Uma parte dos aliados de Lula (PT) divergem da avaliação de que o desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro foi negativo ao presidente. Segundo informações do blog de Andréia Sadi, do g1, uma ala mais combativa do entorno de Lula acredita que a apresentação não deve trazer impacto eleitoral relevante.
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Para esse grupo, outros aliados que consideram o desfile “catastrófico” estão fazendo tempestade em copo d’água. Segundo a visão desse grupo mais combativo, o desfile e a ala com a fantasia “neoconservadores em conserva” — que virou alvo de lideranças evangélicas e da direita — não tiram votos de Lula.
Veja imagens do desfile
Leitura oposta
A avaliação contrasta com a de outra ala do governo, considerada mais pragmática, que vê desgaste político no episódio e impacto negativo na tentativa de aproximação com eleitores religiosos.
Essa linha é semelhante à relatada pelo colunista Lauro Jardim, que apontou incômodo no Planalto e percepção de erro estratégico após o desfile.
Rebaixamento e reação política
A escola de samba terminou em último lugar no Grupo Especial e foi rebaixada, o que também gerou reação de adversários políticos. O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ironizou o resultado e em um post nas redes sociais no qual escreveu: “Quem ataca a família não merece aplauso”.
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No governo, ainda segundo a coluna de Andreia Sadi, auxiliares minimizam o resultado e afirmam que o desempenho já era esperado, por se tratar de uma escola sem tradição no grupo principal. Também reforçam que não houve qualquer interferência do Planalto no enredo ou nas alegorias apresentadas na Sapucaí.
O ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, afirmou que não houve qualquer tentativa de interferência do Planalto no desfile, nem nas escolhas da agremiação.
Desfile foi questionado na Justiça
O desfile foi alvo de pelo menos 10 ações judiciais e representações no Ministério Público e no TCU que tentaram impedir o desfile ou suspender e reverter repasses de recursos públicos. As iniciativas alegavam que trechos do samba e da apresentação configurariam propaganda eleitoral antecipada do presidente Lula. Também houve pedidos para barrar a presença do presidente na Marquês de Sapucaí e para restringir manifestações consideradas ataques a adversários.
Na última quinta-feira (12), o TSE negou uma liminar que pedia a proibição do desfile. Ministros do tribunal, porém, alertaram que eventuais condutas na Avenida poderiam ser analisadas posteriormente e resultar em punições.
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PT e escola de samba rebatem
Em nota oficial na segunda-feira (16), a escola de samba disse que durante todo o processo carnavalesco foi perseguida.
“Sofremos ataques políticos, enfrentamos setores conservadores e, de forma ainda mais grave, lidamos com perseguições vindas de gestores do próprio Carnaval Carioca. Houve tentativas de interferência direta na nossa autonomia artística, com pedidos de mudança de enredo, questionamentos sobre a letra do samba e outras ações que buscaram nos enquadrar e nos silenciar”, citaram.
Ainda na tarde de segunda-feira, o PT publicou uma nota rebatendo as críticas feitas pela oposição e afirmando que “não há fundamento jurídico para qualquer discussão sobre inelegibilidade relacionada ao episódio”.
“A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral é firme no sentido de que manifestações políticas e culturais espontâneas de artistas constituem exercício legítimo da liberdade de expressão, inclusive em contextos eleitorais e em eventos públicos”, diz um trecho da nota do PT.
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