa, considerada perigosa. Esta é a primeira vez que o fenômeno ocorre em Santa Catarina.

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As brevetoxinas produzidas pela Fibrocapsa japonica são um risco ao ser humano, causando sintomas gastrointestinais como náusea, diarreia, vômito e neurológicos, como formigamento, dormência e perda de controle motor.

Por causa disso, foi recomendada a suspensão do consumo de pescados daquela área, do Norte da Ponta das Almas (a Oeste) e do final da Rua dos Coroas, além de outros pontos em que haja presença de animais mortos. Além disso, é desaconselhado que pescadores e mesmo visitantes entrem nas águas. O alerta é do Instituto do Meio Ambiente (IMA) e da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram).

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- Estou muito preocupado com que os técnicos nos disseram. Nem na água a gente deve entrar, e isso vale para pescadores e banhistas – explica José Frutuoso Goés, o seu Zequinha, presidente da Colônia de Pescadores Z-11.

O resultado do laudo deixou os profissionais do mar preocupados. Agora, eles aguardam pela divulgação de um diagnóstico mais aprofundado.

- Além do cheiro muito ruim e cor escura, nós nos deparamos com uma grande quantidade de peixes mortos. A gente sabe que as espécies morreram por falta de oxigenação da água - diz Zequinha.

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Bruno Negri, presidente da Associação de Moradores da Lagoa da Conceição, também está preocupado:

- A Lagoa precisa de um monitoramento profundo para que sejam indicadas ações corretivas. Por sorte, a temperatura baixou e a chuva vai amenizar um pouco o problema causado por esta alga. Mas até quando?

FLORAÇÃO INÉDITA
Em 22 de fevereiro de 2021, moradores da Lagoa da Conceição visualizaram animais agonizando e mortos na região do Saquinho. A tese é que a mortalidade foi causada pela intensificação da eutrofização, com a floração de alga nociva e geração da zona morta.
Florianópolis
Praia do
Saquinho
Lagoa da
Conceição
O fenômeno está sendo registrado pela primeira vez no Estado de Santa Catarina. As florações de Fibrocapsa japonica ocorrem em áreas marinhas, estuarinas e lagunares. Além da salinidade adequada, o excesso de nutrientes e certa estagnação da coluna de água são necessárias para a proliferação.
*1 μ equivale à um milionésimo de metro
PERIGO
Esta microalga libera um muco que causa inflamação nas brânquias dos animais, impedindo a troca de gases necessárias à sobrevivência. Além disso produz potentes neurotoxinas e depois de mortas sua decomposição contribui para a redução dos níveis do O2 nas áreas afetadas.
ECOSSISTEMA DA LAGOA DA CONCEIÇÃO
O aumento da urbanização e a baixa qualidade da gestão do esgotamento sanitário são alguns dos fatores responsáveis pela atual situação.
Antes de 1980
áreas
úmidas
vegetação
aquática
Barra fechada / aberta com oxigênio em toda a coluna da água
entrada de
nutrientes
Antes de 2007
Barra aberta e salinização
Água salgada no fundo recebe menos oxigênio e gera a zona morta
maior entrada de nutrientes
zona
morta
zona
morta
2021
Barra aberta e salinização, somados à entrada de nutrientes e matéria orgânica, resultaram na proliferação de algas tóxicas, intensificação da zona morta e morte de animais
maior volume de nutrientes e bactérias
O rompimento da LEI-Casan, resultou na entrada de toneladas de nutrientes e matéria orgânica. Isso, somado à poluição crônica e onda de calor do período, intensificou o desenvolvimento da floração da alga e contribuiu para formação da zona morta superficial.
INFOGRAFIA: Ben Ami Scopinho, NSC Total
FONTE: Projeto Ecoando Sustentabilidade, UFSC

Ostras e mexilhões precisam de monitoramento

Para o professor Paulo Horta, do Laboratório de Ficologia da UFSC, ocorrências semelhantes em outros países, como a que ocorreu no verão passado, no Chile, não foram boas. O professor defende que deva haver um monitoramento para saber sobre a suspensão do consumo, inclusive de ostras, mas lembra que pesca e aquicultura são dependentes de sistemas saudáveis.

- Algo assim pode comprometer também o extrativismo. Muitas pessoas fazem a extração de mexilhões para subsistência ou para comercializar, e isso precisa ser acompanhado.

Horta acredita que o momento de excepcionalidade exija maior flexibilidade das instituições que fazem esse monitoramento sobre a qualidade da água do sistema, e que seja urgentemente discutido.

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